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‘A Família Addams’ usa o bom humor para criticar a ‘normalidade’

Baseado nos excêntricos personagens criados em 1938 pelo cartunista americano Charles Addams (1912-1988), o espetáculo ganha uma nova roupagem dez anos depois – e novamente com...

Publicado em

Por Agência Estado

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O pai e a mãe adoram dias chuvosos, quando passeiam pelo cemitério, enquanto a avó se delicia comendo ratos e a filha brinca de dar choque elétrico no irmão mais novo. Seria uma família normal? “Sim, totalmente, pois eles são felizes sem fazer mal a ninguém e ainda mantêm uma relação saudável baseada na confiança”, acredita o italiano Federico Bellone, responsável pela direção geral do musical A Família Addams, que estreia na quinta, 10, no Teatro Renault.

Baseado nos excêntricos personagens criados em 1938 pelo cartunista americano Charles Addams (1912-1988), o espetáculo ganha uma nova roupagem dez anos depois – e novamente com Marisa Orth e Daniel Boaventura nos papéis principais, o apaixonado casal Mortícia e Gomez Addams. “Mas não se trata de uma simples remontagem”, avisa a atriz. “Uma década depois, o musical revela-se mais atuante ao criticar a forma como as pessoas são tachadas e também a inferiorização das mulheres – mas, claro, com muito humor.”

De fato, a montagem produzida por Almali Zraik à frente da T4F se apoia na comédia ao mostrar o momento em que os Addams se preparam para conhecer o namorado da filha Wandinha (Pamela Rossini) – o detalhe é que Lucas Beineke (Dante Paccola) tem um pai muito certinho e controlador (Mal, vivido por Fred Silveira) e uma mãe reprimida em seus sentimentos (Alice, interpretada por Kiara Sasso).

SINISTROS

Assim, se inicialmente o trio se assusta com um casarão sinistro, onde eles são recebidos pelo mordomo Tropeço (Tiago Kaltenbacher), que não fala, apenas murmura (ainda que interprete um belo número final), e conhecem a Vovó (Liane Maya), o solteirão Tio Fester (Bernardo Berro) e o caçula Feioso (papel alternado por Rodrigo Spinosa e Raphael Souza), enfim, quando os Beineke se deparam com os Addams, as diferenças ficam evidentes.

“Qual família é a mais feliz: a que esconde seus sentimentos ou a que coloca tudo para fora?”, questiona Fred Silveira, um dos mais experientes atores do musical brasileiro. “No final, o público percebe que os Addams são os mais saudáveis porque abraçam suas sombras e não têm vergonha de mostrar.”

E tal despojamento acaba modificando profundamente Alice, a esposa que sofre com o descaso do marido, comprometido apenas com o trabalho. Assim, ao tomar a poção da verdade, ela expõe seus desejos mais íntimos. “É o suficiente para ela deixar de ser uma mulher reprimida e se soltar de forma empoderada”, observa Kiara, uma das principais atrizes do musical nacional. “No fim, os Beineke é que são, de fato, os esquisitos.”

FAMÍLIA

A questão do que é certo, aliás, pontua várias falas do espetáculo. Uma das mais explicativas é dita por Mortícia à filha, que teme a reação da família do namorado: “O que é normal para uma aranha é uma calamidade para a mosca presa na teia. O que então é normal?”. Com personagens tão carismáticos, que consideram dias chuvosos ideais para um passeio, o musical dá um passo adiante na evolução da família.

“E isso só podia dar certo com um humor na medida certa”, comenta o diretor Federico Bellone, que já montou vários musicais em Londres. Ao ser convidado pela produtora Almali para montar A Família Addams em São Paulo, ele quis saber sobre o gosto do público. “Ela me respondeu que são espetáculos como os da Broadway, recheados com muita graça.”

A partir daí, Bellone trouxe uma bem-sucedida versão, cuja agilidade nos diálogos deixou a peça mais vibrante que a original de 2009 da Broadway. “É uma sucessão de piadas”, observa Daniel Boaventura, em pleno domínio de seu personagem. “Gomez é um homem passional, que tende ao exagero, e é esse o meu ponto de partida: criar humor de um personagem que parece uma caricatura”, explica. “Mesmo assim, acredito que essa minha atuação é mais alucinada do que aquela que fiz em 2012.”

Pela mesma trilha segue Dante Paccola, impagável como o amalucado Lucas. Ou mesmo Marisa Orth, que aprimorou sua Mortícia. “Sou mais calma agora, pois acredito dominar melhor a técnica do musical”, diz ela, elogiando o texto, hoje mais inteligente, contundente, malandro até. “Afinal, como não rir de uma Vovó tão amalucada que Gomez e Mortícia não sabem de qual dos dois ela é mãe?”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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