
CPI do “Professor Monstro”: Paranhos afirmou para mãe “A minha dor é a sua dor”
Durante a oitiva, Paranhos foi questionado sobre seu conhecimento e atuação diante das denúncias que envolviam o servidor posteriormente condenado por pedofilia. O ex-prefeito afirmou que...
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Por Katiane Fermino
Na manhã desta sexta-feira (05), a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), instaurada para investigar possíveis irregularidades no processo administrativo referente a um caso de assédio sexual cometido por um servidor público em um CMEI (Centro Municipal de Educação Infantil) de Cascavel, ouviu o ex-prefeito Leonaldo Paranhos. À época dos fatos, Paranhos era o chefe do Executivo municipal.
Durante a oitiva, Paranhos foi questionado sobre seu conhecimento e atuação diante das denúncias que envolviam o servidor posteriormente condenado por pedofilia. O ex-prefeito afirmou que não teve acesso à gravidade dos fatos enquanto o processo estava em andamento.
]Segundo ele, recebia apenas pedidos de prorrogação de prazo para conclusão do relatório, sem detalhes sobre o conteúdo das investigações.
“Eu nunca abri mão de ter um relatório conclusivo. Eu não sairia da prefeitura sem um relatório conclusivo”
Leonaldo Paranhos
Paranhos afirmou que só tomou conhecimento do teor do relatório ao recebê-lo, ocasião em que decidiu pela demissão do servidor, em outubro de 2024. Posteriormente, a Justiça condenou o acusado a 30 anos de prisão.
Questionado se leu os encaminhamentos ou relatórios parciais antes da decisão final, Paranhos reiterou:
“Não, não tinha relatório, o que tinha era um pedido de prazo, o relatório eu li quando eu demiti, quando veio o relatório que eu tanto pedi, ou de inocente ou de culpado, aí sim eu li o relatório e tomei a decisão de demiti-lo.”
Leonaldo Paranhos
Sobre a demora no processo administrativo, que se estendeu por quase quatro anos, o ex-prefeito atribuiu parte do atraso à pandemia de Covid-19, que dificultou a realização das oitivas, e à complexidade do caso.
Paranhos também destacou que, caso um servidor da comissão se sentisse incompetente para conduzir o processo, deveria ter solicitado substituição formalmente.
“A pandemia também não tinha, evidentemente, condições de fazer as oitivas, aí quando chamava, apresentava um atestado, mas isso não tira a responsabilidade de quem está de concluir”
Leonaldo Paranhos
O ex-prefeito foi indagado sobre a falta de servidores para conduzir processos investigativos no município. Ele disse desconhecer a existência de pedidos formais de reforço de pessoal para a comissão responsável pelo caso, mas informou que, durante sua gestão, aumentou de 27 para 68 o número de servidores na folha de pagamento. Afirmou sobre eventuais pedidos de mais servidores:
“Se tivesse sido levado, evidentemente que eu responderia”
Leonaldo Paranhos
A atuação da comissão responsável pelo processo também foi tema da oitiva. Paranhos enfatizou que não interferia nos trabalhos das comissões, delegando a elas a responsabilidade de apurar e apresentar relatórios conclusivos.
“Eu peço aos membros de uma comissão que me traga um relatório, eles que vão responder, daí se eles falaram que é inocente, é inocente, falou que é culpado, é culpado”
Leonaldo Paranhos
Durante a entrevista coletiva, o ex-prefeito foi questionado sobre possíveis falhas de comunicação e transparência no processo. Paranhos destacou que foi o primeiro prefeito da história de Cascavel a demitir um servidor condenado por pedofilia.
Ele ponderou sobre a gravidade do caso e reconheceu que outros episódios semelhantes podem ter ocorrido no passado sem a devida apuração. Ele questionou:
“Você sabe quantos casos deve ter acontecido que não veio à tona?”
Leonaldo Paranhos
Sobre relatos de que o servidor investigado teria permanecido em contato com crianças durante o período do processo, inclusive durante a pandemia, Paranhos afirmou que, segundo as informações que ele tinha, o servidor estava afastado das funções de sala de aula e trabalhava no administrativo.
“A informação que eu tinha é que ele estava num processo administrativo. Apesar de que como ele estava em processo de sindicância, poderia alegar que não sou culpado, peraí, eu estou sendo condenado? É assim que o servidor também faz”
Leonaldo Paranhos
Paranhos foi questionado ainda sobre a possibilidade de responsabilização administrativa de gestores que, porventura, tenham sido negligentes ao permitir que o servidor permanecesse em contato com crianças
“Como ele foi punido, qualquer pessoa que foi negligente tem que ser punida. É isso”
Leonaldo Paranhos
Ao final da oitiva, mães de vítimas confrontaram o ex-prefeito, expressando indignação com a demora na punição e com a permanência do servidor no CMEI durante o trâmite do processo. Paranhos afirmou compreender a dor das famílias e reforçou que sua gestão foi a primeira a tomar uma medida efetiva de demissão em caso semelhante.
“Eu quero dizer que a sua dor é a minha dor. E eu me sinto honrado, como prefeito, em ter feito uma demissão de um pedófilo que abusou do seu filho”
Leonaldo Paranhos
Por fim, Paranhos defendeu que o caso sirva de exemplo para o Brasil, ressaltando a importância de que a Justiça e as instituições atuem de forma rigorosa e transparente em situações de abuso sexual envolvendo crianças.
“A justiça pode tardar, mas não falha”
Leonaldo Paranhos
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