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Editorial: Rua Paraná não é a “casa da mãe Joana”

Baderna na rua Paraná precisa acabar e os responsáveis devem ser punidos...

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Por Redação CGN

Para você, o que é diversão? Parece uma pergunta simples com respostas óbvias: Se reunir com os amigos, curtir um som, dançar, beber, cantar, estar com a família; situações comuns que permitem que após uma semana de trabalho, as pessoas possam relaxar no final de semana.

No entanto, qual o limite para a diversão? A resposta também deveria ser simples: o bom senso; mas infelizmente muitas pessoas não possuem essa qualidade para agir com o mínimo de noção e respeitar os limites de outrem.

Falando em limites, o final de semana em Cascavel foi o exemplo de como muitas pessoas ainda precisam aprender o significado do termo. O final de semana completamente tumultuado, apenas comprovou a necessidade da criação de leis e punições mais rígidas para garantir a ordem e evitar o caos.

Desde sexta-feira (25), a população acompanhou pela CGN, o caos instaurado no Centro de Cascavel, mais especificamente na Rua Paraná, local que estão concentrados diversos bares e baladas da cidade. Mesmo sem festas de carnaval previstas no município, milhares de jovens se reuniram no endereço causando um grande tumulto.

Infelizmente, diversas brigas foram registradas; pessoas foram esfaqueadas; motoristas imprudentes e etilizados causaram acidentes e colocaram a vida de outras pessoas em risco dirigindo perigosamente; jovens dançavam em cima de carros exibindo armas de fogo no meio da multidão sem qualquer receio; o lixão a céu aberto deixado na rua foi o “menor problema” do fim de semana.

Onde estão os limites? Onde está a noção? Cadê o respeito e a responsabilidade? Isso é o que se chama de diversão atualmente?

O final de semana deixou claro que muitas pessoas, vários dos que frequentaram o local, não estão nem aí para isso, estão pouco se importando se irão incomodar outras pessoas, a intenção é se “divertir” a qualquer custo.

E a responsabilização?

Sobre a responsabilização devemos partir de duas frentes, a responsabilização do indivíduo, mas também a do empresário que possibilita / facilita que essas cenas se repitam.

Se de um lado temos empresários que seguem as leis, infelizmente de outro lado temos os que não estão preocupados com a situação e visam apenas o lucro.

Prova disso foi a grande quantidade de menores de idade, a grande maioria no meio da rua, ingerindo álcool e outras drogas sem nenhum controle. Mas, se os bares e baladas não podem vender bebidas alcóolicas para menores de idade, como a situação chegou a tal ponto?

Enquanto algumas casas noturnas, pubs e bares, que possuem espaço interno para acomodar os frequentadores, garantem a fiscalização na entrada do estabelecimento; conveniências, postos de combustível e lojas de bebidas, as quais não comportam público para consumo no local, vendem indiscriminadamente as bebidas que são consumidas em via pública.

Já que os menores de idade são impedidos de entrar nos estabelecimentos que seguem as leis e são responsáveis, ficar na rua bebendo e fazendo algazarra se torna uma opção.

Preocupado com a situação e atendendo as frequentes reclamações dos moradores daquela região, o Prefeito Leonaldo Paranhos, ao saber dos episódios lamentáveis que ocorreram, tomou as rédeas da situação e determinou o aumento da fiscalização para inibir a “bagunça esperada” para o feriado.

Além de vários órgãos de segurança nas ruas, o prefeito disse em entrevista que tomará todas as providências necessárias para responsabilizar os empresários que não estão colaborando para que a diversão aconteça de forma segura e saudável.

Compartilhando da mesma opinião da CGN, Paranhos entende que os empresários podem e devem cumprir as normas estabelecidas em lei. Ele também determinou que sejam realizadas fiscalizações aos estabelecimentos e que alvarás sejam cassados caso as regras não estejam sendo cumpridas.

Na nossa opinião, é necessário que haja maior controle por parte dos donos desses locais. Se é para ter divertimento, que seja para o lado de dentro, em local fechado, com o devido isolamento acústico e não em espaço público. Querem manter o público? Então se adéquem. Se está fora dos padrões exigidos por lei ou se possibilita que aconteçam as atitudes contestáveis como as do final de semana, que sejam cassados!

Entendemos que a responsabilização desses empresários é uma das maneiras mais eficazes para evitar o “cenário de guerra” citado por Paranhos. Claro que a responsabilização individual também deve acontecer e isso se dará por meio das equipes de segurança atuando em abordagens para tomar as providências cabíveis quanto a ação do indivíduo.

Também compreendemos ser necessária a atuação mais direta dos Conselhos Tutelares do município, na realização de abordagens em todos os locais, ambientes fechados com público interno e em via pública, conferindo a maioridade da pessoa e retirando dos locais com o acompanhamento de um responsável.

Enquanto você lê esse editorial, pode estar se questionando: ‘mas a CGN quer responsabilizar o empresário que trabalha para sobreviver?’ Não, apenas aquele que descumpre o que precisa ser cumprido para garantir a ordem.

Se não tomarmos medidas eficazes agora, se o prefeito não fizer o que tem feito para reduzir o problema, quem deverá ser responsabilizado quando acontecer uma morte durante esses ‘eventos’ completamente fora de controle?

Esperamos que isso não aconteça, e que antes de chegarmos a tal, a população possa refletir sobre a sequência de atos e a cadeia de envolvidos que possibilitaria esse resultado.

Os vizinhos agradecem

Outra consequência das algazarras na Rua Paraná é o incômodo dos vizinhos e a noite de sono prejudicada por conta de tanto barulho.

Os abusadores ignoram o direito ao fazer barulho a qualquer hora, barulho que vai além de simples aborrecimento, chegando a ser desconfortável e insuportável. O direito ao descanso é tão importante que é garantido por uma lei federal: a lei da paz pública.

As reclamações sobre as festas na Rua Paraná são frequentes e os “pancadões”, bailes de rua, geralmente ilegais, são um tormento para toda a vizinhança. Essas festas incomodam não apenas pelo volume do som, mas também pelo grande número de pessoas que atraem.

A CGN recebeu diversas mensagens durante o final de semana com as reclamações dos moradores que não aguentam mais tanta incomodação. Vale lembrar que muitos idosos moram em apartamentos na região Central, além de diversos trabalhadores que tem o descanso comprometido por conta do tumulto.

Bom senso

Uma platitude, mas vamos lá: meu direito acaba onde começa o direito do outro. Se eu fumo, ponho minha saúde em risco, mas tenho esse direito. Mas se fumo em ambiente onde outros não fumam, ponho em risco a saúde deles, e não tenho esse direito.

A vida em sociedade só é possível porque é sujeita a leis, e elas dizem em todos os códigos conhecidos que os interesses coletivos se sobrepõem aos individuais.

Para Aristóteles, o bom senso é “elemento central da conduta ética, uma capacidade virtuosa de achar o meio-termo e distinguir a ação correta, o que é em termos simples, nada mais do que bom senso”.

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