CGN
Acesse aqui o Discover e busque as mais lidas por mês!

Annie Ernaux, entre o íntimo e o coletivo

Anders Olsson, presidente do comitê do Nobel de Literatura, disse que Ernaux se refere a si como “uma etnóloga de si mesma” em vez de uma...

Publicado em

Por Agência Estado

Publicidade

Ao anunciar o nome de Annie Ernaux como a vencedora do Prêmio Nobel de Literatura, a Academia Sueca justificou sua escolha pela “coragem e agudeza clínica com que ela descobre as raízes, os distanciamentos e restrições coletivas da memória pessoal”.

Anders Olsson, presidente do comitê do Nobel de Literatura, disse que Ernaux se refere a si como “uma etnóloga de si mesma” em vez de uma escritora de ficção. Seus livros, quase sempre breves, narram eventos de sua vida e das pessoas ao seu redor, seus encontros sexuais, o aborto, doenças e a morte de seus pais. Segundo Olsson, o trabalho de Ernaux é, muitas vezes, “intransigente e escrito em linguagem simples e direta”.

Ele também disse que ela alcançou algo “admirável e duradouro” e que com sua escrita ela busca oferecer uma visão muito objetiva dos eventos que está descrevendo, e não uma imagem “moldada por descrições floreadas ou emoções avassaladoras”.

À Associated Press, ele definiu Annie Ernaux como “uma escritora extremamente honesta que não tem medo de confrontar as duras verdades, as experiências realmente difíceis”.

Entre seus temas, abordados sempre a partir de sua experiência pessoal, estão relações familiares e sociais, violência e os direitos das mulheres. Ao contar sua história, ela explora e expõe a vida na França. Durante o anúncio, o porta-voz do Nobel disse que não há nenhuma “mensagem” na escolha por Annie este ano, e que o critério é, e sempre foi, a qualidade literária.

DIREITO DA MULHER

Horas depois do anúncio, Annie Ernaux falou com a imprensa na sua editora, a Gallimard, em Paris. Em seu pronunciamento, ela defendeu ferozmente o direito das mulheres ao aborto e aos contraceptivos. “Lutarei até meu último suspiro para que as mulheres possam escolher ser mães ou não ser. É um direito fundamental”, afirmou a escritora.

Um de seus livros mais conhecidos é O Acontecimento, cuja adaptação para o cinema foi premiada no Festival de Veneza em 2021. Nele, a autora conta sobre o aborto que fez na juventude, quando ele era proibido na França – agora, a interrupção da gravidez é permitida no país até a 14ª semana de gestação.

Annie Ernaux, que estreou na literatura em 1974, com o romance biográfico Os Armários Vazios, também falou sobre a importância de continuar lutando pelos direitos das mulheres e de ter esperança na paz – ela viveu sua infância durante a Segunda Guerra Mundial.

Emmanuel Macron, presidente da França, usou sua conta no Twitter para festejar o Nobel de Ernaux: “Annie Ernaux escreve há 50 anos o romance da memória coletiva e íntima de nosso país. Sua voz é a da liberdade das mulheres”. Ele reconhece sua contribuição, mas o contrário não é verdadeiro. Defensora de causas de esquerda por justiça social, ela já disse que Macron, em seu primeiro mandato como presidente, não conseguiu promover a causa das mulheres francesas.

Annie Ernaux está presente nas livrarias brasileiras com seus mais celebrados livros, como O Acontecimento.

O mais recente, que acaba de ser publicado pela Fósforo – editora que desde 2021 vem traduzindo sua obra -, é A Vergonha. Nele, ela rememora um episódio de sua infância. Quando tinha 12 anos, seu pai tentou matar sua mãe e a experiência traumática resultou em um sentimento que a acompanharia pelo resto da vida.

O Lugar, de 1983, foi o livro que a revelou. Os Anos é tido como sua principal obra.

Em novembro, para a Festa Literária de Paraty (Flip), que confirmou, no mês passado, a vinda da francesa, sairá O Jovem. No breve volume, deste ano, ela relata sua relação com um homem 30 anos mais novo. (Com AP)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

AVISO
agora
Plantão CGN