
Assis Chateaubriand: “Estão brincando com a saúde”. Paciente com câncer é ‘esquecido’ na Uopeccan por ambulância
Segundo o relato, esta foi a quarta vez que a ambulância da Prefeitura de Assis Chateaubriand, responsável pelo transporte de pacientes até Cascavel, foi embora antes...
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Por Luiz Haab

O drama enfrentado por pacientes da saúde pública em Assis Chateaubriand voltou a ganhar repercussão nesta semana após um morador publicar um vídeo nas redes sociais denunciando que foi deixado sem transporte para retornar para casa depois de uma sessão de quimioterapia em Cascavel. O caso envolve Ueile Zinum, paciente oncológico atendido na Uopeccan, e reforça as reclamações já feitas por moradores sobre o colapso no atendimento da saúde municipal.
Segundo o relato, esta foi a quarta vez que a ambulância da Prefeitura de Assis Chateaubriand, responsável pelo transporte de pacientes até Cascavel, foi embora antes do término do tratamento, deixando-o sem retorno para casa.
Debilitado após a sessão de quimioterapia, Ueile gravou um vídeo em frente à unidade de saúde para relatar o que classificou como um “descaso” da administração municipal com pacientes que dependem do transporte público para tratamentos de alta complexidade.
“Acabei de fazer a minha quimioterapia, mandei mensagem, falaram que já tinha ido embora. Pediram pro motorista ir embora, ele foi embora, e a gente fica largado aqui”, desabafa.
No vídeo, ele faz questão de isentar o motorista de culpa e direciona as críticas à gestão do transporte da saúde municipal.
“Quem tem culpa é a saúde, é o transporte, é esse pessoal”, afirma.
O paciente relata ainda que, em outra ocasião, só conseguiu chegar em casa às nove horas da noite, mesmo estando fragilizado pelos efeitos do tratamento contra o câncer.
“Isso aqui não é brincadeira não. Isso aqui é câncer, é uma doença muito séria. E vocês estão brincando com a saúde da população de Assis Chateaubriand”, diz.
Sem qualquer retorno da equipe responsável pelo transporte, Ueile afirma que precisou pedir ajuda a um amigo para conseguir voltar para casa.
“Você manda mensagem para o pessoal do transporte e ninguém visualiza. Ninguém dá um parecer pra gente. Nem pra falar que o carro vai demorar”, relata.
O desabafo ganhou repercussão justamente porque reforça uma sequência de denúncias já feitas por moradores do município. No último dia 5 de maio, a CGN publicou reportagem mostrando relatos de longas filas, falta de médicos, demora no atendimento e dificuldades até mesmo para pacientes em tratamento contra o câncer conseguirem consultas e suporte básico na rede pública de saúde de Assis Chateaubriand.
Na ocasião, moradores relataram medo de represálias ao denunciar os problemas. O próprio Ueile toca nesse ponto durante o vídeo, ao ser questionado se teme sofrer perseguição por expor a situação publicamente.
“Eu não tenho medo. Meu medo é minha doença. Meu medo é não tratar ela”, responde.
Ele ainda afirma que, caso haja qualquer tentativa de retaliação, pretende procurar o Ministério Público.
A nova denúncia aumenta a pressão sobre a administração municipal e amplia o sentimento de indignação entre moradores, especialmente diante da situação de pacientes que dependem diariamente do sistema público para continuar tratamentos delicados e indispensáveis à própria sobrevivência.
A reportagem procurou novamente a Prefeitura de Assis Chateaubriand e aguarda um posicionamento.
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