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Campos Neto: passado recente teve choques sucessivos que afetaram a inflação

“Tivemos sequência sempre do lado altista para a inflação e podemos ter choques no sentido contrário”, ponderou Campos Neto, durante coletiva do Relatório Trimestral de Inflação...

Publicado em

Por Agência Estado

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O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse nesta quinta-feira, 24, que o País vem registrando no passado recente choques sucessivos que afetaram a inflação de formas diferentes. Ele enfatizou, no entanto, que o Comitê de Política Monetária (Copom) toma decisões baseadas no horizonte relevante para a meta de inflação.

“Tivemos sequência sempre do lado altista para a inflação e podemos ter choques no sentido contrário”, ponderou Campos Neto, durante coletiva do Relatório Trimestral de Inflação (RTI).

Ele foi questionado sobre a possibilidade de essa pressão se deslocar ainda mais sobre os preços e respondeu que sim, mas que o Copom trabalha com um intervalo de confiança, apesar de tomar suas decisões sempre considerando o cenário central.

Política monetária com mais peso em 2023

O presidente do Banco Central disse ainda que o Copom entende que o horizonte relevante para a política monetária hoje tem mais peso em 2023. “Falar de meta de 2022 hoje faz pouco sentido”, avaliou.

Ele assegurou que o BC tem instrumentos para cumprir a meta e evitou fazer comentários mais profundos sobre uma possível alteração da meta. Com a grande possibilidade de não cumprir a meta novamente este ano, muitos analistas de mercado já dizem que o objetivo brasileiro estaria muito apertado. “Não cabe ao BC fazer suposições sobre meta, é decisão do CMN (Conselho Monetário Nacional), e o BC tem um voto”, afirmou.

De qualquer forma, Campos Neto adiantou que uma alteração da meta agora faria com que o BC tivesse “pouco a ganhar em termos de credibilidade”.

Petróleo

O presidente do Banco Central disse que a mudança no Relatório Trimestral de Inflação de hoje, que apresentou cenários alternativos para a inflação considerando uma trajetória de baixa dos preços internacionais do petróleo, se deveu à intenção da instituição de ser mais transparente sobre seus atos. “A gente sempre faz cenários, mas desta vez decidimos abrir esses cenários e mostrar como isso pode impactar nossa decisão”, explicou durante entrevista coletiva.

Ele afirmou, porém, que o Copom não tem intenção de abrir a probabilidade de que esses cenários ocorram. “Se abríssemos a probabilidade de cenário para petróleo, teríamos que abrir vários outros componentes”, justificou.

Campos Neto enfatizou que alguns países contam com mecanismos que absorvem a volatilidade de curto prazo dos preços do petróleo no mercado internacional. Ele salientou, porém, que essa alta externa foi tão grande que os mecanismos foram superados.

Petrobras

Ele voltou a dizer que não comenta sobre o tema de políticas de preços da Petrobras e afirmou que ele nunca faz avaliações sobre se o sistema de repasse brasileiro é mais eficiente ou não.

No passado, o presidente do BC comentou que o repasse no Brasil ocorria de forma mais célere do que e outros países. Nesta quinta, ele acrescentou que essa comparação foi feita em relação a nações da América Latina.

A diretora de Assuntos Internacionais, Fernanda Guardado, também disse que alguns países têm fundos de estabilização e cortes de imposto sobre combustíveis, o que pode impactar os preços. Comentou, porém, que vários países, inclusive os Estados Unidos, têm um mecanismo de repasse de preço de petróleo tão rápido quanto o visto no Brasil

Greve de servidores

O presidente do Banco Central reconheceu ainda o direito dos servidores da instituição em reivindicarem melhorias de salários, mas não sinalizou qualquer avanço nas negociações com a categoria. Ele ainda deixou claro que a autoridade monetária tem “esquemas de contingência” para continuar funcionando caso o movimento evolua para uma greve geral dos funcionários.

A operação-padrão dos servidores do BC tem atrasado divulgações como Focus, questionário pré-Copom, fluxo cambial, além da apuração da ptax diária. Os funcionários do BC querem um reajuste salarial de 26,3%, além da reestruturação da carreira de analistas.

“Respeito o direito dos funcionários de exercer qualquer tipo de manifestação. Entendo que os funcionários do BC têm um enorme senso de responsabilidade com a qualidade e as entregas dos serviços para a sociedade”, afirmou Campos Neto. “Temos esquemas de contingência, caso algo mais severo aconteça”, limitou-se a comentar.

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