CGN
Acesse aqui o Discover e busque as mais lidas por mês!

‘Encontros’, ou a banalidade como crítica do cotidiano

Também à maneira de Rohmer, Encontros foi dividido em capítulos, números que aparecem de forma discreta na tela, separando as partes e articulando-as em seu conjunto....

Publicado em

Por Agência Estado

Publicidade

Encontros, de Hong Sang-soo, é um filme de duração breve (pouco mais de uma hora) e título lacônico. Faz jus à fama de discrição desse cineasta coreano, muitas vezes comparado a um dos mestres da nouvelle vague francesa, Éric Rohmer. De fato, um como outro fazem um cinema baseado na conversação. Ambos buscam uma simplicidade superior que, como se sabe, é uma qualidade bastante complicada de alcançar.

Também à maneira de Rohmer, Encontros foi dividido em capítulos, números que aparecem de forma discreta na tela, separando as partes e articulando-as em seu conjunto. Na primeira, o jovem Young-ho (Shin Seok-ho) pede à namorada Ju-won (Park Mi-so) que o espere enquanto visita seu pai, um médico, mas este está ocupado com um cliente, um ator famoso. Na segunda, Ju-won encontra-se em Berlim, onde vai estudar moda, quando é surpreendida pela chegada do namorado. Na terceira, Ju-won, de volta à Coreia, vai à procura da mãe e a encontra em companhia do ator do primeiro segmento.

PREMIADO

São histórias entrelaçadas de maneira orgânica e muito natural, num texto bem construído, que valeu ao filme, em Berlim, o Urso de Prata de melhor roteiro.

Não se trata apenas de roteiro, mas da maneira como tudo é colocado em cena. Filmando em preto e branco, Hong Sang-soo parece buscar o despojamento completo, tanto no desenho visual quanto nas interpretações do elenco. É como se, despido de qualquer artifício, o espectador pudesse testemunhar essas fatias de vida se desenvolvendo “in natura”, sem qualquer intervenção artística. Claro, esse é o efeito de um artifício superior, operante, mas que não se deixa ver enquanto tal.

A invisibilidade da construção cinematográfica aguça a nossa atenção para a aparente banalidade do enredo. Este revela apenas nas entrelinhas uma sutileza crítica do cotidiano e dos impasses amorosos e de relacionamento. É um cinema que desafia a épica e não transmite qualquer pedagogia explícita sobre o modo moderno de se relacionar e estar em sociedade. No entanto, quem souber ver e ouvir vai sentir aqui e ali as pequenas epifanias desses encontros e desencontros, sem nada que, em aparência, os torne notáveis.

São esses pontos de brilho, raros porém decisivos na produção, que podem iluminar por instantes o mistério escondido atrás da enganosa banalidade da vida cotidiana. Encontros é um filme de revelações sutis.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

AVISO
agora
Plantão CGN