AMP
Pedro França/Agência Senado

CMO adia votação de crédito extra de R$ 2,5 bilhões para despesa de pessoal e Plano Safra

— Em função da mensagem modificativa que foi incorporada ao PLN 1, nós não passaremos ao debate. Porque é preciso que haja uma reunião de líderes,......

Publicado em

Por Agência Senado

Pedro França/Agência Senado

A Comissão Mista de Orçamento (CMO) adiou para a próxima terça-feira (22), às 14h30, a votação do projeto de lei (PLN 1/2022) que abre crédito suplementar de R$ 2,5 bilhões para recompor despesas primárias obrigatórias de pessoal, encargos sociais e programas, como o Plano Safra, reduzidas pelos parlamentares durante a tramitação do Projeto de Lei Orçamentária de 2022 (PLN 19/2021). O relatório chegou a ser lido pelo senador Carlos Fávaro (PSD-MT), mas em razão de uma mensagem modificativa, encaminhada pelo Executivo nesta quinta-feira, a presidente do colegiado, senadora Rose de Freitas (MDB-ES), decidiu suspender a reunião.

— Em função da mensagem modificativa que foi incorporada ao PLN 1, nós não passaremos ao debate. Porque é preciso que haja uma reunião de líderes, coordenadores e parlamentares para que a gente possa coordenar os esforços para promover o debate e a votação — afirmou.

O senador Carlos Fávaro apresentou relatório favorável a aprovação da matéria. Os recursos previstos no Projeto de Lei do Congresso Nacional (PLN) 1/2022 vêm da reincorporação das fontes de programações orçamentárias vetadas na sanção da Lei Orçamentária de 2022.

O valor total do veto foi de R$ 3,184 bilhão. O presidente da República vetou as emendas de comissão, classificadas como RP8, que somam R$ 1,361 bilhão, e mais R$ 1,824 bilhão em despesas primárias discricionárias.

Mudança

Inicialmente o PLN 1/2022 foi encaminhado pelo Executivo no valor R$ 1,7 bilhão, no entanto, a mensagem modificativa, enviada nesta quinta-feira, corrigiu o valor para R$ 2,5 bilhões. A diferença de R$ 868,4 milhões, de acordo com o Ministério da Economia, foi necessária para atender programas do Ministério da Agricultura como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF) e operações de custeio agropecuário, de comercialização de produtos agropecuários e de investimento rural e agroindustrial voltadas ao atendimento do Plano Safra 2021/2022.

O Ministério da Economia explica na mensagem que essa recomposição é em decorrência das atualizações observadas nas projeções dos parâmetros macroeconômicos, com impacto nas despesas equalizadas com a atual taxa de juros (o que envolve IPCA, TLP, TJLP, SELIC, RDP), “em relação àqueles que embasaram as dotações que atualmente constam da Lei Orçamentária Anual de 2022”.

Quando o Orçamento de 2022 foi aprovado, a taxa Selic (juros básicos da economia) estava em 9,5%. Atualmente, esse índice está em 11,75%, maior nível desde 2017.

De acordo com o senador Fávaro, parte dos recursos decorrentes do veto, no valor de R$ 853 milhões, “foi substituída por superávit financeiro apurado no balanço patrimonial do exercício de 2021”. Ele assegurou ainda que a aprovação do PLN não afetará o cálculo da meta fiscal.

— As alterações na lei orçamentária promovidas pela abertura do crédito não afetam a obtenção da meta de resultado primário fixada para o corrente exercício, uma vez que as fontes de financiamento integram as receitas previstas no autógrafo do Orçamento 2022, já consideradas no cálculo da meta — assegurou.

Órgãos

Dos R$ 2,5 bilhões, R$ 1,394 bilhão será gasto com servidores ativos, e R$ 309 milhões com inativos. O Ministério da Defesa foi o principal beneficiado com a recomposição dos créditos do PLN 1/2022, recebendo R$ 986,3 milhões. Destes recursos, R$ 469,1 milhões vão para o Comando da Aeronáutica. O valor é superior ao do Ministério da Educação, que deve receber R$ 348,7 milhões, para atender 57 universidades federais e 37 institutos federais de educação.

Entre outros órgãos, também foram beneficiados com a proposta os Ministérios da Economia (R$ 96,5 milhões), da Justiça e Segurança Pública (R$ 59,1 milhões) e da Ciência e Tecnologia (R$ 9,7 milhões).

Nos vetos, o ministério que mais perdeu recursos foi o do Trabalho e Previdência, com corte de R$ 1 bilhão. Em seguida vem o Ministério da Educação, com um cancelamento de R$ 736 milhões. Outras pastas com grande volume de recursos vetados foram a do Desenvolvimento Regional (menos R$ 458,7 bilhões), a da Cidadania (R$ 284,3 milhões) e a da Infraestrutura (R$ 177,8 milhões).

Novos créditos

O projeto inicial autorizava o Poder Executivo a abrir novos créditos suplementares com recursos provenientes das programações orçamentárias previstas na proposta, nas condições e nos limites estabelecidos na Lei Orçamentária de 2022. No entanto, o relator acatou emenda apresentada pelo deputado José Guimarães (PT-CE), para retirar esse dispositivo com esse objetivo.

— Pois retira do texto matéria estranha ao projeto de crédito suplementar. A supressão se justifica, pois não há respaldo constitucional para projetos de créditos adicionais autorizarem suplementação e alteração de classificações sem a autorização do Poder Legislativo. A Carta Magna determina, no art. 165, § 8º, que lei orçamentária não pode conter “dispositivo estranho à previsão da receita e à fixação da despesa, não se incluindo na proibição a autorização para abertura de créditos suplementares e contratação de operações de crédito, ainda que por antecipação de receita, nos termos da lei.” Essa interpretação também encontra amparo no princípio da exclusividade, amplamente consagrado pela doutrina — justificou Fávaro.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

Sair da versão mobile
agora
Plantão CGN
X