CGN
Acesse aqui o Discover e busque as mais lidas por mês!

Única ministra do tribunal militar critica ‘cultura sexista e patriarcal’ no Judiciário

“É esperado da mulher magistrada sororidade. Há por parte de todas aquelas que romperam paradigmas concreta responsabilidade em auxiliar as demais para alcançarem os seus objetivos...

Publicado em

Por Agência Estado

Publicidade

Primeira e única mulher nomeada para o Superior Tribunal Militar (STM), depois de mais de um século de cadeiras ocupadas exclusivamente por homens, a ministra Maria Elizabeth Rocha defendeu nesta segunda-feira, 21, que as mulheres na cúpula do Judiciário devem se posicionar para abrir caminhos à participação feminina.

“É esperado da mulher magistrada sororidade. Há por parte de todas aquelas que romperam paradigmas concreta responsabilidade em auxiliar as demais para alcançarem os seus objetivos e as suas aspirações. As mulheres com acesso ao poder, e isso é uma mensagem que eu deixo a todas, não podem e não devem furtar-se de fazer valer o significado de sua condição no interior de uma cultura sexista e patriarcal”, afirmou em palestra promovida pelo Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB).

A ministra assumiu o cargo em 2007 e, desde então, outras 12 vagas foram abertas no tribunal – todas preenchidas por homens.

“Já faz 15 anos que eu integro aquela Corte. No caso específico do STM, para além das barreiras que já foram mencionadas e que são impostas à indicação de mulheres à magistratura superior, ela também reflete a situação existente no interior das Forças Armadas”, avalia a ministra.

Em sua palestra, Maria Elizabeth disse ser favorável ao desenvolvimento de políticas públicas para reduzir o que chamou de obstáculos impostos às mulheres no acesso aos postos de comando no sistema de Justiça.

“A meritocracia não mais predomina no momento em que a ascensão feminina é dificultada ou mesmo obstaculizada”, argumentou. “A constatada desigualdade das mulheres, em especial nos cargos de desembargadoras e ministras, sugere a necessidade de promoção de políticas afirmativas.”

Em 2018, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) elaborou uma resolução para incentivar a participação feminina no Judiciário. A medida foi assinada pela ministra Cármen Lúcia, que na época comandava o colegiado, e resultou na criação de um grupo de trabalho para reunir dados sobre a desigualdade de gênero, capacitar mulheres e dialogar com os Tribunais de Justiça dos Estados. Segundo o primeiro diagnóstico divulgado, no estágio inicial da carreira (juiz substituto) há uma proporção de 41,9% de mulheres, que diminui para 25,7% nos tribunais de segunda instância e 19,06% nos tribunais superiores.

“Nós avançamos, mas ainda tempos um longo caminho a percorrer quando falamos de igualdade de gênero no sistema de Justiça”, pregou a presidente do IAB, Rita Cortez, na abertura do evento.

A procuradora de Justiça Carla Araújo, do Ministério Público do Rio de Janeiro, também participou da palestra e pregou um olhar voltado para as mulheres atendidas pelo sistema de Justiça.

“Quando a gente fala em machismo no sistema de Justiça, o primeiro passo é olhar para as magistradas, promotoras e procuradoras, advogadas e defensoras públicas, mas também para as jurisdicionadas”, lembrou ao mencionar casos de violência doméstica.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

AVISO
agora
Plantão CGN