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Por que a nossa luta é pelo piso salarial profissional nacional do magistério?

Em 27 de janeiro deste ano, o MEC anunciou o novo reajuste do Piso, com um aumento de 33,23% – estabelecendo o valor mínimo de R$...

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Por Redação CGN

Um dos principais pontos da pauta de negociação salarial do SIPROVEL neste ano é a garantia do pagamento do reajuste do Piso Salarial Profissional Nacional do Magistério. No entanto, a Prefeitura sequer fez uma proposta sobre o tema e tem falado que apenas 6 professores não recebem o piso no município, dando por encerrada a questão. Neste texto temos por objetivo explicar o porquê que o discurso dos “6 professores” não se sustenta à luz da legislação nacional e municipal e como é financeiramente plausível a garantia deste direito.

Em 27 de janeiro deste ano, o MEC anunciou o novo reajuste do Piso, com um aumento de 33,23% – estabelecendo o valor mínimo de R$ 3.845,63 para 40 horas (para 20 horas basta dividir este valor por dois). Para não deixar dúvidas, vejamos o que isto significa a partir das duas legislações, a federal e a municipal. A federal diz que “O piso salarial profissional nacional é o valor abaixo do qual a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios não poderão fixar o vencimento inicial das Carreiras do magistério público da educação básica, para a jornada de, no máximo, 40 (quarenta) horas semanais.” (LEI Nº 11.738/2008). Já a municipal é ainda mais explícita: “Fica garantido que os valores das referências iniciais do nível I das Tabelas “C” e “G” corresponderão, no mínimo, ao valor do piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério público da educação básica, conforme Lei Federal nº 11.738/2008.” (Lei Nº 6445/2014)”.

Em síntese, ambas as legislações afirmam que a primeira referência do plano de carreira, isto é, a primeira linha com a primeira coluna (a referência C-1 1-0 para professores e G-1 1-0 para professores de Educação Infantil), não pode ser inferior a R$ 1.922,82 (metade do Piso, já que aqui estamos falando de profissionais 20h) para professores e R$ 3.845,63 para professores da Educação Infantil (que são 40h).

Quando se diz que hoje apenas seis profissionais não recebem o piso se ignora o que está escrito de forma muito explícita em ambas as leis. Saímos do campo jurídico e vamos para a pura retórica, infelizmente sem base na realidade e com uma divagação que impede um debate sério. Neste caso, ou estamos dentro da lei ou fora da lei.

Tendo compreendido que a reinvindicação está dentro da lei, vejamos agora o porquê que dizemos que é totalmente factível o cumprimento desta mesma lei – agora em termos fiscais.

O município vem em uma situação bastante confortável nos últimos anos, atravessou toda a crise da pandemia sem subtrações em suas receitas. Isto foi uma característica dos estados e municípios do Brasil nestes últimos tempos, pois objetivamente as fontes de arrecadação destes entes não foram afetadas significativamente. Com a inflação elevada desde 2021 temos na verdade um cenário totalmente oposto a isso, receitas públicas turbinadas. Afinal de contas, estados e municípios têm forte arrecadação a partir do consumo (o Brasil mantém a tributação concentrada mais no consumo do que na renda), então se os preços dos bens e serviços sobem, a arrecadação também sobe.

Em Cascavel isto significou aumento de 25% da receita total se compararmos o primeiro semestre de 2022 com o mesmo período do ano passado. Se compararmos com o mesmo período de 2020, teremos um aumento de 44%. Os valores absolutos podem ser vistos no Gráfico abaixo:

Receitas totais do município de Cascavel para o primeiro semestre de cada ano (em milhões de R$) – Fonte: Portal da Transparência de Cascavel

Claro que há mudanças no âmbito nacional que estão afetando as receitas do município. Aqui nos referimos especificamente ao teto do ICMS para combustíveis, energia elétrica, telecomunicações e transporte. Como o município tem a cota-parte do ICMS como uma importante fonte de arrecadação, esta lei irá impactar as contas da cidade. Segundo cálculos da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Cascavel deve perder R$ 47 milhões por ano com isto. Para este ano, considerando que o teto entrou em vigor no estado do Paraná no dia 1° de julho, podemos cortar este impacto pela metade ao tratarmos de 2022. Sendo assim, o teto do ICMS irá subtrair R$ 23,5 milhões de receitas neste ano. Isto significaria uma diminuição de apenas 0,9% do que a prefeitura previa arrecadar (R$ 1,36 bilhão), segundo a última previsão divulgada (Execução do 1º Quadrimestre – 2022). Nada muito significativo para quem tem um crescimento de receitas tão forte.

Além disto, temos também o aumento do FUNDEB – principal financiador da Educação do município e consequentemente do salário dos professores. Novamente olhando para o primeiro semestre, podemos observar (Gráfico 2) que as receitas do fundo vêm crescendo de forma acelerada. Nos primeiros seis meses de 2022, o FUNDEB teve uma arrecadação de mais 34% se comparado ao mesmo período do ano anterior. Se compararmos a 2020, é um crescimento de 66%. Só para estes seis primeiros meses entrou de FUNDEB R$ 27,3 milhões a mais do que de janeiro a junho do ano passado. Só isso já financiaria o pagamento do Piso para o 2º semestre, pois para o ano inteiro a CNM estima uma despesa de R$ 49 milhões para garantir o Piso em Cascavel.

Receitas do FUNDEB para Cascavel para o primeiro semestre de cada ano (em milhões de R$) – Fonte: Banco do Brasil

É por tudo isto que acreditamos que seja necessário e possível o pagamento do Piso. A garantia de que o início da carreira não seja remunerado abaixo do Piso é apenas o cumprimento da lei (federal e municipal), mas acreditamos que em um contexto de crise na educação, também é uma oportunidade. A oportunidade de retomar a valorização dos profissionais da Educação de Cascavel, que enfrentam cada vez mais não só a defasagem do seu próprio salário, mas também da desistência da profissão – com muitos profissionais sequer assumindo o concurso por não terem incentivos para isto. É preciso garantir o Piso, é preciso valorizar os professores!

O texto e da assessoria do Siprovel

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