
Secretaria de Educação do PR responde mãe de aluna autista que denunciou “tratamento inadequado” em colégio de Cascavel
Foi com essa nota que a Secretaria de Estado da Educação respondeu às denúncias feitas por uma mãe de Cascavel sobre o atendimento à filha de...
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Por Luiz Haab

“O Núcleo Regional de Educação esclarece que a estudante mencionada na matéria recebe atendimento especializado, desde seu ingresso na rede estadual. O suporte inclui Professor de Apoio Educacional Especializado (PAEE), voltado ao acompanhamento pedagógico, e Profissional de Apoio Escolar (PAE), responsável pelo auxílio nas atividades de alimentação, locomoção, interação e higiene, nos termos da legislação vigente.”
Foi com essa nota que a Secretaria de Estado da Educação respondeu às denúncias feitas por uma mãe de Cascavel sobre o atendimento à filha de 11 anos no Colégio Estadual Andreia Neres dos Santos, localizado no Conjunto Riviera, região Norte da cidade.
A manifestação oficial garante que a estudante, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno Opositivo Desafiador (TOD), Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e deficiência intelectual, recebe acompanhamento especializado desde que ingressou na rede estadual. Segundo o texto, há tanto suporte pedagógico quanto auxílio para atividades de rotina.
A versão apresentada pelo Estado contrasta com o relato da família.
Na terça-feira (24), a mãe da aluna procurou a CGN para denunciar o que classifica como “falta de estrutura e preparo” por parte da instituição de ensino. Segundo ela, apesar dos diagnósticos e das necessidades específicas da filha, o ambiente escolar não estaria preparado para lidar com as crises comportamentais da criança, que incluem episódios de agressividade.
De acordo com o relato, sempre que as crises se intensificam, a escola aciona a família para buscar a estudante antes do término das aulas, sob a justificativa de não possuir recursos suficientes para mantê-la em sala naquele momento. A prática, segundo a mãe, é recorrente.
Outro ponto sensível diz respeito à disponibilização da Profissional de Apoio Escolar. A mãe afirma que só conseguiu o acompanhamento após recorrer ao Ministério Público e ao Conselho Tutelar, alegando que o suporte não teria sido ofertado de forma espontânea pela rede. “Eu tive que ir atrás. Não foi algo que veio naturalmente”, relatou.
Ela também descreve episódios que considera desrespeitosos por parte da equipe escolar e de representantes do Núcleo Regional de Educação. Em uma das situações, afirma ter sido interrompida de maneira ríspida pelo diretor da escola enquanto conversava com a vice-diretora. Em outro momento, diz ter sido questionada de forma grosseira sobre a medicação da filha, com a insinuação de que o comportamento da criança estaria relacionado à ausência de remédios.
Além disso, a mãe relata que ouviu, mais de uma vez, a sugestão de transferência da menina para outra instituição, como a Apae. Ela, porém, defende a permanência da filha no ensino regular, argumentando que, apesar das dificuldades, a criança apresenta evolução na aprendizagem. “Ela demorou para aprender a ler e escrever, mas conseguiu. Ela aprende”, afirma.
O caso levanta um debate que vai além de uma situação individual: inclusão no papel e inclusão na prática nem sempre caminham na mesma velocidade. Entre o que está previsto na legislação e o que acontece dentro da sala de aula, permanece uma pergunta inevitável: o sistema está preparado para incluir — ou apenas para registrar que incluiu?
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