CGN
Acesse aqui o Discover e busque as mais lidas por mês!

Dólar inicia a semana em alta de olho em risco geopolítico e Federal Reserve

No pior momento da sessão, o dólar chegou a tocar a casa de R$ 5,52, ao correr até a máxima de R$ 5,5247 (1,27%) no início...

Publicado em

Por Agência Estado

Publicidade

Após perda de 1,05% na semana passada, o dólar à vista subiu no mercado doméstico de câmbio nesta segunda-feira, 24, em sintonia com o movimento de fortalecimento global da moeda norte-americana. Investidores limitaram exposição ao risco e se refugiaram no dólar em meio ao recrudescimento das tensões geopolíticas entre Ocidente e Rússia, que ameaça invadir a Ucrânia, e à expectativa pela decisão de política monetária do Federal Reserve (o banco central norte-americano), na quarta-feira, 26.

No pior momento da sessão, o dólar chegou a tocar a casa de R$ 5,52, ao correr até a máxima de R$ 5,5247 (1,27%) no início da tarde. Em seguida, com desaceleração do ritmo de alta da moeda americana no exterior, a divisa também perdeu um pouco de fôlego por aqui, fechando a R$ 5,5032, ganho de 0,88%. Apesar disso, o dólar ainda acumula perda de 1,30% em janeiro. Com o pregão à vista já fechado, o contrato de dólar futuro para fevereiro diminuiu o ritmo de alta, em meio a virada das bolsas americanas para o positivo, e acabou encerrando com avanço de 0,37%, a R$ 5,49400, abaixo do valor no spot.

O real, desta vez, não amargou o pior desempenho entre as divisas emergentes e de países exportadores de commodities, papel que coube, por motivos óbvios, ao rublo. A moeda brasileira também apresentou performance superior a de seus pares, como o peso mexicano, o rand sul-africano e o peso chileno.

“A questão geopolítica está servindo como gatilho para esse movimento de piora dos ativos. Mas acho que tem algo maior por trás, que é a expectativa pelo Fed”, diz o gestor Rodrigo Knudsen, da Vitreo, ressaltando que o BC americano tem adotado uma política de transparência e tende a ser mais explícito sobre a normalização da política monetária em seu comunicado na quarta-feira.

A sanção do Orçamento de 2022 pelo presidente Jair Bolsonaro, com veto de R$ 3,1 bilhões, abaixo do pedido pelo ministério da Economia, e reserva de R$ 1,7 bilhão para reajuste de servidores não agradou o mercado, mas, de certa forma, já estava refletida nos preços dos ativos, dizem operadores. Teme-se, contudo, que eventual reajuste para servidores federais da área de segurança dê novo fôlego às reivindicações de outras categorias. Outro ponto de preocupação é a PEC que zera tributos para combustíveis e energia, cujo resultado pode ser aumento no rombo das contas públicas e, por tabela, da percepção de risco fiscal.

Embora veja a crise geopolítica e a expectativa em torno da intensidade e do “timing” da alta de juros nos EUA como fatores preponderantes para a trajetória dos ativos nesta segunda, o economista-chefe da JF Trust, Eduardo Velho, afirma que a sanção do Orçamento, com contingenciamento abaixo do esperado, e a potencial renúncia fiscal contida na PEC dos combustíveis ajudam a pressionar o dólar.

“A política fiscal emite sinais negativos no que se refere ao aumento de gasto e renúncia de receita. A percepção é de um orçamento mais gastador e com potencial ruído caso a reserva seja usada para reajuste de policiais”, diz Velho, ressaltando que, na semana passada, o real foi beneficiado pela reversão de posições compradas em dólares por parte de estrangeiros, que já teriam sido ajustadas.

Para a economista-chefe da Armor Capital, Andrea Damico, a semana passada mostrou o peso do investimento estrangeiro na formação dos preços dos ativos locais, em especial no câmbio e na bolsa. A “grande questão”, diz a economista, é se esse fluxo seguirá firme apesar do risco político e eleitoral, além do ciclo de alta de juros nos EUA, que costuma abalar os fluxos para países emergentes.

Damico observa que a percepção de que o Fed “poderá ser mais agressivo na elevação dos juros e redução de seu balanço” ganhou força e já produziu “uma forte elevação dos juros reais implícitos nas curvas” de juros nos EUA.

Pela manhã, o BC vendeu US$ 500 milhões em leilão de linha, de uma oferta total de R$ 1,5 bilhão, em operação para rolar vencimento de 2 de fevereiro. Foi aceita apenas uma proposta. Já a oferta de 17 mil contratos de swap cambial (US$ 850 milhões), para rolagem dos vencimentos em março, foi totalmente absorvida.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

AVISO
agora
Plantão CGN