Com proximidade entre W Series e F-1, brasileira sonha alto em categoria feminina

A brasileira entrou na competição feminina em outubro ao ser aprovada em rigoroso processo seletivo com outras dezenas de pilotas. Ao contrário de outras categorias, a...

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Por Agência Estado

A Fórmula 1 deixou de ser um sonho exclusivo dos pilotos, no Brasil. Agora uma pilota também busca alcançar a categoria mais importante do automobilismo mundial. A catarinense Bruna Tomaselli, de 22 anos, passou a mirar alto em sua carreira a partir da sua entrada na W Series. Neste ano, a primeira competição da modalidade exclusivamente voltada para as mulheres vai acompanhar a F-1 em duas etapas do calendário.

A brasileira entrou na competição feminina em outubro ao ser aprovada em rigoroso processo seletivo com outras dezenas de pilotas. Ao contrário de outras categorias, a W Series não cobra pagamento e nem patrocinadores dos atletas. Escolhe o seu grid com base em testes físicos e na pista. Bruna participou do processo seletivo pela segunda vez, após não ter sucesso nos testes para a primeira temporada.

“Meu objetivo principal era entrar na W Series. Agora vou focar totalmente nela neste ano”, disse a pilota ao Estado, ao revelar que não disputará a USF2000, categoria de acesso à Fórmula Indy, como vinha fazendo nos últimos anos. “Na USF eu teria que pagar para competir e estou sem patrocínio. Na W Series, eu não preciso ter recursos. Eles dão a possibilidade para todas competirem de igual para igual.”

Na segunda temporada, com início em maio, a W Series contará com oito etapas, duas a mais que o campeonato de abertura. E duas destas corridas serão disputadas em finais de semana de GP da Fórmula 1, no México e nos Estados Unidos, ambas em outubro. Será a reta final da temporada da W Series, na companhia de pilotos badalados, como Lewis Hamilton e Max Verstappen, e grandes equipes, como Mercedes e Ferrari.

“Fiquei bem surpresa e animada porque eu nunca vi uma corrida de F-1 de perto. Vai ser uma experiência totalmente nova. Será muito bom para as pilotas e para a categoria. Além disso, vamos sair um pouco da Europa para competir em outro continente”, disse a brasileira. “Nossa visibilidade vai crescer. É um passo muito importante para todas nós, sem contar o que vamos poder aprender e vivenciar nos GPs.”

Bruna espera repetir a trajetória da britânica Jamie Chadwick. A pilota de apenas 21 anos foi a campeã da primeira temporada da W Series e já vem abrindo espaço na F-1. Neste ano, será piloto de desenvolvimento da tradicional Williams. “Como meu sonho é chegar à F-1, ela virou referência para mim”, afirma a catarinense, que tem o monegasco Charles Leclerc e Verstappen como seus preferidos. “Porque os dois são novos e estão desde o começo competindo de igual para igual com os grandes.”

Enquanto sonha com a F-1, a brasileira quer aproveitar a oportunidade de pilotar os carros da W Series, padronizados com chassis da fabricante italiana Tatuus. Têm potência pouco abaixo da Fórmula 3 Europeia, alcançando até 250 km/h. “Com mais alguns treinos, vai ser bem bom para poder me sentir 100% confortável no carro e poder mandar ver na temporada.”

Bruna diz se sentir à vontade na categoria feminina após os testes que fez nos últimos dois anos. “O clima é bem amigável. Mesmo sendo apenas testes, todo mundo tentava se ajudar. Não havia rivalidade. Sabíamos que era na pista que faríamos alguma diferença, no trabalho individual.”

O campeonato terá início somente no dias 29 e 30 de maio, em São Petersburgo, na Rússia. Mas a catarinense já se diz ansiosa. “É uma competição de nível mundial, vai ser muito gratificante poder competir entre as primeiras pilotas e tudo o que a categoria oferece, é muito bom. E ainda vou conhecer pistas de países bem diferentes.”

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