São Paulo ganha uma feira do livro a céu aberto no Pacaembu

A Feira do Livro é fruto das andanças por tradicionais feiras literárias de cidades europeias, como a de Lisboa, frequentadas por Werneck, que se perguntou: “Por...

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Por Agência Estado

São Paulo ganha uma nova feira literária nesta quarta-feira, 8, A Feira do Livro, evento que reúne mais de cem editoras para celebrar a cultura do livro, no estacionamento do estádio Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu. Organizada pela Fundação 451, a feira foi criada pelo editor da revista literária Quatrocincoum, Paulo Werneck, em parceria com o arquiteto Alvaro Razuk, que é diretor artístico do evento. Além da venda de livros, escritores participam de palestras gratuitas no auditório, resultado das parcerias do editor com organizações como o Museu do Futebol, o Instituto Serrapilheira e a Biblioteca Municipal Mário de Andrade, entre outros.

A Feira do Livro é fruto das andanças por tradicionais feiras literárias de cidades europeias, como a de Lisboa, frequentadas por Werneck, que se perguntou: “Por que não fazer um evento desse tipo em São Paulo, a céu aberto, em que as editoras são protagonistas?”. A ideia cresceu em paralelo à consolidação de sua revista, lançada em 2017, inspirada nas publicações de revisão de livros, como a The New York Review of Books. O organizador conta que viu um filão disponível no mercado editorial para esse tipo de evento, inédito, na cidade. E, depois de cinco anos, enfim pode colocar em prática a ideia.

A feira tem cerca de 120 editoras e livrarias confirmadas, além de presenças como Ailton Krenak, Djamila Ribeiro, Xico Sá e Mia Couto (que abre a programação), entre outros escritores. Não é uma Flip, com ciclos de palestras nas tendas e toda uma programação paralela que engloba outras manifestações culturais, tampouco uma feira de venda de livros com descontos, como propõem as das universidades USP e Unesp. A Feira do Livro mira a troca de experiências entre livreiros, editores e o público. Gratuita, a programação vai englobar desde literatura até ciência, com sessões de autógrafos com os autores.

Para os pequenos, a ONG Vaga Lume vai realizar oficinas de mediação de leitura, conversa com autores de livros infantis e apresentar obras do seu acervo, como Curumizice, de Tiago Hakiy, do povo sateré-mawé.

RETOMADA

A três semanas da Bienal do Livro de São Paulo, A Feira do Livro nasce como promessa da volta das feiras literárias ao regime presencial. Na semana passada, a Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, anunciou sua vigésima edição para os dias entre 23 e 27 de novembro.

“Diferente da Flip, a nossa programação quer mostrar a importância do livro para a população de São Paulo e também ajudar o livreiro depois do período mais difícil da pandemia”, diz Werneck, que foi o curador de três edições da festa no litoral carioca, entre os anos de 2013 e 2015.

Para o editor e fundador da Lote 42 e da Banca Tatuí, João Varella, A Feira do Livro é uma oportunidade, mas também um desafio para os livreiros que, como no seu caso, precisaram puxar o freio de mão durante a pandemia. “É um trabalho para se fazer com o público, explicar os valores do livro, todo o processo de concepção, edição, até a finalização”, conta Varella, que é presença assídua em eventos literários, entre eles a feira Miolos, da qual é um dos fundadores.

PARCERIA

O evento é uma aposta de livreiros e editores que vão montar suas barraquinhas no espírito de uma feira livre, como a que acontece no mesmo estacionamento às quartas-feiras e domingos. “É também um investimento, porque acreditamos no potencial da leitura e dos leitores em apoiar a cultura livreira”, ressalta Varella. Para Eduardo Lacerda, publisher da Patuá, só foi possível participar da feira com o apoio da extensa rede de apoiadores que cerca sua editora.

“Nós começamos uma campanha de financiamento coletivo para levar nossos títulos à feira”, contou Lacerda que, na segunda-feira, bateu 60% da meta do valor necessário. Para ele, que faz parte da Libre, a Liga Brasileira de Editores, com foco em casas independentes, como a Patuá, o engajamento do público é o pilar fundamental para a participação em eventos deste tipo.

“Nossa filosofia parte desse contato com todos os públicos, ninguém nasce um autor premiado. Na editora, damos força para autores que estão começando e também grandes nomes, como Martinho da Vila”, afirma Lacerda. Esse é o espírito que predomina entre os que vão à Feira do Livro, o apoio à literatura, o exercício de montar toda uma rede de contatos para propagar e defender a cultura do livro. Dos grandes conglomerados editoriais aos editores independentes, a celebração chega com grandes esperanças e, claro, frio na barriga.

DESTAQUES

Quarta, 8/6
Abertura com a pesquisadora Lilia Schwarcz e o escritor moçambicano Mia Couto às 19h, no auditório Armando Nogueira.

Quinta, 9/6
Às 19h, uma mesa sobre os cem anos de Otto Lara Resende, no Auditório Armando Nogueira, com a presença do editor Matinas Suzuki Jr.

Sexta, 10/6
No Palco da Praça, Marcelo DSalete e André Kitagawa conversam sobre quadrinhos na mesa Gibis na Praça, às 10h. Às 19h, Rosane Borges e Carol Trevisan participam do Prêmio Marielle Franco, no auditório Armando Nogueira.

Sábado, 11/6
Às 17h, o biólogo Bill François conversa com Rodrigo Leão de Moura no auditório Armando Nogueira.

Domingo, 12/6
Às 15h, a escritora espanhola María Dueñas palestra no auditório Armando Nogueira e, para fechar a programação, Letrux e Renato Nogueira ocupam o Palco da Praça.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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