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Projeto une vozes de crianças e jovens contra o racismo ambiental

Comunidades ribeirinhas, favelas e reservas indígenas estão entre os grupos mais atingidos pelo racismo ambiental, no Brasil. ......

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Por CGN

Comunidades ribeirinhas, favelas e reservas indígenas estão entre os grupos mais atingidos pelo racismo ambiental, no Brasil.

O conceito se refere ao conjunto de injustiças sociais e ambientais que geram consequências mais severas a determinadas etnias e populações vulneráveis.

A partir de relatos de jovens dessas regiões, a ActionAid – uma organização internacional que atua na área de justiça social – lançou um projeto de conscientização ambiental, com organizações parceiras.

Ao todo, cerca de 350 moradores de seis estados brasileiros contribuíram para o glossário, em um processo que durou três anos, e incluiu jovens do Complexo da Maré, no Rio; de Heliópolis, em São Paulo; do território indígena Xakriabá, em Minas Gerais, de comunidades rurais do interior de Pernambuco, de territórios quilombolas na Bahia e além de comunidades de quebradeiras de coco babaçu no Tocantins. 

Glossário

Uma das responsáveis pela metodologia do projeto, a especialista em Educação e Infâncias Carolina Silva conta que a ideia para a publicação nasceu aos poucos, a partir do incômodo percebido pelas crianças e jovens.

“Percebemos que as crianças já sentiam que algo estava errado nos seus territórios, mas ainda não tinham palavras para nomear essas injustiças. O glossário nasce dessa necessidade de expressão e mostra a potência das nossas crianças e adolescentes e a riqueza dos saberes que compartilham”, explica Carolina.

O livro apresenta o personagem Akin, que aprende sobre o mundo através das descrições feitas pelos jovens. Na letra A, Akin entende que as crianças enxergam Agrotóxico como uma coisa ruim; que Ação Comunitária se relaciona ao cuidado, a cestas básicas e vacinas; e que Água é um recurso que nem sempre está disponível e que, às vezes, vem com cor de barro. 

Na letra E, o glossário traz o termo Energia que, pela visão dos jovens, pode até faltar pra todos, mas volta mais rápido para uns que para outros, a depender do bairro ou da região: “a luz demora pra voltar porque somos pobres, na zona sul eles têm dinheiro e não demora [para restabelecer a falta de energia”.

Para a letra I, o termo Inclusão se traduz para “aceitar todos na brincadeira” ou “ter uma comida legal e boa”. 

Pequenos Grandes Saberes traz ilustração e conceitos de jovens de 7 a 17 anos, de comunidades afetadas pelo racismo ambiental – Print capa/Livro Pequeno Grandes Saberes

Escolas

A metodologia desenvolvida pela ActionAid e pelas organizações parceiras foi documentada e disponibilizada na edição para que possa ser replicada em escolas, projetos sociais e políticas públicas. 

A construção do glossário contou com o suporte das organizações Redes da Maré, UNAS Heliópolis, Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas (CAA-NM), Giral, Conselho Pastoral de Pescadores e Pescadoras (CPP) e Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB).

Para a diretora Programática da ActionAid Brasil, Ana Paula Brandão, desenvolver um trabalho que leve crianças e adolescentes a nomearem essas violências é muito importante:

“É essencial levar a educação ecológica ou ambiental, a partir da perspectiva antirracista, como uma contribuição para a educação brasileira. Ouvir o que as crianças e adolescentes têm a dizer sobre sua própria realidade é indispensável, e o glossário é um potente instrumento educativo de mobilização e sensibilização para esse debate”.

*Estagiária sob supervisão da jornalista Mariana Tokarnia.

 

Fonte: Agência Brasil

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