CGN
Acesse aqui o Discover e busque as mais lidas por mês!

Carandiru: desembargador pede vista e susta julgamento sobre penas de policiais

As condenações são definitivas, ou seja, os PMs não podem mais ser absolvidos. A dosimetria das penas, no entanto, ainda será analisada a pedido da defesa....

Publicado em

Por Agência Estado

Publicidade

O desembargador Edson Aparecido Brandão, da 4.ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), pediu vista (mais tempo para análise) e suspendeu o julgamento sobre o pedido para reduzir as penas dos policiais militares condenados pelo massacre do Carandiru.

As condenações são definitivas, ou seja, os PMs não podem mais ser absolvidos. A dosimetria das penas, no entanto, ainda será analisada a pedido da defesa.

Ao todo, 74 policiais militares foram denunciados e condenados em júri popular pelo assassinato de 111 presos após uma rebelião no pavilhão 9 da Casa de Detenção de São Paulo em 1992, mas ainda não começaram a cumprir suas sentenças. As penas chegam a 624 anos de prisão.

Brandão disse que precisa de mais tempo para analisar o processo por “motivos técnicos” e para finalizar o voto. “Imaginei que o julgamento fosse marcado mais para o início do ano que vem. A pauta, porém, encurtou”, disse. “Eu necessito dessa vista tecnicamente para arrematar algumas coisas.”

O desembargador garantiu que não há risco do processo prescrever – o que significa que o Estado perde o direito de punir os responsáveis pelo massacre. “Não há qualquer risco de prescrição neste momento”, disse. “Não vai alterar em absolutamente nada o julgamento do feito.”

Não há data prevista para a retomada do julgamento. O caso terá preferência na próxima sessão livre. O presidente da 4.ª Câmara Criminal, desembargador Luis Soares de Mello Neto, prometeu encaixar o processo na pauta com rapidez.

‘Tempo de justiça’

Antes da suspensão do julgamento, o promotor de Justiça Maurício Antonio Ribeiro Lopes, do Ministério Público de São Paulo, disse que as penas obedeceram o “padrão mínimo” e devem ser mantidas nos termos fixados. “As penas foram aplicadas segundo o critério do concurso material”, afirmou. “Houve de tudo, menos qualquer humanidade nessa ação.”

Lopes também afirmou que o “tempo de justiça” chegou. “Com esse reconhecimento, finalmente nós colocaremos fim ao silêncio sorridente de São Paulo diante da chacina”, disse o promotor em referência aos versos de Caetano Veloso e Gilberto Gil na música Haiti. Ele também parafraseou Elza Soares: “A carne mais barata do mercado é a carne negra.”

‘Sentenças são imprestáveis’

O advogado Eliezer Pereira Martins, que assumiu a defesa dos policiais, afirma que as sentenças são “imprestáveis” e precisam ser “readequadas”. “A dosimetria da pena terá que ser uma mescla de institutos do Código Penal e do Código Penal Militar”, defendeu aos desembargadores.

A defesa também afirma que o caso deve voltar para a primeira instância. “Já que se esperou 30 anos, não me parece que atenda à Justiça e à sociedade uma decisão açodada neste momento”, disse.

O advogado defendeu ainda que os policiais são “pessoas de bem”, têm carreiras “imaculadas” e agiram para evitar a fuga em massa dos detentos rebelados no Carandiru. “Os réus hoje são senhores sexagenários, septuagenários, todos com filhos, netos, famílias constituídas, e atenderam a sociedade paulista por mais de 30 anos”, concluiu.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

AVISO
agora
Plantão CGN