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‘A Viagem de Pedro’ se moderniza ao dar espaço aos negros e às mulheres

De comum acordo, a diretora e o astro-produtor – Cauã é um astro aos olhos do público e um verdadeiro ator para qualquer crítico que se...

Publicado em

Por Agência Estado

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Garoto, Cauã Reymond foi d. Pedro heroico numa encenação infantil sobre o 7 de Setembro. Agora adulto, ele volta ao personagem, mas para desconstruí-lo. O projeto sobre d. Pedro I começou a nascer há nove anos, em parceria com Mário Canivello, que coassina a produção. Já naquela época Cauã pensava em uma diretora para fazer a desconstrução. Há cinco anos, logo depois de dirigir Como Nossos Pais, Laís Bodanzky entrou na jogada. O roteiro teve algumas versões que foram abandonadas – Laís o assina. O recorte escolhido já escancara a intenção.

LACUNA

De comum acordo, a diretora e o astro-produtor – Cauã é um astro aos olhos do público e um verdadeiro ator para qualquer crítico que se disponha a avalizar suas interpretações – escolheram o que nos créditos do filme A Viagem de Pedro, que estreia nesta quinta, 1º, é definido como uma lacuna histórica. Não existem muitos registros da viagem da volta de Pedro a Portugal.

Escorraçado do Brasil, ele retornou à pátria para guerrear com o irmão, Miguel. Em Portugal, tornou-se d. Pedro IV. Tratou de assegurar o trono para a filha. O olhar feminino. Na embarcação, Laís colocou o Brasil que Pedro estava abandonando. Colocou negros, serviçais, escravos. “Por mais ficcional que seja a estrutura, o que dizem tem embasamento histórico. São depoimentos que encontramos em documentos. Esses negros haviam chegado ao Brasil a bordo de embarcações. No Rio, havia a Pequena África como estação de desembarque e venda de pretos, os escravizados. De volta ao navio, não retornavam à África, mas a outra estação do seu cativeiro”, diz Laís.

Ela tem feito muitos debates sobre o filme. “Os melhores têm sido com pretos na mesa e na plateia. Eles recebem o filme de forma diferente, com uma sensibilidade mais à flor da pele para os problemas abordados.” E Cauã: “Esse Pedro é um dos personagens mais complexos que já criei. É contraditório, epilético. Passou à história como amante e estrategista, mas está impotente e lhe falta a mulher, Leopoldina, ela, sim, a estrategista da Independência, com José Bonifácio”. Para complicar, durante o processo, ele perdeu a mãe. Ficou mais fragilizado ainda. Na embarcação, Pedro pode ser generoso com seus serviçais – dá um presente valioso a uma preta. “A liberalidade, nele, é vaidade. Quando se sente acuado é um déspota, autoritário.” O olhar sobre ele, além de feminino, é moderno, atando o filme à atualidade. “O filme fala de racismo estrutural, de masculinidade tóxica, e são temas que precisamos discutir, cada vez mais. A cultura tem sido criminalizada, marginalizada no Brasil. Sou pela cultura e pela democracia”, reflete Cauã.

CONEXÃO

Na obra de Laís, Pedro liga-se a Neto, personagem de outro longa seu, Bicho de Sete Cabeças, de 2001. “Existe conexão. Os filmes viajam na cabeça dos dois, mas agora compartilho mais com o espectador a doença, a loucura, de Pedro”, explica a diretora. “No Bicho, o sistema manicomial, a família é que eram doentes.” Não há como fugir à questão. É um filme árduo, claustrofóbico, quase todo dentro do navio. Desmistifica seu personagem – o episódio da estátua é sob medida para mostrar que o Pedro desse filme é o reverso daquele da historiografia oficial. Foi filmado numa fragata que é peça de museu da Marinha brasileira. Saindo da Bahia, e margeando a costa, chegou a Niterói e a Santos. Mas nem tudo foi filmado ali dentro. Uma réplica foi construída em estúdio. O cinéfilo deve se lembrar de E la Nave Va, quando Federico Fellini, no final, revelava o dispositivo que fazia o transatlântico oscilar. Uma mola no mar de celofane.

Como funcionava a traquitana de A Viagem de Pedro? “O cenário era suspenso por fios e sacudido manualmente, pelos lados”, conta a diretora. Nas férias da filha, Cauã foi com ela à Nicarágua para surfar. Na TV, na Globo, acaba de lançar a segunda temporada de Ilha de Ferro. “Gostei muito de trabalhar com Afonso Poyart. Gosto da forma como ele usa a tecnologia, como filma a ação. Ficamos amigos.” Dois projetos em alto-mar. Cauã não ficou mareado? “Surfar não tem nada a ver com isso. Equilibrar-se na prancha ou numa embarcação são coisas diferentes. Mas não mareei, não. É coisa de constituição física, de DNA. De toda a equipe, só um câmera e eu não mareamos.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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