Dólar sobe para R$ 5,2592 e encerra semana com valorização de 2,17%

Redução das expectativas de inflação para um e cinco anos revelada nesta sexta com a divulgação do índice de sentimento do consumidor nos EUA, da Universidade...

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Por Agência Estado

O dólar emendou nesta sexta-feira, 16, a segunda sessão consecutiva de alta, flertou com o rompimento do teto de R$ 5,30 nos momentos de maior estresse e encerrou a semana com valorização superior a 2%. A rodada de depreciação do real veio na esteira de uma busca global pela moeda americana diante da perspectiva de alta mais intensa e prolongada da taxa de juros dos EUA, após o índice de preços consumidor (CPI, na sigla em inglês) em agosto surpreender para cima na terça-feira, 13.

Redução das expectativas de inflação para um e cinco anos revelada nesta sexta com a divulgação do índice de sentimento do consumidor nos EUA, da Universidade de Michigan, trouxe alívio momentâneo na pressão compradora, mas não conseguiu fazer o dólar trocar de sinal.

Já é dado como certo que, na próxima quarta-feira, o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano vai promover, ao menos, nova elevação de 75 pontos-base da taxa básica, hoje no patamar entre 2,25% e 2,50%. Apostas em desaceleração para aumento de 50 pontos-base não apenas foram eliminadas como deram lugar a chances, embora minoritárias, de uma aceleração para 100 pontos-base. Mais: o mercado já espera Fed Funds superior a 4% no fim do atual ciclo de aperto.

“O último dado de inflação (CPI) foi bem ruim, com números bastante pressionados, espalhamento e alta na margem de serviços e de bens. A inflação no curto prazo não permite ao Fed reduzir o ritmo”, afirma a economista-chefe da Armor Capital, Andrea Damico. “Essa constatação de que o problema da inflação é um pouco maior do que se imaginava gera também discussão de final de ciclo. Eu acho que o Fed vai aumentar as projeções nos gráficos de pontos para algo como 4,5%”.

Nesta semana, o juro real para 10 anos nos EUA tocou 1%, no maior patamar desde 2018. Nesta sexta, as taxas dos Treasuries de 2 anos e 10 ano recuaram ao longo da tarde, em uma leve correção da escalada dos últimos dias. O índice DXY, que chegou a superar os 110,000 pontos pela manhã, com máxima aos 110,260 pontos, também perdia parte do ímpeto e rodava a estabilidade, na casa dos 109,700 pontos.

O euro apresentou leve alta em dia no qual foi revelada que a taxa de inflação na zona do euro acelerou de 8,9% em julho para 9,1% na leitura final de agosto, nova máxima histórica. Em relação a divisas emergentes, o comportamento da moeda americana foi misto, com alta frente ao rand sul-africano, queda frente ao peso chileno e oscilações marginais diante do peso mexicano.

Por aqui, o dólar abriu em alta e trabalhou sempre com sinal positivo. Na máxima, pela manhã, rompeu o teto de R$ 5,30 e tocou R$ 5,3105. Com moderação dos ganhos ao longo da tarde, em sintonia com o ambiente externo, a moeda encerrou o dia com valorização de 0,38%, a R$ 5,2592. Depois de cair 0,72% na semana passada, o dólar acumulou alta de 2,17% nesta semana. Assim, a divisa agora exibe ganhos de 1,11% em setembro. No ano, ainda apresenta perdas (de 5,68%).

Dados mais recentes fluxo cambial nesta semana e da bolsa mostram que houve realmente saída de capital externo pela conta de capital neste mês. A B3 informou nesta sexta que os investidores estrangeiros retiraram R$ 500,116 milhões na sessão de quarta-feira (14), o que levou a retirada líquida da Bolsa em setembro a R$ 1,729 bilhão. No ano, o aporte estrangeiro na B3 está positivo em R$ 68,424 bilhões.

“Tem uma preocupação grande com o crescimento global por conta do aumento de juros nos EUA e na Europa, o que tem provocado aversão ao risco. Esse ambiente de cautela deve permanecer com o mercado esperando novos sinais do Fed e também do Copom na super quarta (21)”, afirma a economista Cristiane Quartaroli, do Banco Ourinvest.

Damico, da Armor, observa que, apesar de sofrer nos últimos dias com a aversão ao risco e o fortalecimento global do dólar, o real tem conseguido manter uma “performance relativa razoável” na comparação com seus pares. “Temos o diferencial de juros, de crescimento e o fato de o exportador estar trazendo mais recursos. Isso impacta na performance relativa do real. De todo modo, a gente não consegue ficar totalmente imune ao risk off, tanto que o dólar se aproximou de R$ 5,30”.

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