CGN
Acesse aqui o Discover e busque as mais lidas por mês!
Imagem referente a Centro MariAntonia expõe obras de presos políticos dos anos 60 e 70
© CMA/USP

Centro MariAntonia expõe obras de presos políticos dos anos 60 e 70

Os trabalhos que foram produzidos nesse período retratam o cotidiano na prisão, as relações entre os presos, suas redes de apoio e a solidariedade criada dentro......

Publicado em

Por CGN

Publicidade
Imagem referente a Centro MariAntonia expõe obras de presos políticos dos anos 60 e 70
© CMA/USP

“Essa exposição é um recorte de uma coleção maior, que é uma coleção realizada pelo Alípio Freire ao longo da sua vida e que contém em torno de 300 obras, desde imagens até documentos, cartas e recortes de jornais”, disse Priscila Arantes, curadora da exposição. 

Os trabalhos que foram produzidos nesse período retratam o cotidiano na prisão, as relações entre os presos, suas redes de apoio e a solidariedade criada dentro e fora das prisões. As obras mostram diversas técnicas e foram feitas por meio de materiais que eles conseguiam dentro do espaço prisional ou que lhes foram levadas por familiares e amigos.

Além dessas obras, a exposição também apresenta sete depoimentos em vídeos produzidos especialmente para a mostra. “Contamos aqui com sete vídeos inéditos que foram feitos para essa exposição e que foram muito importantes para esse espaço de escuta na pesquisa curatorial”, disse Priscila.

“O MariAntonia foi um palco muito importante de resistência politica durante os anos da ditadura. Simboliza a resistência da universidade ao autoritarismo no país. É um monumento histórico, tombado justamente em função desses movimentos estudantis e que resistiram ao arbítrio instalado no país. Por outro lado, nesses 30 anos, o Centro MariAntonia se tornou um dos espaços de arte mais importantes da cidade de São Paulo. Um espaço de reflexão sobre a arte, de exposição e de educação sobre a arte. Nesse sentido, a exposição junta esses dois fios de uma maneira extremamente oportuna para comemorar esses 30 anos”, explicou José Lira, professor da USP e diretor do Centro MariAntonia.

Entre 1949 e 1968, o Centro MariAntonia abrigou a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, que atualmente fica no Campus do Butantã. Em outubro de 1968, a Rua Maria Antonia, onde o conjunto de edifícios está abrigado, foi palco de uma das mais importantes batalhas pela democracia na ditadura militar. Esse episódio ficou conhecido como a Batalha da Maria Antonia e envolveu estudantes de posições ideológicas opostas e a polícia.

“A batalha da rua Maria Antonia foi o ponto culminante de uma insatisfação geral dos estudantes em relação à repressão e suas manifestações e passeatas no centro de São Paulo”, contou Lira.

“Por volta de maio [de 1968], esses estudantes foram alvo de ataques violentos da polícia. Um estudante secundarista foi morto e a partir desse episódio, eles decidiram ocupar o prédio da Faculdade de Filosofia. Para tal, montou-se um grande mutirão de estudantes, de várias faculdades da universidade de São Paulo, não só de Filosofia, Ciências e Letras, que passaram a residir e organizar manifestações a partir daqui junto com os estudantes de Arquitetura, Direito, Medicina e da Politécnica. Em outubro de 68, em função da repressão a um pedágio que eles faziam para arrecadar fundos, iniciou-se uma grande batalha entre os estudantes da USP e alguns estudantes da Universidade Mackenzie, que fica do outro lado da rua. Esse episódio terminou após dois dias de batalhas campais, com quebradeira generalizada no prédio. O prédio foi parcialmente incendiado e logo em seguida, tomado da universidade pelo governo do estado. Durante mais de 20 anos esse prédio foi alienado da universidade. Só em 1993, portanto há 30 anos, é que a USP finalmente ganhou de volta o prédio e decidiu criar esse espaço dedicado à memória, arte e a criação livre, ao pensamento livre”, explicou o diretor do centro.

Para ele, celebrar os 30 anos do espaço com essa exposição é importante não só para a construção de uma memória sobre aquele período, mas também para provocar reflexões na sociedade atual. “Ela [exposição] traz também a força, uma memória da força da mobilização social contra o arbítrio, contra o autoritarismo e contra a ditadura. No momento em que os ataques aos direitos humanos são praticados cotidianamente, em suas múltiplas formas – não mais daquelas formas típicas da ditadura mas de formas igualmente atrozes – uma exposição como essa sugere inúmeras possibilidades de reflexão para o cidadão em geral”, disse.

Mais informações sobre a exposição, que é gratuita, podem ser obtidas no site do centro. 

Fonte: Agência Brasil

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

AVISO
agora
Plantão CGN