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Juros: Taxas sobem com exterior, percepção sobre Selic e leilão do Tesouro

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 subiu de 12,262% para 12,35% (regular), ao maior nível desde 1º de novembro, quando...

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Por Agência Estado

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Os juros voltaram a subir nesta quinta-feira, 10, pressionado pelo exterior, após a divulgação, nos Estados Unidos, da inflação de janeiro no maior nível em 40 anos e acima das previsões, o que catapultou o rendimento dos Treasuries. Ao mesmo tempo, as mensagens da ata do Copom e do diretor de Política Monetária do Banco Central, Bruno Serra, sinalizando maior rigidez no ciclo de aperto da Selic continuaram inspirando cautela. Outro vetor altista foi o leilão de prefixados do Tesouro, com risco maior para o mercado.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 subiu de 12,262% para 12,35% (regular), ao maior nível desde 1º de novembro, quando também fechou em 12,35%, e na estendida ficou em 12,345%. O DI para janeiro de 2025 fechou com taxa de 11,325% (regular) e 11,285% (estendida), de 11,191% ontem no ajuste. O DI para janeiro de 2027 terminou com taxa de 11,30% (regular) e 11,28% (estendida), de 11,195%.

As que mais subiram foram as intermediárias, entre 2024 e 2026, horizontes que estão sujeitos tanto aos efeitos defasados das decisões do atual ciclo de política monetária quanto aos movimentos externos, além de servirem de hedge na montagem de posições para o leilão – hoje o Tesouro elevou significativamente a oferta de LTN em relação às operações anteriores.

Mas, de modo geral, a percepção dos agentes foi a de que, diante do estrago feito pelo índice de inflação ao consumidor nos EUA (CPI, em inglês) sobre os ativos globais, a pressão aqui foi limitada, dado que contra fluxo não há argumentos. “Os gringos perceberam que Bolsonaro está indo embora e não estão dando bola para as barbeiragens de Brasília”, disse um gestor, lembrando que na memória dos não-residentes permanece a postura fiscal responsável do governo do ex-presidente Lula, que lidera com folga as pesquisa de intenção de voto na corrida eleitoral.

Além disso, o recado do Banco Central de que terá encerrado o ciclo de aumento de juros em “mais um par de reuniões mais ou menos” e a percepção de que, depois disso, a Selic se manterá elevada por um bom tempo dão conforto para posições aplicadas nas regiões mais longas da curva, preferidas pelos estrangeiros. E um dos melhores termômetros desse movimento é a taxa de câmbio, com o dólar hoje tendo caído abaixo de R$ 5,20 nas mínimas do dia.

Nos Estados Unidos, o CPI subiu 0,6% em janeiro, assim como também o núcleo, ante expectativa, para ambos, de 0,4%. Na comparação anual, a inflação deu um salto de 7,5%, o maior patamar desde fevereiro de 1982. Como resultado, o mercado já espera que o Federal Reserve vai começar o ciclo de início de aperto de juro com uma dose mais forte, de 50 pontos-base, na reunião de março. Nos ativos, a taxa da T-note de 10 anos superou 2% pela primeira vez desde agosto de 2019. À tarde, o presidente do Federal Reserve (Fed) de St. Louis, James Bullard, membro votante do Fomc, defendeu alta de 100 pontos-base até 1º de julho.

No gerenciamento da dívida, o Tesouro vendeu 8,3 milhões de LTN, ou quase toda a oferta de 8,5 milhões no leilão, e 860,1 mil NTN-F, ante oferta de 900 mil.

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