Alvarez & Marsal diz que Moro não podia atuar em casos ligados à Lava Jato

Na nota, a Alvarez & Marsal sustenta ainda que o contrato fechado com o ex-juiz da Lava Jato possui uma ‘cláusula de confidencialidade, que não permite...

Publicado em

Por Agência Estado

A consultoria americana Alvarez & Marsal divulgou nesta segunda-feira, 24, um comunicado sobre o contrato com o ex-juiz e presidenciável Sérgio Moro, o qual é alvo de apurações no Tribunal de Contas da União. No documento, a empresa afirma que o contrato com o ex-ministro da Justiça foi ‘expresso’ em impedi-lo de atuar com clientes ligados à Operação Lava Jato. Além disso, a consultoria afirma que ‘ilações’ sobre interferências na nomeação da empresa em processos de recuperação judicial consistem em ‘desrespeito’ e ‘absoluto desconhecimento dos processos judiciais’.

Na nota, a Alvarez & Marsal sustenta ainda que o contrato fechado com o ex-juiz da Lava Jato possui uma ‘cláusula de confidencialidade, que não permite sua divulgação sem o consentimento da outra parte’. O documento foi requisitado pelo TCU no âmbito das investigações sobre o caso.
Em dezembro, o ministro Bruno Dantas, da corte de contas, determinou que a Alvarez & Marsal apresentasse os documentos ligados à saída de Moro empresa em outubro, quando o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública se lançou na política. Entre as informações requisitadas estavam os valores pagos ao presidenciável, incluindo as datas das transações.

No comunicado divulgado nesta segunda-feira, a empresa diz ter prestado ‘todos os esclarecimentos solicitados de forma tempestiva e colaborativa’, sustentando ainda que parecer técnico da corte ‘demonstrou não haver nenhum tipo de conflito’. A consultoria diz que ‘dentro dos limites da lei, sempre respondeu a tudo’.

Na investigação que tramita junto ao TCU, o subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado quer apurar possíveis ‘prejuízos aos cofres públicos pelas operações supostamente ilegais dos membros da Lava Jato de Curitiba e do ex-juiz Sérgio Moro, afetando a empresa Odebrecht mediante práticas ilegítimas de revolving door’ – movimentação em que políticos ou servidores se tornam lobistas ou consultores na área em que atuavam -, e lawfare, ‘conduzido contra pessoas investigadas nas operações’ da força-tarefa.

Em ofício encaminhado ao gabinete do ministro do TCU em dezembro, Furtado diz que ‘se avaliam questões relativas a possíveis conflitos de interesse, favorecimentos, manipulação e troca de favores entre agentes públicos e organizações privadas’.

Moro foi contratado pela Alvarez & Marsal após pedir demissão do Ministério da Justiça e Segurança Pública acusando o presidente Jair Bolsonaro de suposta tentativa de interferência política na Polícia Federal – tema de inquérito que tramita junto ao Supremo Tribunal Federal. O ex-aliado do chefe do Executivo, que deixou a magistratura para comandar o MJSP, se mudou para os Estados Unidos para área de ‘Disputas e Investigações’ da consultoria americana.

A A&M fornece serviços de consultoria, aprimoramento de desempenho de negócios e gestão de recuperação e atua, por exemplo, no processo de recuperação da Odebrecht – empreiteira que celebrou acordo de leniência com a Lava Jato e viu 77 de seus executivos fecharem delações premiadas, inclusive o patriarca Emílio Odebrecht e seu filho Marcelo Odebrecht, que foi condenado por Moro em diferentes ações penais.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

Sair da versão mobile
agora
Plantão CGN
X