CGN
Acesse aqui o Discover e busque as mais lidas por mês!
Imagem referente a Curitiba – Dignidade e bem-estar orientam cuidados paliativos no SUS de Curitiba
Dignidade e bem-estar orientam cuidados paliativos no SUS de Curitiba. Foto: Fernanda Luvizotto/Feas

Curitiba – Dignidade e bem-estar orientam cuidados paliativos no SUS de Curitiba

Respeitar as decisões dos pacientes e dos familiares sobre o tratamento são abordagens que integram o modelo de cuidados paliativos na assistência à saúde. O assunto......

Publicado em

Por CGN

Publicidade
Imagem referente a Curitiba – Dignidade e bem-estar orientam cuidados paliativos no SUS de Curitiba
Dignidade e bem-estar orientam cuidados paliativos no SUS de Curitiba. Foto: Fernanda Luvizotto/Feas

Em A Via Láctea, o cantor e compositor Renato Russo (1960-1996) dizia: “Quando tudo está perdido/Sempre existe um caminho.” Os versos se encaixam nos princípios dos cuidados paliativos: aumentar o conforto e a qualidade de vida a partir do momento em que não existe mais possibilidade de cura do doente.

Respeitar as decisões dos pacientes e dos familiares sobre o tratamento são abordagens que integram o modelo de cuidados paliativos na assistência à saúde. O assunto foi tema do 2º Encontro de Cuidados Paliativos, realizado no Auditório do Hospital Municipal do Idoso, na sexta-feira (28/10).

O diretor técnico do hospital, Clóvis Cechinel, destacou a importância do olhar transdisciplinar na abordagem paliativa. “Cuidados paliativos têm muita técnica, muito estudo, muita intenção e, claro, afeto”, disse.

A programação contou com a palestra online “Terapia da Dignidade: além do cuidado”, ministrada pela médica Ana Carolina Kotinda, especialista em Cuidados Paliativos. Ela citou um estudo sobre o motivo que levaram pacientes a países em que é permitida a morte assistida.

Segundo Ana Carolina, ao contrário do que se imaginava, não era a dor o principal motivo, mas a perda da dignidade (para 57% dos entrevistados). “A falta da dignidade é algo pelo que vale a pena morrer? Então eu preciso estudar isso, com muito cuidado, porque se eu vou morrer pela falta disso [indignidade], eu posso viver por isso [dignidade]”. 

Comissão

Desde janeiro de 2018, o Hospital Municipal do Idoso conta com uma Comissão de Cuidados Paliativos. Para Elisângela Shiroma, médica e presidente da Comissão de Cuidados Paliativos do Hospital do Idoso, é preciso desmistificar o tema.

O tema ainda enfrenta preconceito – até mesmo por parte de profissionais de saúde, que muitas vezes encaram equivocadamente a abordagem como uma interrupção do tratamento. “Há muito o que fazer pelo paciente em cuidados paliativos”, observa a médica.

“Muitas vezes não conseguimos mais curar aquela doença que ele tem, mas conseguimos fazer muito para que viva com qualidade, com seus sintomas mais controlados e compensados”, explica Elisângela.

A médica destaca a importância de distinguir o estado clínico grave e irreversível, que precede uma morte próxima, e os cuidados paliativos. Pacientes paliativos podem viver por anos, apesar de estarem com uma doença que não tem cura.

“E mesmo para os pacientes em fim de vida, o objetivo é proporcionar que esse tempo seja da vivido da melhor forma possível, evitando procedimentos desnecessários, que só trariam sofrimento e não mudariam o desfecho”, acrescenta a médica.

Suporte à família

 A Comissão de Cuidados Paliativos faz uma análise da evolução da doença, o modo como o paciente responde ao tratamento e sobre a perda gradativa da funcionalidade nos últimos dias, meses ou até anos. A decisão é compartilhada e envolve parecer médico, da família e, principalmente, a vontade do paciente.

“É uma decisão partilhada: há uma conversa, análise de prognósticos, possíveis desfechos e a decisão é conjunta”, conta Elisângela. A partir daí é feita a elaboração do plano terapêutico, de controle de sintomas e de acompanhamento psicológico.

Nilze Genari, 70 anos, cuida do marido Renato Antonio Genari, 79 anos. Ele sofre com sequelas de um acidente vascular cerebral (AVC) há dez anos, quando teve a fala e os movimentos parcialmente comprometidos.

Há cinco anos, depois de uma queda que causou a fratura no fêmur, o quadro de saúde de Renato foi agravado. Ele passou a viver na cama, totalmente dependente da esposa.

Casada há 54 anos, Nilze faz questão de estar ao lado de Renato, cuidando dele e demostrando amor. No último ano, entretanto, as dores do marido vêm mexendo com o coração da esposa. “Não é cansativo cuidar dele, o que cansa é vê-lo sofrer”, desabafa Nilze.

Ela o acompanha no hospital durante o dia; à noite, os filhos se revezam. A evolução da doença não tem sido fácil para a aposentada aceitar o desfecho de tudo. Ela também precisou de atendimento da Comissão de Cuidados Paliativos.

“Eu não sei se a palavra certa é ‘aceitar’, mas está ajudando a lidar com tudo isso”, explica. “Conversei com a médica, com a psicóloga, elas me ajudaram a entender os estágios da doença, a evolução”, lembra dona Nilze.

“Eu tinha bastante medo de enfrentar esse momento. Até pedi a Deus para ir antes (dele) para não ter de passar por isso, mas agora entendi e peço a Deus força para quando chegar a hora”, revela a aposentada.

É quando as palavras de Dona Nilze fazem lembrar de outra canção da Legião Urbana, “Música Ambiente”, em que Renato Russo canta: “Se um dia fores embora/ Te amarei bem mais do que esta hora/ Me lembrarei de tudo que eu não disse/ E de quando havia tudo que existe”.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

AVISO
agora
Plantão CGN