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‘Pistol’ deixa telespectador com vontade de por couro, pintar cabelo e questionar

Os seis episódios são magistralmente dirigidos por Danny Boyle. Se você estava em coma nos últimos 20 anos, Boyle foi quem deu vida eterna a Trainspotting,...

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Por Agência Estado

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Um alerta. Ao assistir Pistol, a série exibida no Brasil pelo canal de streaming Star+, fica-se com vontade de ouvir Sex Pistols no último volume. Mas se tem vontade de fazer bem mais coisas: usar jaqueta de couro? Sem dúvida! Pintar o cabelo? Possivelmente. Usar piercing? Definitivamente! Ser anarquista e questionar governos? Bastante provável que sim, que você também fique com vontade de confrontar o sistema.

Os seis episódios são magistralmente dirigidos por Danny Boyle. Se você estava em coma nos últimos 20 anos, Boyle foi quem deu vida eterna a Trainspotting, o livro de Irvine Welsh. O filme trata sobre um grupo de viciados em heroína que vivem em Edimburgo, na Escócia, sob a perspectiva de um deles – Renton, interpretado por Ewan McGregor que a partir do papel se tornaria uma estrela mundial.

Impossível não lembrar de um assistindo o outro. Trainspotting mostra o vício como um dos caminhos para jovens frustrados da década de 1990. Não há emprego, não há sonho para os jovens escocês. Há a heroína, as brigas e os pequenos golpes. E isso basta a eles.

Em Pistol, não há futuro.

Ao contar a história da criação da banda de punk rock Sex Pistols, Boyle e Craig Pearce, que escreveu todos os episódios, mostram uma Inglaterra decadente, com jovens igualmente perdidos e que enxergam na revolta, na música e também nas drogas, um caminho para algo que não é necessariamente um pote de arco-íris.

Atuações vigorosas

Sydney Chandler rouba a cena como Chrissie Hynde. Se você estava em Marte nos últimos trinta anos saiba que Hynde criou uma das bandas mais interessantes do rock do fim dos anos 1970 e começo dos anos 1980 (procure no Google o nome da banda). Chandler não se contenta em ser a namorada de Toby Wallace (Steve Jones), a cada close-up, a cada expressão de tédio, a cada dedilhado na guitarra ela sobressai, sobra na tela. Nos encanta.

Mas quem de fato sobra é Anson Boon, que interpreta um John Lydon atormentado, com os dentes podres e muita poesia e percepção social na cabeçaa. Se tem medo do Lydon interpretado por Boon – e aí está o principal mérito do ator. Fica-se com a impressão de estar diante de um Beetlejuice (ainda mais) endiabrado, incontrolável e visceral. Não é pouca coisa.

Drama e humor

Não se sai incólume da cena em que Sid Vicious, interpretado por Louis Partridge, confessa a Nancy (Emma Appleton) que usou heroína pela primeira vez aos 14 anos e recebe em troca um abraço de conforto, um minuto de silêncio em meio ao barulhento caos. A droga lhe foi servida pela mãe, confessa Sidney.

Não há como não lembrar do bebê em Trainspotting. Mas Boyle também faz o telespectador sorrir, como a cena em que o mauzão da turma, claro que estamos falando de John Lydon, mostra sua música gravada em disco aos pais, figuras típicas de admiradores da rainha. E o pai rindo faz um comentário sarcástico: vocês vão acabar sendo enforcados por traição. Mais inglês, impossível.

Nenhuma outra banda conseguiu alcançar a posteridade do rock com apenas um disco. Never Mind the Bollocks alcançou o primeiro lugar de vendas no Reino Unido e as músicas da banda não eram nem tocadas pela BBC. Já não importava mais. Jovens em toda a Inglaterra já tinham vontade de vestir couro, pintar o cabelo, usar piercing e questionar governos.

Até hoje.

Não é pouca coisa.

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