
Uso de cloroquina no HUOP: medicamento está disponível e maioria dos pacientes tem indicação
Cada caso é analisado por uma junta de médicos para saber se não há contraindicação......
Publicado em
Por Mariana Lioto

A cloroquina e a hidroxicloroquina têm sido apontadas como tratamento possíveis para a Covid-19. Ontem, com a alta de um paciente que ficou 14 dias no HUOP em estado grave com a doença muitos internautas questionaram a CGN se estes medicamentos estão sendo usados aqui. A CGN conversou com o médico Gabriel Kreling, um dos coordenadores da Ala Covid-19 em Cascavel.
Ele comentou que o hospital tem a cloroquina (usado originalmente para tratar malária) e está buscando comprar a hidroxicloroquina (usado para doenças reumatológicas como lúpus). Veja os principais esclarecimentos
A cloroquina está sendo usada no hospital?
Sim. O Ministério da Saúde sugere a utilização em casos graves, onde o paciente está em unidade de terapia intensiva, desde que não tenham contraindicação. Neste caso a principal contraindicação são os problemas no coração, pois é um medicamento que pode causar arritmia [alteração nos batimentos]. Como a maioria dos nossos pacientes são casos graves a maioria tem a indicação. A partir daí cada caso é analisado para ver se há contraindicação.
A decisão se o paciente receberá a cloroquina ou não é individual do médico ou é do hospital?
Todas as decisões da ala Covid-19 do HUOP são tomadas por uma junta médica com os especialistas das diferentes áreas médicas. A família ou o paciente, se ele tiver condição, precisa dar um termo de consentimento justamente devido a estes efeitos adversos.
Já é possível saber se o resultado é positivo nos pacientes tratados em Cascavel?
Especificamente no HUOP ainda é cedo para saber, temos poucos casos confirmados. De qualquer forma, como um hospital escola, todos os resultados serão divulgados em estudos para contribuir com a construção do conhecimento sobre o assunto
A nível mundial a eficiência destes remédios já é um consenso?
Ainda não existem pesquisas completas, com grande número de participantes. Até o momento, infelizmente as pesquisas não mostram que são drogas que mudam claramente o desfecho da doença. Muitos testes ainda são apenas em laboratório e não com o um número significativo de pacientes. O que a gente sabe é a necessidade de prevenção: lavagem das mãos, ficar em casa se possível, prevenir para que a gente tenha estrutura de saúde para atender todos os casos. Até porque quanto mais conseguirmos adiar o aumento da transmissão do vírus, mais tempo teremos para que os estudos que buscam tratamentos eficientes avancem.
Qual o risco de usar estes remédios sem prescrição médica?
A automedicação neste momento é um problema por dois motivos. Primeiro porque as pessoas que realmente precisam do remédio e já usavam devido ao lúpus ou malária podem ficar sem o tratamento. Segundo porque o paciente que faz a automedicação não sabe se tem alguma contraindicação e isso é muito sério.
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