CGN
Acesse aqui o Discover e busque as mais lidas por mês!

Ilusões Perdidas lança olhar contemporâneo para drama sobre ambição e decadência

Parecia um filme fora de época. Jeanne Balibar faz agora a ligação com outra adaptação de Balzac, Ilusões Perdidas, em cartaz no cinema, depois de passar...

Publicado em

Por Agência Estado

Publicidade

Em 2007, Jacques Rivette fez o talvez mais belo de seus filmes – sua obra-prima definitiva e o grande filme francês daquela década -, mas Não Toque no Machado, adaptado de Honoré de Balzac (A Duquesa de Langeais) e interpretado por Guillaume Dépardieu e Jeanne Balibar, teve uma repercussão limitada.

Parecia um filme fora de época. Jeanne Balibar faz agora a ligação com outra adaptação de Balzac, Ilusões Perdidas, em cartaz no cinema, depois de passar feito um furacão pelo César, o Oscar francês, vencendo seis estatuetas, incluindo as de melhor filme, roteiro, ator revelação (Benjamin Voisin) e coadjuvante (Vincent Lacoste). Rivette deveria ter recebido essa consagração há 15 anos, mas isso não significa que o reconhecimento a Illusions Perdues não seja merecido. É um grandíssimo filme de Xavier Giannoli.

Balzac, com suas cenas da província e da vida parisiense que compõem A Comédia Humana, fez de Lucien de Rubempré, protagonista desse romance em particular, um de seus personagens emblemáticos. O jovem talentoso, mas não bem-nascido, que deixa o interior em busca das luzes de Paris, adquire uma inesperada notoriedade e termina envolvido nas cruéis manipulações pecuniárias e políticas da aristocracia. Giannoli fez sua adaptação de época com um olhar contemporâneo, buscando a ressonância das ilusões perdidas de seu Lucien/Voisin em relação ao mundo atual.

Giannoli era jovem, como Lucien, quando descobriu o livro. Estudava Letras e até onde se lembra, ao optar pelo cinema, guardava essa vontade de (re)contar a história do garoto ingênuo que se deixa deslumbrar pela corte. A perda das ilusões é um processo muito íntimo, doloroso, mas dois outros temas estão emaranhados no filme, como no livro.

As fake news não são uma invenção recente e o quarto poder – a imprensa – pode ser abusivo e corrupto mesmo quando afirma estar agindo em nome da verdade. Jacques Fieschi, que coassina o roteiro, tem sido parceiro de Giannoli e de Nicole Garcia na escrita de seus filmes. Fieschi e Giannoli mantêm a estrutura básica mas a expandem rumo à modernidade, ou atualidade.

Apaixonado por Louise de Bargeton/Cécile de France, a quem dedica poemas na província, Lucien a segue em Paris, quando o marido descobre o envolvimento de ambos. Seu duplo sonho é acrescentar um perfume de nobreza (Rubempré) ao nome e ser reconhecido como autor. Vira crítico, e ferino, mas não percebe como é manipulado pelo mentor, o ardiloso Lousteau/Lacoste, e principalmente pela pérfida marquesa DEspard, que comanda os jogos de salão.

MAGNÍFICA

Jeanne Balibar é magnífica no papel, num registro diverso da duquesa de Langeais. Cheio de reviravoltas, o volumoso romance é condensado num filme de duas horas e meia. Daria uma série, ou minissérie, mas Giannoli conseguiu o prodígio de manter a estrutura romanesca num relato mais enxuto. É para quem gosta de filmes caudalosos.

Só para lembrar, Giannoli é o diretor de Marguerite, com Catherine Frot, que depois foi refilmado por Stephen Frears com Meryl Streep – Florence: Quem É Essa Mulher? -, mas a versão dele é melhor.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

AVISO
agora
Plantão CGN