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Aniversário de uma grande orquestra

O ano é de Beethoven, pelos seus 250 anos. Mas a escolha de Mahler se impôs. Foi com essa sinfonia que, há cinco anos, o grupo...

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Por Agência Estado

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“Alçarei voo, para a luz que nenhum olho penetrou! Morrerei para poder viver. Ressuscitará, sim, meu coração ressuscitará em um instante! Tudo o que sofreste, te levará a Deus!” Com as últimas palavras da Sinfonia nº 2, Ressurreição, de Mahler, a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais abriu na noite de quinta, 13, sua temporada 2020, em Belo Horizonte.

O ano é de Beethoven, pelos seus 250 anos. Mas a escolha de Mahler se impôs. Foi com essa sinfonia que, há cinco anos, o grupo inaugurou sua sede, a Sala Minas Gerais. E, no concerto de comemoração, pareceu adequado voltar à peça – por diferentes motivos. “Ressurreição é um termo presente demais na vida cultural brasileira”, diz o diretor-presidente do Instituto Cultural Filarmônica Diomar Silveira, após o fim do concerto, em conversa ainda nos bastidores da sala. “O caso da filarmônica é representativo de como a questão política é determinante para os projetos culturais.”

O grupo nasceu em 2007, nos moldes da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. A ideia era dar a Belo Horizonte uma nova orquestra, um grupo que pudesse se inserir no cenário musical não apenas brasileiro, mas latino-americano e mundial. Para tanto, foi convidado o maestro Fabio Mechetti e logo a filarmônica começou a se impor como referência, atraindo solistas e maestros de todo o mundo – e inaugurando sua sala. No ano passado, ao lançar disco dedicado a obras de Alberto Nepomuceno, recebeu da revista inglesa Gramophone elogios rasgados.

A partir de 2015, no entanto, o grupo, mantido pelo governo de Minas, passou por solavancos. A verba foi diminuída de R$ 20 milhões para R$ 16 milhões, e acabou contingenciada em vários momentos. Na imprensa, o então secretário de Cultura Ângelo Oswaldo questionou o que considerava altos custos de operação da orquestra. A certa altura, afirmou: “Não podemos dar pão para o funcionalismo público e brioches para a filarmônica”.

Para Silveira, a questão foi acima de tudo política. “O problema é que a orquestra nasceu no governo do PSDB e, em 2015, com a chegada do governador Fernando Pimentel, ficou muito associada à gestão anterior e essa questão política acabou tendo um peso grande.” Depois de um ano de “namoro” com o governo Zema, acredita Silveira, a orquestra recebeu a sinalização pela primeira vez de um contrato de gestão não mais de um ano, mas de três anos e meio, com um orçamento anual de R$ 17,5 milhões. “Esse valor é 53% do que precisamos, então temos de buscar os outros 47%. É um desafio, mas temos equipe comprometida com o projeto.”

Durante o concerto de quinta, que teve a participação do Coro da Osesp e das solistas Luisa Francesconi e Camila Titinger, em uma sala no 4º andar do prédio acontecia um ensaio importante. A orquestra inaugura este ano o projeto Filarmônica Digital, que prevê a transmissão ao vivo de concertos do grupo – e, durante a abertura da temporada, foram feitos testes de enquadramento, luz, som, com o maestro Leandro Oliveira.

Em 2020, serão transmitidos cinco concertos, a partir de abril – e o objetivo é ampliar cada vez mais esse número.

Mechetti vê com bons olhos a iniciativa, inclusive no potencial que ela carrega de apresentar a orquestra pelo interior do Estado. “É um recurso também para os projetos educacionais da filarmônica, poderemos exibir nossos concertos da juventude para escolas, por exemplo, ampliando o número de pessoas atingidas.”

Para ele, a chegada da sala foi um marco importante. Permitiu, por exemplo, o aumento no número de assinantes. “Há ainda ajustes na acústica da sala a serem feitos, o que não conseguimos realizar nos últimos anos por conta da questão orçamentária. Mas a sala tornou-se referência na cidade e a orquestra também. E, do ponto de vista musical, já dá para sentir uma diferença no equilíbrio sonoro.”

Para Mechetti, a orquestra precisa buscar o aprimoramento constante. E Mahler tem sido compositor central nesse processo. O grupo já gravou as sinfonias nº 1, 3, 5 e 6 e agora fará o mesmo com a nº 2. “Mahler ajuda a melhorar a orquestra. Gravar suas sinfonias é um desafio para os músicos.” Ainda não há previsão de lançamento, mas até lá a orquestra deve lançar, até abril, um novo CD para a série Música do Brasil, iniciativa do Ministério das Relações Exteriores em parceria com o selo Naxos. Nele, foram gravadas peças para piano e orquestra de Almeida Prado com a pianista Sonia Rubinsky. “E ainda em 2020, vamos gravar as sinfonias nº 1 e nº 2 de Lorenzo Fernandes.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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