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Mesmo com dólar no pico histórico, juros fecham perto dos ajustes

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 encerrou a etapa regular em 4,375%, de 4,360% ontem no ajuste, e a do...

Publicado em

Por Agência Estado

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Os juros futuros, a exemplo de ontem, terminaram a última sessão de janeiro perto da estabilidade, com viés de alta, num desempenho bem comportado considerando que o dólar hoje atingiu seu pico histórico ante o real em termos nominais, ao fechar em R$ 4,2850. Os investidores mantiveram o sangue-frio ao ver a escalada da disseminação do coronavírus agora para mais de 20 países e com 203 mortes confirmadas, o que já compromete as projeções para o crescimento da economia da China, dos Estados Unidos e, logo, do mundo. Dado o viés desinflacionário do surto, o mercado de renda fixa não embarcou na forte aversão ao risco vista nos demais ativos, amparado na percepção de que os bancos centrais terão de atuar reduzindo juros e até com outras medidas para suavizar o impacto da epidemia na atividade.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 encerrou a etapa regular em 4,375%, de 4,360% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2023 fechou em 5,52%, de 5,502%. A taxa do DI para janeiro de 2025 passou de 6,201% para 6,21% e a do DI para janeiro de 2027 terminou em 6,60%, de 6,591%. Na sessão estendida, as taxas aceleraram levemente, fechando, respectivamente, em 4,38%, 5,53%, 6,24% e 6,61%.

Para o economista-chefe da Guide Investimentos, João Mauricio Rosal, a questão agora é saber o quanto de desaceleração global a epidemia do coronavírus vai trazer e a resposta dos bancos centrais a esse impacto. “A atividade vai enfraquecer, os preços de commodities já estão caindo. Ou seja, tudo parece ser desinflacionário e vai esquentar o debate sobre o que Copom vai fazer depois de fevereiro”, disse. “Diante das evidências de maior desaceleração global, o BC pode ter de considerar continuar com o ciclo de cortes”, completou.

Os primeiros cálculos dos efeitos sobre o PIB das economias centrais já começam a aparecer. O banco JPMorgan cortou sua estimativa para a economia mundial no primeiro trimestre em 0,3 ponto porcentual, para 2,3%, e o Goldman Sachs estima que a epidemia retire 0,4 ponto do PIB dos Estados Unidos no primeiro trimestre. Já a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, afirmou que o surto de coronavírus deve provocar “certa desaceleração” no curto prazo no nível de atividade da China, mas ainda não é possível saber quais serão os efeitos negativos no longo prazo ao país.

A poucos dias do Copom, a curva segue indicando apostas majoritárias no corte de 25 pontos-base da Selic, mas nas últimas sessões tal expectativa, cuja probabilidade no começo da semana estava em 80%, refluiu um pouco e as chances estão em torno de 75%, segundo o Haitong Banco de Investimento. Para março, a precificação indica 25% chance de um novo corte desta magnitude.

Se o dólar esfriou levemente a expectativa de queda para a Selic, enrijecendo a ponta curta da curva, as taxas de médio e longo prazos chegam ao fim da semana com alívio de prêmios, entre 5 e 10 pontos-base em relação à última sexta-feira.

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