
Madero busca captar R$ 500 mi ao emitir títulos de dívidas
Ação ocorre após grupo confirmar a desistência de abrir capital na bolsa de valores. Valor será usado para adquirir matérias primas, na expansão, e para pagar dívidas – hoje, a dívida líquida supera os R$ 750 milhões...
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Por CGN 1

O Madero Indústria e Comércio, empresa que possui sua unidade fabril em Ponta Grossa, busca captar R$ 500 milhões, através da emissão de debêntures simples, ou seja, da venda de títulos de dívidas. A confirmação da busca desse aporte foi decidida em uma Assembleia Geral Extraordinária, realizada no dia 24 de janeiro, através de uma videoconferência. A ata dessa reunião está publicada na edição do Diário Oficial do Estado da última quarta-feira, dia 2 de fevereiro. O principal objetivo é levantar recursos em certificados de recebíveis do agronegócio (CRAs), junto à Eco Securitizadora de Direitos Creditórios do Agronegócio, para garantir o prosseguimento das operações do grupo neste ano. A ação se faz necessária diante da desistência do grupo de abrir capital na bolsa de valores, ocorrida no final de 2021. Ao final do terceiro trimestre de 2021, a dívida bruta do Madero era de R$ 1 bilhão, após acumular um prejuízo líquido de R$ 115,2 milhões entre janeiro e setembro do ano passado, fechando o ano em R$ 121,4 milhões negativos.
Essa é a quinta emissão do gênero que o grupo realiza. Dessa vez, a decisão foi pela emissão de debêntures não conversíveis em ações, da espécie quirografária, a ser convolada na espécie com garantia real, em até duas séries, para colocação privada. Uma das séries tem prazo de cinco anos, com remuneração-teto de CDI + 3,5%, enquanto que a outra tem o prazo de seis anos, com teto de remuneração de NTN-B e mais 3,5%. É um recurso que a empresa busca captar depois de o Grupo Carlyle, um dos principais acionistas do Madero, realizar um aporte de R$ 300 milhões no final do ano passado, com o objetivo de cumprir com compromissos com credores e fornecedores – até o final do terceiro trimestre de 2021, as dívidas com bancos superavam R$ 650 milhões, e ainda haviam mais R$ 350 milhões com vencimento superior a 12 meses. A abertura de capital na bolsa de valores tinha o objetivo justamente de captar recursos para quitar dívidas, investir na ampliação da fábrica em Ponta Grossa e investir na expansão dos restaurantes.
Esse valor de R$ 500 milhões tem como principal objetivo de ser usado para a aquisição de produtos in natura, ou seja, de matéria prima para a sua fábrica na cidade, além, é claro, de alongar os prazos de dívidas que a empresa possui. Afinal, com recursos entrando para custeio da produção, ‘sobra’ mais recursos para quitar os fornecedores e os bancos. Com o aporte do grupo Carlyle em novembro de 2021, o fundo norte-americano passou a deter 34,4% da empresa, frente aos 27% que tinha antes. Mas fizeram a diferença: com esses R$ 300 milhões, a dívida líquida da empresa caiu para R$ 764 milhões. Mais de R$ 700 milhões vencem ainda neste ano.
Empresa planeja entrar na Bolsa desde 2020
O desejo do Madero de entrar na bolsa de valores (B3) é antigo. Inicialmente, o planejamento do IPO (Oferta Inicial de Ações) era para 2020, mas a pandemia da Covid-19 atrapalhou os planos do grupo fundado por Junior Durski. Em agosto de 2021, o grupo então resolveu registrar a solicitação para entrar na bolsa, representada pela sigla ‘MDRO3’. Porém, no último trimestre, a empresa solicitou um adiamento nessa abertura de capital, por entender que as condições de mercado não eram favoráveis, e que iriam esperar o melhor momento para reafirmar esse interesse. No último dia 26 de janeiro de 2022, o grupo fez um comunicado ao mercado, revelando que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) acatou o pedido de cancelamento do IPO. O grupo, contudo, revelou que ainda está em seus planos abrir o capital na Bolsa, porém sem detalhar quando e em quais circunstâncias.
Faturamento atingiu R$ 1,15 bi
O faturamento do Madero em 2021 foi de R$ 1,15 bilhão, informou o empresário Junior Durksi, nesta segunda-feira (7), em sua conta em uma rede social. Isso significa que o total de entradas nos caixas dos restaurantes e da empresa foi recorde, valor 44% superior ao registrado em 2020. Além da redução da gravidade da pandemia no segundo semestre, com o avançar da vacinação, um dos motivos dessa alta foi a expansão do número de restaurantes em 2021, quando foram inauguradas 35 novas unidades.
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