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Morre a escritora britânica Hilary Mantel

“Estamos com o coração partido com a morte de nossa amada autora, Dame Hilary Mantel, e nossos pensamentos estão com seus amigos e familiares, especialmente seu...

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Por Agência Estado

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Hilary Mantel, autora de Wolf Hall e uma série de outros livros de ficção histórica de enorme sucesso, morreu nesta sexta-feira, 23, aos 70 anos, disse sua editora, a 4th Estate Books, em sua conta no Twitter.

“Estamos com o coração partido com a morte de nossa amada autora, Dame Hilary Mantel, e nossos pensamentos estão com seus amigos e familiares, especialmente seu marido, Gerald”, disse o comunicado. “Esta é uma perda devastadora e só podemos agradecer que ela nos deixou com um corpo de trabalho tão magnífico.” Ela estava internada no hospital Exeter, na Inglaterra.

Sua morte, provocada por um derrame, foi também confirmada por Bill Hamilton, seu agente literário de longa data. “Ela tinha tantos grandes romances pela frente”, disse Hamilton, acrescentando que Mantel estava trabalhando em um no momento de sua morte. “É apenas uma enorme perda para a literatura”, acrescentou.

Nascida em 1952, Mantel escreveu várias obras de ficção de sucesso antes de sua série de Thomas Cromwell desembarcar sua fama mundial. Através da vida de Cromwell, o obscuro braço direito do rei Henrique 8º, Hilary reconstitui neste romance um dos mais conturbados e decisivos momentos da história europeia.

No Brasil, seus livros são agora editados pela Todavia, que já lançou, além de Wolf Hall, Tragam os Corpos e O Espelho e a Luz.

Mantel transformou Cromwell, um obscuro manipulador político, em um herói literário complexo e atraente. Cromwell foi um arquiteto da Reforma que ajudou o rei a realizar seu desejo de se divorciar de Catarina de Aragão e se casar com Ana Bolena.

A recusa do Vaticano em anular o primeiro casamento de Henrique levou o monarca a rejeitar a autoridade do papa e se instalar como chefe da Igreja da Inglaterra. É um período da história que inspirou muitos livros, filmes e séries de televisão, de Um Homem para Todas as Estações a Os Tudors. Mas Mantel conseguiu tornar a conhecida história nova e emocionante.

“Estou muito interessada na ideia de que um romance histórico deve ser escrito apontando para o futuro”, disse ela à Associated Press em 2009. “Lembre-se de que as pessoas que você está seguindo não sabiam o final de sua própria história. Então eles foram avançando dia após dia, empurrados e empurrados pelas circunstâncias, fazendo o melhor que podiam, mas andando no escuro, essencialmente.

Os dois primeiros, Wolf Hall e Tragam os Corpos, foram transformados em um drama de sucesso da BBC2, estrelado por Mark Rylance, Damian Lewis e Claire Foy, e o terceiro, O Espelho e a Luz, também foi aclamado pela crítica. Mantel foi premiada com um Damehood em 2014 e é a única mulher a ganhar o Booker Prize duas vezes (por Wolf Hall e Tragam os Corpos) – O Espelho e a Luz foi listado.

Leia trecho de Wolf Hall

Seus cabelos são escuros, pesados e ondulados; os olhos pequenos, de visão muito aguçada, se iluminam na conversação: é o que o embaixador espanhol nos dirá, muito em breve. Dizem que ele sabe de cor o Novo Testamento em latim e por isso está apto a servir ao cardeal – quando os abades gaguejam, ele tem o texto na ponta da língua. Seu modo de falar é baixo e rápido, as maneiras, seguras; ele se sente em casa num tribunal ou num cais, no palácio de um bispo ou no pátio de uma estalagem. Ele pode redigir um contrato, treinar um falcão, delinear um mapa, interromper uma briga de rua, mobiliar uma casa e comprar um júri. É capaz de citar uma passagem adequada dos antigos autores, de Platão a Plauto, de trás para a frente. Ele conhece a poesia atual e sabe recitá-la em italiano. Trabalha o tempo todo, é o primeiro a se levantar e o último a ir para a cama. Ganha e gasta dinheiro. Faz apostas sobre qualquer coisa.

