CGN
Acesse aqui o Discover e busque as mais lidas por mês!
Imagem referente a Entidades apontam Estatuto do Aprendiz como instrumento de política pública para jovens
Nilson Bastian /Câmara dos Deputados

Entidades apontam Estatuto do Aprendiz como instrumento de política pública para jovens

Várias organizações da sociedade civil apontaram a proposta de Estatuto do Aprendiz (PL 6461/19) como efetivo instrumento de política pública para a juventude. O texto trata......

Publicado em

Por Agência Câmara

Publicidade
Imagem referente a Entidades apontam Estatuto do Aprendiz como instrumento de política pública para jovens
Nilson Bastian /Câmara dos Deputados

Várias organizações da sociedade civil apontaram a proposta de Estatuto do Aprendiz (PL 6461/19) como efetivo instrumento de política pública para a juventude. O texto trata de trabalho, formação profissional, direitos e garantias de jovens de 14 a 24 anos de idade, além dos direitos e obrigações dos estabelecimentos que adotam cotas para a contratação de aprendizes. A primeira audiência pública da comissão especial que analisa a proposta buscou, nesta terça-feira (15), traçar um retrato do atual cenário e dos principais desafios desse tema.

Superintendente-geral do Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee), Humberto Casagrande foi enfático ao falar de evasão escolar, violência, drogas e desalento entre jovens “nem-nem” — que não trabalham nem estudam. Mas também revelou esperança diante da perspectiva de aperfeiçoamento da Lei da Aprendizagem, em vigor desde o ano 2000.

“A situação é dramática. O índice de desemprego entre jovens de 14 a 17 anos é de 46%, e entre os de 18 a 24 anos, é de 31%. Segundo pesquisa que fizemos, um jovem entra no Programa do Aprendiz como ‘nem-nem’ e 76% deles saem estudando ou trabalhando ou fazendo as duas coisas. Ou seja, o resultado dessa política pública afirmativa é muito bom, com pouco mais de 20 anos dessa lei”, diz.

CLT e outras leis
Além da Lei da Aprendizagem, o futuro Estatuto do Aprendiz também pretende condensar regras presentes na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e em outras normas. As organizações da sociedade civil apresentaram várias sugestões aos parlamentares, sobretudo quanto a prioridades para adolescentes e jovens com deficiência ou em estado de vulnerabilidade social e a maior participação de pequenas e médias empresas no uso das cotas de contratação de aprendizes.

O coordenador de Desenvolvimento e Participação de Adolescentes do Unicef, o fundo da ONU para infância, Mário Volpi, detalhou o programa “Um milhão de Oportunidades para Mudar uma Geração”, lançado no ano passado, e que já beneficiou milhares de jovens com vagas de estágio, emprego e formação profissional. A iniciativa do Unicef envolve 70 empresas, 48 organizações civis e seis governos estaduais.

Volpi espera que a alteração da legislação dê status de política pública a ações como essas. “Ela tem um potencial enorme de virar uma estratégia de desenvolvimento para o país, porque ela carrega em si a solução de um grande nó que temos na vida dos adolescentes e jovens, que é a transição positiva para o mundo do trabalho”, disse.

Aprendizagem
A diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Cláudia Costin, também aposta no estatuto como instrumento para a superação da crise de aprendizagem e do atual quadro de exclusão e desigualdade educacionais. Mas, para isso, Cláudia avalia que é fundamental articular a futura legislação com o “Novo Ensino Médio”, incluindo a aprendizagem no cotidiano das escolas em tempo integral.

“Ter ONGs, Sistema S e vários outros atores, mas também a educação regular incluída nisso, pois vai trazer a possibilidade de democratizar a educação profissional e tecnológica, fazendo uma inclusão produtiva qualificada dos jovens preparados para esse novo mundo do trabalho”, afirmou.

O presidente da Federação Brasileira de Associações Socioeducacionais de Adolescentes (Febraeda), Antônio Pasin, defende a aprendizagem como política pública intersetorial, envolvendo educação, trabalho e assistência social, sobretudo diante dos problemas socioeconômicos do Brasil agravados pela pandemia.

“A aprendizagem não é cessão de mão-de-obra, não é uma modalidade de terceirização. Ela já extrapolou a seara do trabalho. Ela é sim uma forma de geração de emprego, renda, inserção qualificada e protegida no mundo do trabalho, mas também é um importante instrumento de combate e erradicação do trabalho infantil. Na educação, combate a evasão escolar e aumenta o tempo de permanência no ensino formal”, disse.

Desburocratizar as contratações
Relator da comissão especial da Câmara, o deputado Marco Bertaiolli (PSD-SP), reafirmou a intenção de usar o Estatuto do Aprendiz para desburocratizar a legislação, sem recuos nos direitos já previstos na atual Lei da Aprendizagem.

“A nossa intenção é que preservemos os direitos e todos os valores da nossa legislação, mas passando a ter uma legislação moderna, simplificada e que não precise de normas infralegais colocadas em cada estado brasileiro. E que, para o empreendedor, seja fácil contratar um jovem aprendiz. É isso que queremos: abrir um milhão de vagas no país”, disse.

Segundo dados apresentados pelo Ciee, o país tem hoje cerca de 430 mil aprendizes e 80% deles completam o orçamento familiar. A remuneração total movimenta, em média, R$ 6 bilhões por ano. O Espro, organização focada em Ensino Social Profissionalizante, também apresentou pesquisa sobre o impacto da pandemia na vida dos jovens. Os dados revelam que 43% das famílias dos jovens tiveram redução de renda e salário. A perda de emprego é a terceira maior preocupação entre eles (87%), atrás apenas do temor de contágio (94%) e do impacto econômico (91%).

Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Ana Chalub

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

AVISO
agora
Plantão CGN