Washington espera que Brasil transmita a Putin ‘valores comuns’ compartilhados com os EUA

“Sabemos que (com) o Brasil e outros países da região, você mencionou a Argentina também, compartilhamos valores. Essa é uma das marcas registradas do nosso relacionamento....

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Por Agência Estado

A uma semana da viagem do presidente Jair Bolsonaro à Rússia, Washington reforçou o recado de que espera que o brasileiro transmita “valores compartilhados” com os Estados Unidos no controverso encontro em Moscou. A viagem acontecerá durante a escalada na tensão — diplomática e militar — entre a Rússia, a Ucrânia e membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

“Sabemos que (com) o Brasil e outros países da região, você mencionou a Argentina também, compartilhamos valores. Essa é uma das marcas registradas do nosso relacionamento. E sabemos que esses valores serão transmitidos e sustentarão as preocupações que o presidente Putin ouve, não apenas dos Estados Unidos, mas de nossos parceiros em todo o mundo”, afirmou Ned Price, porta-voz do Departamento de Estado americano, em resposta a questionamento do Estadão durante coletiva de imprensa na capital americana.

“Nós e muitas nações ao redor do mundo, incluindo neste hemisfério, estamos profundamente preocupados com o papel potencialmente desestabilizador que a Rússia está desempenhando e sua ameaça contínua à soberania e à integridade territorial, incluindo, é claro, na Ucrânia”, disse.

Responsável pela comunicação oficial da diplomacia americana, Price evitou se posicionar sobre a avaliação dos EUA a respeito do momento da viagem de Bolsonaro à Rússia. O diplomata tampouco foi além no que os americanos esperam que seja abordado no encontro de Bolsonaro com o russo, quando o assunto é a escalada na crise que envolve a Ucrânia. “Não cabe a nós falarmos quais os objetivos que o presidente Bolsonaro deve ter em mente”, disse.

Na semana passada, fontes da diplomacia brasileira manifestaram desconforto com os comentários dos americanos sobre a viagem de Bolsonaro a Moscou. Nos bastidores, o governo Biden tem indicado a Brasília que a viagem corre o risco de passar a imagem de que Putin tem apoio internacional, no momento em que o russo tem mais de 100 mil tropas posicionadas na fronteira com a Ucrânia.

Publicamente, Washington mantém um tom protocolar para tratar do assunto e repete que países democráticos, como o Brasil, EUA, Argentina e outros na região, “têm a responsabilidade de defender princípios democráticos e uma ordem (mundial) baseada em regras”.

“Esta é a mesma ordem que sustentou níveis sem precedentes de estabilidade, de segurança, de prosperidade nos últimos 70 anos, e isso é igualmente verdadeiro na Europa, no Hemisfério Ocidental, no Indo-Pacífico”, disse Price nesta segunda-feira, ainda ao responder pergunta sobre a visita de Bolsonaro a Moscou.

Ele informou que os EUA esperam ter conversas com integrantes do governo brasileiro antes e depois da viagem a Moscou. “Estou confiante de que haverá discussões, antes e depois da viagem, com nossos parceiros”, afirmou. Na semana passada, ao sustentar que manteria a visita a Putin, Bolsonaro disse que, se convidado por Biden, faria também uma visita a Washington. Os dois presidentes nunca conversaram diretamente. Desde eleito, o americano faz questão de não ter sua imagem associada à de Bolsonaro, um fã declarado do ex-presidente Donald Trump e mal visto dentro do Partido Democrata.

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, já conversou por telefone com o chanceler brasileiro, Carlos França, duas vezes sobre a situação na fronteira com a Ucrânia. Em uma, segundo fontes no Brasil, o tema foi tratado apenas brevemente. A segunda conversa ocorreu na véspera de uma discussão no Conselho de Segurança da ONU sobre o assunto. Na ocasião, o Brasil votou junto com os americanos para possibilitar o debate do assunto no organismo.

Integrantes do próprio governo brasileiro tentam dissuadir Bolsonaro da ideia de viajar a Moscou no atual cenário, em que há escalada de tensão política e militar na fronteira com a Ucrânia, diante do receio dos EUA e de países da Otan de que Putin esteja planejando uma invasão. O Brasil é um aliado extra-Otan desde 2019, quando Trump concedeu o status ao País durante a visita de Bolsonaro a Washington.

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