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Juros: Taxas sobem com ajuste à PEC, enquanto Copom tem efeito neutro

O risco fiscal se sobrepôs a qualquer repercussão ao comunicado do Copom que, em linhas gerais, ficou dentro do esperado. No meio da tarde, o mercado...

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Por Agência Estado

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A curva de juros fechou a quinta-feira com a ponta curta praticamente estável, enquanto os longos subiram. O aumento da inclinação se deu basicamente por uma correção em relação a ontem, quando a perspectiva de nova desidratação da PEC da Transição na votação do plenário do Senado aliviou prêmios de risco. Como essa expectativa não se concretizou, o mercado devolveu a queda, até porque é vista como baixa a possibilidade de diluição do impacto fiscal na Câmara, dado o prazo exíguo para a tramitação.

O risco fiscal se sobrepôs a qualquer repercussão ao comunicado do Copom que, em linhas gerais, ficou dentro do esperado. No meio da tarde, o mercado digeria a informação de que o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, teria sido sondado por emissários do governo eleito para mais um mandato, com reação pontual e discreta, de redução da alta nos vencimentos longos.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2024 fechou em 13,83% (regular e estendida), de 13,84% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2025 subiu de 13,03% para 13,08% (regular) e 13,06% (estendida). A do DI para janeiro de 2027 encerrou em 12,78% (regular) e 12,80%(estendida), de 12,71%.

A pressão sobre as taxas se impôs logo pela manhã. A PEC passou ontem no plenário do Senado por margem confortável de 64 votos, 15 além dos 49 necessários, sem alterações em relação ao que foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O impacto, a princípio, é de R$ 168 bilhões por dois anos, sendo que o teto de gastos foi esticado em R$ 145 bilhões para acomodar alta de despesas com o Bolsa Família. Ao longo da tarde de ontem, havia expectativa de um valor menor – um grupo de senadores defendia baixar os R$ 145 bilhões para R$ 100 bilhões e o prazo para um ano.


“É ressaca pós PEC. Tinha gente ainda acreditando em alguma diluição e o que temos são desconfianças sobre os ‘penduricalhos’ e gastos eventualmente acima dos R$ 168 bilhões”, explica o economista-chefe da Terra Investimentos, João Mauricio Rosal. Ele se refere aos cálculos do economista Marcos Mendes apontando uma série de possíveis gastos não esclarecidos no texto que levariam o impacto total a mais de R$ 200 bilhões.

O texto agora segue para a Câmara e tem de ser aprovado até quarta-feira, dia 15, quando também o Supremo Tribunal Federal (STF) retoma o julgamento da constitucionalidade do orçamento secreto. Analistas políticos da Warren Renascença têm como cenário base a manutenção pela Câmara do texto que foi aprovado pelo Senado. “Lira (Arthur Lira, presidente da Câmara) participou de várias conversas, inclusive na véspera da votação na CCJ do Senado. Ou seja, ele está na mesa de negociação”, disseram os profissionais, não descartando até mesmo que surjam novos penduricalhos. “Mas a tendência é de o valor e o prazo permanecerem.”

O gestor de multimercado da Neo, Mario Schalch, viu o movimento das taxas hoje como “de volatilidade normal de mercado”, afirmando que os investidores já vinham se posicionando ao longo de novembro tanto ao “waiver” da PEC quanto à possibilidade de um nome do PT para o comando do Ministério da Fazenda – o do ex-ministro Fernando Haddad é dado como certo. “As taxas acima de um ano vinham subindo bem e ontem haviam caído com a aprovação da PEC na CCJ”, disse.

Sobre o Copom, a decisão de manter a Selic em 13,75% estava amplamente precificada. O comunicado trouxe o alerta sobre a questão fiscal, como defendia o mercado, ainda que para alguns o tratamento poderia ter sido mais firme. O BC afirma que a conjuntura de incertezas fiscais requer “serenidade na avaliação dos riscos” e que estará especialmente atento aos efeitos da política fiscal nos preços de ativos e expectativas de inflação.

À tarde, as taxas chegaram a esboçar uma reação positiva à possibilidade de um novo mandato para Campos Neto. Conforme informação da Folha de S. Paulo, ele teria sido sondado pelo governo eleito para seguir à frente da instituição. Para o ex-presidente do BC Gustavo Franco, “é uma ótima notícia”. A má notícia, continuou, é ter de enfrentar “o pesadelo de todo o Banco Central: a inconsistência fiscal”.

Diante da abertura da curva, o Tesouro preferiu reduzir os lotes de prefixados no leilão desta quinta-feira e foi bem-sucedido, colocando integralmente as ofertas de 1,5 milhão de LTN e de 300 mil NTN-F, com risco (DV01) 47% menor ante o último leilão, segundo a Necton Investimentos.

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