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Imagem referente a Brasil busca parceria com Europa para exploração de minerais críticos

Brasil busca parceria com Europa para exploração de minerais críticos

"É muito importante que não tenhamos um esquema tradicional de apenas exportar minerais brutos", disse Baena no fim de fevereiro.......

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Por CGN

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O diplomata concedeu entrevista coletiva a jornalistas em Hannover, no norte da Alemanha, em um evento de apresentação da Hannover Messe, a maior feira de tecnologia industrial do mundo, que acontecerá no fim de abril.

“É muito importante que não tenhamos um esquema tradicional de apenas exportar minerais brutos”, disse Baena no fim de fevereiro.

“É importante que pensemos na agregação de valor no Brasil. Façamos parte da cadeia de suprimentos e tenhamos transferência de tecnologia. Produção no Brasil, mas com a participação das nossas empresas”, defendeu.

 

Embaixador do Brasil na Alemanha, Rodrigo Baena Soares, na feira de tecnologia Hannover Messe 2026, a maior feira de tecnologia industrial do mundo. Foto: Hannover Messe/Divulgação

O diplomata reconheceu que o Brasil tem enormes reservas desses elementos estratégicos e ainda não desponta como um dos campeões de extração e refino.

“Temos reservas importantes, sobretudo de terras raras, mas também de outros minerais, e podemos nos beneficiar da tecnologia europeia e, sobretudo, da alemã. Eu já tenho conversado com as autoridades alemãs sobre esse aspecto”, contou.

Entre esses recursos estão minerais como lítio, cobalto, níquel, grafita, cobre, manganês, nióbio e as terras raras (grupo específico de 17 elementos químicos).

De acordo com o Serviço Geológico do Brasil (SGB), vinculado ao Ministério de Minas e Energia (MME), o Brasil desponta como o maior detentor global de reservas de nióbio (94%), segundo maior de grafita (26%) e tem a terceira maior reserva mundial de níquel (12%).

Em relação às terras raras, o país concentra 23% das reservas mundiais.

Esses elementos são usados para melhorar a eficiência de diversos produtos de alta tecnologia e de energia limpa, com aplicação em turbinas eólicas e motores elétricos, por exemplo, além do uso em equipamentos aeroespaciais, como satélites, foguetes e mísseis.

 

O evento receberá representantes de centenas de países na cidade de cerca de 550 mil habitantes.

 

Baena Soares considera que a participação na Hannover Messe e a busca por parcerias com europeus é “um sinal muito importante para o mundo de que o multilateralismo ainda se faz presente”.

“Temos certeza de que isso [o acordo] vai fazer com que essa mensagem seja muito clara para o mundo, de que ações unilaterais e protecionismo não são a resposta adequada para os desafios do mundo de hoje”.

A conclusão do tratado, assinado em janeiro, aconteceu durante vigência do tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos, que passou a sobretaxar produtos importados que desembarcam no território americano, alegando defesa da economia nacional.

No último dia 20 de fevereiro, uma decisão da Suprema Corte dos EUA derrubou a decisão de Trump de taxar compras internacionais. O presidente americano reagiu impondo tarifa de 10% a diversos países.

Implementação lá e cá

No começo de março, o Senado brasileiro aprovou os termos do acordo que cria a zona de livre comércio com os mais de 720 milhões de habitantes da Europa. Além do Brasil, o bloco sul-americano é formado por Argentina, Paraguai e Uruguai.

No lado europeu, ainda há resistências de alguns países, como a França, mas a Comissão Europeia, órgão executivo do bloco, decidiu aplicar provisoriamente o tratado.

O Mercosul se comprometeu a zerar tarifas sobre 91% dos bens europeus que chegam à América do Sul, em até 15 anos. A União Europeia terá que eliminar tarifas sobre 95% dos bens comprados do Mercosul, em até 12 anos.

Enquanto alguns países europeus se mostraram contrários ao tratado com o Mercosul, a Alemanha é uma das defensoras do acordo.

Para o embaixador, “os setores agrícola e industrial no Brasil vão ganhar com esse acordo em diferentes aspectos”.

A Hannover Messe é organizada pela Deutsche Messe AG. O CEO (diretor-executivo) da companhia, Jochen Köckler, aponta o acordo como chance de “realmente” criar uma área de livre comércio.

 

“O Brasil oferece um arcabouço regulatório estável, seguro e confiável, uma matriz energética limpa, um custo muito competitivo e capacidades industriais e de engenharia”, exaltou ele, antecipando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chanceler (chefe de governo) da Alemanha, Friedrich Merz, se encontrarão durante o evento em Hannover.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a corrente de comércio entre as duas nações chegou a US$ 20,9 bilhões (cerca de R$ 110 bilhões) em 2025.

O Brasil apresentou déficit na balança comercial, tendo exportado US$ 6,5 bilhões e importado US$ 14,4 bilhões da Alemanha.

A Alemanha é o terceiro país que mais vende para o Brasil e o 11º que mais compra dele. O embaixador Baena Soares lembrou que o país do Velho Continente é um dos dez maiores investidores no Brasil, com cerca de 40 bilhões de euros em estoque de investimento direto.

“Temos uma presença muito importante de mais de 1 mil empresas alemãs no Brasil”, citou o diplomata.

*O repórter viajou a convite da Deutsche Messe AG, organizadora da Hannover Messe.

Fonte: Agência Brasil

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