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‘Se mais alguém morrer, será um recorde trágico’, diz Transitar sobre 15 mortes em quatro meses

Essa tragédia coletiva não é mais um alerta preventivo nem mesmo uma projeção. É uma contagem regressiva....

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Por Luiz Haab

Cascavel entra em maio — mês marcado por campanhas de conscientização — carregando um número que escancara um fracasso que está nas costas de todos nós que fazemos parte do trânsito: 15 mortes no perímetro urbano, em pouco mais de quatro meses. É uma morte a menos do que foi registrado no ano passado inteiro.

Essa tragédia coletiva não é mais um alerta preventivo nem mesmo uma projeção. É uma contagem regressiva.

Durante entrevista ao Estúdio CGN, a coordenadora de Educação no Trânsito da Transitar, Luciane de Moura, tratou os números como o que eles realmente são — um acúmulo pressa, negligência e, principalmente, indiferença à vida (clique no vídeo e assista à entrevista completa).

Quando se somam as rodovias, o quadro se amplia: já são 24 mortes em 2026 contra 47 ao longo de todo o ano anterior. A curva não é de crescimento. É de descontrole.

Maio Amarelo começou com sangue

O mês que deveria simbolizar reflexão começou com impacto literal. No dia 1º de maio, dois jovens morreram em um acidente violento. Velocidade extrema, destruição completa do veículo, nenhuma margem para dúvida.

A campanha deste ano traz o tema: “No trânsito, enxergar o outro e salvar vidas”. A escolha soa quase irônica diante da realidade local. Segundo Luciane, a velocidade segue como principal fator de risco — e não há mais espaço para relativizar isso. “A velocidade está matando”, afirma, sem rodeios. Mas ela não vem sozinha: o celular ao volante, a pressa crônica e a falsa sensação de controle completam o cenário.

As pessoas sabem. Mas não agem como se soubessem.

Motociclistas no epicentro

Se existe um grupo mais exposto, ele tem rosto: motociclistas. Dos 15 mortos no perímetro urbano neste ano, seis estavam em motos. E há um agravante: o uso incorreto do capacete.

Casos recentes mostram vítimas que poderiam ter sobrevivido, mas morreram porque o capacete simplesmente se soltou no impacto. Falha básica, repetida e fatal.

Depois de anos de campanhas focadas nesse ponto, o problema voltou — como se nada tivesse sido aprendido.

A ilusão do “não vai acontecer comigo”

Talvez o ponto mais inquietante da entrevista não esteja nos números, mas na análise do comportamento.

As pessoas assistem às notícias de acidentes pelo celular — o mesmo celular que usam enquanto dirigem. Comentam, criticam, lamentam. Mas, minutos depois, repetem exatamente os mesmos erros.

Existe uma desconexão perigosa entre informação e atitude.

A ideia de que o acidente pertence ao outro — ao imprudente, ao azarado — sustenta uma rotina de risco constante. Até deixar de sustentar.

“Parece que o que acontece no trânsito não faz parte da própria realidade”, resume Luciane.

Mas faz. E cada vez mais.

Pressa virou prioridade — e custa vidas

O trânsito virou extensão da ansiedade cotidiana. Pessoas sobrecarregadas, atrasadas, conectadas o tempo todo — e incapazes de desacelerar.

Atender o chefe no celular, responder mensagens, assistir vídeos, acelerar para “ganhar tempo”.

Ganhar tempo para quê?

A conta está sendo paga em vidas interrompidas no meio do caminho.

Números e destinos

Existe uma resistência em tratar mortes como números. Mas, neste caso, ignorá-los seria ainda mais grave.

Porque o número 16, hoje, não é apenas um dado. É uma possibilidade concreta. Alguém que ainda está vivo — e que pode não estar amanhã.

Cada número carrega uma história, uma família, um cotidiano interrompido de forma abrupta. E, ainda assim, isso não tem sido suficiente para mudar comportamentos.

O problema não é falta de informação

Campanhas existem. Fiscalização existe. Sinalização existe. O que falta é adesão.

Durante uma ação recente no Calçadão da Avenida Brasil, moradores foram convidados a escrever como poderiam contribuir para um trânsito mais seguro. As respostas se repetiam: paciência, atenção, respeito. As pessoas sabem exatamente o que precisa ser feito. Só não fazem.

Se nada mudar, o número 16 não será um limite; será apenas mais um marco ultrapassado.

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