Conheça 6 livros de Hilary Mantel publicados no Brasil

Sua trilogia de quase 1,8 mil páginas sobre Thomas Cromwell começou a ser publicada no Brasil pela Record e hoje está no catálogo da Todavia. Hilary Mantel tem ainda um livro de contos, um romance e uma ficção histórica disponíveis nas livrarias brasileiras. Confira:

Wolf Hall

Em Wolf Hall, o primeiro volume da série de romances históricos, Hilary Mantel constrói a ascensão de Thomas Cromwell desde suas origens miseráveis e brutais, passando pelos anos a serviço do malfadado cardeal Wolsey, até a conquista de um perigoso lugar ao sol, tornando-se o braço forte do inconstante e às vezes terrível Henrique.

Tragam os Corpos

Este segundo volume da série remonta a 1535. Henrique 8º, o volúvel monarca da Inglaterra, ainda não tem um filho para legar a Coroa. Reis sem herdeiros jamais se sentem seguros em seus próprios tronos, e Henrique acaba por projetar a culpa pela crise sucessória em sua segunda esposa, Ana Bolena. O coração do monarca agora pertence a Jane Seymour. Ocorre que os parentes e amigos de Ana estão espalhados por altos cargos do reino, e os desejos do rei podem mergulhar a Inglaterra no caos político. Quem desataria esse nó? Mais uma vez, os rumos da Inglaterra serão traçados por Thomas Cromwell, ministro que arquitetou a separação entre a Inglaterra e a Igreja de Roma. Também foi ele quem alçou Ana Bolena ao trono inglês – e agora terá de levar sua antiga aliada ao cadafalso.

O Espelho e a Luz

Livro que encerra a trilogia de Hilary Mantel. Em Wolf Hall e Tragam os Corpos, assistimos à ascensão desse plebeu que se tornou o principal ministro de Henrique 8º, ajudando-o a se divorciar de Catarina de Aragão e guiando a Inglaterra em seu rompimento com a Igreja de Roma. Transcorrido entre 1536 e 1540, O espelho e a luz começa no ponto exato em que o segundo volume acabou: no cadafalso ensanguentado onde jaz o corpo de Ana Bolena. Após auxiliar o rei a se livrar de mais uma esposa indesejada, Cromwell alcança o auge de sua glória. Mas há velhas sombras e novos obstáculos em seu caminho.

O maior adversário de Cromwell, contudo, será sua própria consciência. À medida que sua aventura se aproxima do fim, ele terá de arcar com o peso das vidas que destruiu (e dos princípios que escamoteou) em sua missão de reformar a Inglaterra.

O Assassinato de Margaret Thatcher

Coletânea de contos publicada pela Record em 2015 traz as principais marcas da autora: personagens com uma caracterização rica, pontos de vista aguçados, ritmo e estilo de escrita fluidos e inteligentes. São 10 contos ao todo, que contam histórias de expatriação e ruptura familiar, de infidelidade movida por vaidade e de morte súbita com causas sinistras, por exemplo.

Além da Escuridão

Lançado pela Bertrand Brasil em 2010, Além da Escuridão conta a história de Alison Hart, uma médium que percorre cidadezinhas da estrada perimetral de Londres com a pragmática e insensível companheira Colette, transmitindo mensagens de ancestrais mortos. Mas, por trás de sua gorda e sorridente persona, há uma mulher desesperada: o lugar além da escuridão contém terrores que precisa ocultar dos clientes, e sua vida é assombrada pelo espírito dos homens de seu passado.

A Sombra da Guilhotina

Também no catálogo do Grupo Record, A Sombra da Guilhotina, editado em 2009 no Brasil, tem como pano de fundo a Revolução Francesa. Neste romance histórico, ela acompanha o destino de três jovens provincianos cuja amizade foi cunhada sob o Antigo Regime. Camille Desmoulins é um homem carismático e instável, conspirador inveterado e escritor genioso. Georges Jacques Danton é um advogado brilhante que soube atrair e usar o poder, ávido por deixar sua marca no mundo. E Maximilien Robespierre, cuja ambição e idealismo ajudaram a desatar o Terror. São suas paixões e traições que se tornam os pilares da Revolução. Seus sentimentos e ambições destruirão um modo de vida e, como consequência, ajudarão a destruir a si próprios, esmagados sob o poder que criaram.

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