CGN
Acesse aqui o Discover e busque as mais lidas por mês!

Macron sai como vencedor de debate com Le Pen e reforça vantagem nas pesquisas

O jornal britânico The Guardian descreveu o embate como uma revanche do confronto na TV de 2017, durante o qual a candidata foi extremamente agressiva. Desta...

Publicado em

Por Agência Estado

Publicidade

Apesar de a performance da candidata de extrema direita à presidência francesa, Marine Le Pen, ter sido melhor que a de 2017, não foi o suficiente para superar a do presidente Emmanuel Macron, visto como o vencedor do debate na noite da quarta-feira, 20. Os dois, que se enfrentam no segundo turno das eleições presidenciais da França no domingo, 24, retomaram a campanha nesta quinta-feira, 21.

O jornal britânico The Guardian descreveu o embate como uma revanche do confronto na TV de 2017, durante o qual a candidata foi extremamente agressiva. Desta vez, Le Pen permaneceu calma, embora ainda se debatesse ocasionalmente. O jornal francês Le Monde comparou Macron a uma jiboia – espremendo lentamente sua rival até a morte.

Uma pesquisa do instituto demográfico Elabe para o canal de TV BFM e para o jornal L’Express mostrou que o chefe de Estado foi mais convincente para seis em cada dez espectadores do debate. O resultado reforça a vantagem que as pesquisas de intenção de voto dão a ele às vésperas da votação de segundo turno.

Há cinco anos, Macron desafiava Le Pen no primeiro confronto eleitoral se vendendo como um candidato fora do sistema. Dessa vez, o papel de inquilino do Palácio Eliseu o deixou mais vulnerável, mas ele se mostrou com maior controle das questões colocadas na mesa.

Por isso, para o fundador e diretor da agência de comunicação política Plebiscito, Laurent Rossini, Macron foi o vencedor “indiscutível” da noite. Rossini explicou à agência EFE que o debate atraiu 15,6 milhões de pessoas, a menor audiência já registrada para um evento desse tipo.

Le Pen teve de superar o estigma de sua performance anterior, com suas lacunas em questões econômicas, sua agressividade verbal e seu sarcasmo com o qual tentou desestabilizar Macron, que buscava o poder após ter renunciado ao cargo de ministro da Economia. Dessa vez, ele cobrou o preço dos ataques ainda que, segundo Rossini, tenha buscado “parecer presidencial” o tempo todo, com prudência nas palavras e na expressão corporal.

Segundo a pesquisa do Elabe, os espectadores do único debate entre os dois candidatos finais consideraram Macron um pouco arrogante, mas também mais convincente e apto para ser presidente.

Le Pen, que se concentrou em expressar empatia com as pessoas que ela disse que “sofreram” desde que Macron a derrotou em 2017, foi considerada mais em sintonia com as preocupações dos eleitores, mas suas opiniões de extrema direita ainda são tidas como muito mais preocupantes, mostrou a pesquisa.

“Ela deu a impressão de que está pronta para governar?” disse Le Parisien em um editorial nesta quinta-feira. “A julgar pelo debate, ela não dissipou essa dúvida.”

De volta às ruas

Faltando apenas três dias para o segundo turno, os dois voltaram à campanha. Macron visitou eleitores no subúrbio multicultura de Saint Denis, em Paris, com forte voto de esquerda. Le Pen foi para o norte do país, onde ela tem seguidores leais, com um último discurso em Arras.

Macron é apontado como vencedor da reeleição com 56% dos votos, de acordo com uma pesquisa da OpinionWay/Kea Partners realizada entre 20 e 21 de abril, capturando assim alguns entrevistados após o debate de quase três horas na TV na noite de quarta-feira.

Mas a incerteza sobre o resultado final permanece alta, pois a pesquisa também mostrou que apenas 72% esperavam votar – um número que marcaria a menor participação desde 1969.

Líderes europeus defendem Macron

Nesta quinta-feira, líderes de centro-esquerda da Alemanha, Espanha e Portugal pediram aos eleitores franceses que escolham Macron. E, em outro sinal da ampla influência internacional que o resultado da votação presidencial francesa terá, o líder da oposição russa preso Alexei Navalny também pediu apoio a Macron, alegando que Le Pen está intimamente ligada às autoridades russas.

Le Pen enfrentou críticas por um empréstimo de mais de € 9 milhões que seu partido recebeu em 2014 do First Czech-Russian Bank e sua visita a Moscou em 2017 para se encontrar com o presidente russo, Vladimir Putin.

Em uma coluna publicada nesta quinta-feira em vários jornais europeus, o chanceler alemão Olaf Scholz, o primeiro-ministro espanhol Pedro Sanchez e o primeiro-ministro português Antonio Costa escreveram que a votação de domingo é “crítica para a França e para cada um de nós na Europa”.

“É a eleição entre um candidato democrático que acredita que a força da França se amplia em uma União Europeia poderosa e autônoma e uma candidata de extrema direita que abertamente fica do lado daqueles que atacam nossa liberdade e democracia, valores baseados nas ideias francesas do Iluminismo”, diz o texto conjunto sem mencionar Macron ou Le Pen pelo nome.

O social-democrata Scholz e os socialistas Sanchez e Costa escreveram que a Europa “está enfrentando uma mudança de era” devido à invasão russa da Ucrânia e “os populistas e a extrema direita” estão vendo Putin “como um modelo ideológico e político, replicando suas ideias chauvinistas”.

“Eles ecoaram seus ataques às minorias e à diversidade e seu objetivo de uniformidade nacionalista”, disseram eles, segundo o artigo do principal jornal espanhol El Pais. “Não devemos esquecer isso, não importa o quanto esses políticos estão tentando se distanciar do agressor russo.”

A coluna terminava apelando à unidade para “manter a prosperidade e o bem-estar” na Europa: “É por isso que precisamos que a França esteja do nosso lado”, escreveram.

Mais sobre o debate

No debate de quarta-feira, Macron argumentou que o empréstimo que o partido de Le Pen recebeu em 2014 a tornou inadequada para lidar com Moscou em meio à invasão da Ucrânia.

Ele também disse que seus planos de proibir as mulheres muçulmanas na França de usarem véus em público desencadeariam uma “guerra civil” no país que tem a maior população muçulmana da Europa Ocidental.

Le Pen, por sua vez, procurou apelar aos eleitores que lutam contra a alta dos preços em meio às consequências da guerra da Rússia na Ucrânia, que ela criticou.

Ela disse que reduzir o custo de vida seria sua prioridade se for eleita a primeira mulher presidente da França. COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

AVISO
agora
Plantão CGN