
Na certidão, o nome dele é Luiz Antônio Vieira. No dia a dia, pode chamar de Simpatia
– Não há segredo, talvez seja da minha personalidade e também das coisas que a vida me ensinou; com o tempo entendi o que realmente importa.......
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– Como o senhor consegue manter, todos os dias, a alegria e o bom humor? Qual é o segredo?
– Não há segredo, talvez seja da minha personalidade e também das coisas que a vida me ensinou; com o tempo entendi o que realmente importa.
A resposta é de Luiz Antônio Vieira, policial militar de 56 anos, responsável pela máquina de raio X e pelo detector de metais na entrada da sede do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, em Florianópolis.
– E o que realmente importa, seu Luiz?
– O amor, a honestidade, o caráter e, acima de tudo, Deus.
Ele trata cada pessoa que entra no TJ com gentileza e atenção, como se a estivesse esperando.
– E estou mesmo. Se nos segundos de contato que disponho com os recém-chegados, consigo arrancar um sorriso, ganho o dia.
E é incrível como ele consegue. Se o mau humor é contagiante, o bom humor também o é – e a prova é o seu Luiz. Basta observar alguns minutos e ver como as pessoas retribuem a alegria e os sorrisos.
Quem o vê pode achar que ele teve uma vida tranquila. Sua história, no entanto, é marcada por desafios. Nascido na Capital, morador da Costeira, começou a trabalhar com 10 anos de idade. Na beira da rodovia, vendia siri, picolé e banana recheada feita pela mãe. Perdeu o pai aos 13 anos.
– Minha mãe me ensinou o valor da honestidade, da bondade e da honradez.
E foi também exemplo de persistência. Ela ia para Brusque, comprava roupa e revendia em Florianópolis de porta em porta. Com este dinheiro, comprou a casa própria, onde seu Luiz passou boa parte da infância e juventude.
– Aprendi com ela que não há saída sem estudo e sem o conhecimento.
Seu Luiz cursou o 1º grau numa escola pública na Costeira e o 2º grau no Instituto Estadual de Educação. Fez curso de datilografia e de escritório no Senac, mas o sonho de criança era ser policial. Aos 15 anos, conquistou o primeiro emprego: office-boy numa empresa de construção. Em três meses, foi promovido a auxiliar administrativo, cargo que ocupou por três anos. Com oferta de um salário maior, foi para outra empresa.
Neste novo trabalho, em 1984, sua vida mudou. Conheceu a futura esposa em junho, começou a namorá-la em agosto, noivou em novembro e casou no ano seguinte. Então, em 1989, com 24 anos, decidiu realizar o sonho profissional e passou no concurso da Polícia Militar. Lá dentro, numa turma de 44 pessoas, foi o primeiro colocado no curso de soldado.
De repente, a realidade: troca de tiros com bandidos, operações contra o tráfico, blitz, policiamento em partidas de futebol. “Gostava do trabalho nas ruas, tanto quanto das atividades mais seguras”, diz.
Com a esposa, dois filhos e uma neta, deu preferência às tarefas burocráticas na PM. Por ter começado cedo na labuta, foi para a reserva em 2011 e ficou oito anos em casa. Mas resolveu voltar, o que é previsto na legislação militar – ele integra o Corpo Temporário de Inativos da Segurança Pública. Ao ser convidado para trabalhar no Tribunal, ficou feliz e ao mesmo tempo receoso. “Pedi a Deus que me permitisse fazer um bom atendimento”.
Entrou no momento da instalação do scanner – antes as pessoas acessavam o TJ sem passar por nenhum detector de metal ou raio X. E muita gente estranhou, considerou incômodo e desnecessário. Nos primeiros dias alguém lhe disse com rispidez:
– Na próxima vez, vou trazer uma bomba pra ver se esta máquina funciona.
– Traz de chocolate, por favor, que é a minha preferida.
Arrancou o sorriso da pessoa que nunca mais reclamou do Raio-X. Bastante religioso, acredita que “nada acontece sem a vontade de Deus”. Para seu Luiz, “a vida é uma escola e, como toda escola, o aluno pode ser aprovado e reprovado”.
– E o senhor vai ser aprovado ou reprovado?
– Isso quem decide é Deus – responde.
Se depender de quem o conhece, seu Luiz está aprovadíssimo.
Fonte: TJSC
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