
Não assiste o BBB porque é para alienados, mas passou 2021 inteiro sem ler um livro
Com certeza o objetivo do Big Brother, por exemplo, não é mudar a vida de quem assiste, muito menos salvar o mundo dos problemas assolam a sociedade....
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Por Deyvid Alan

Qual o objetivo de um programa de entretenimento? Começamos com essa pergunta para tentar explicar o motivo do sucesso do programa Big Brother Brasil.
O objetivo de um programa de entretenimento é justamente entreter, meio óbvio não é mesmo? Não é objetivo de um programa desses mudar a vida de quem assiste, muito menos salvar o mundo dos problemas assolam a sociedade.
Com certeza o objetivo do Big Brother, por exemplo, não é salvar as crianças famintas da África ou doar dinheiros para desabrigados, mas se formos analisar bem, esses também não são os objetivos da grande maioria das pessoas que reclamam do programa.
Há 22 anos a primeira edição do Big Brother foi lançada no Brasil e o sucesso de audiência fez com que o programa se mantivesse no ar por tanto tempo. Desde a primeira edição, além do grande índice de audiência, as críticas ao conteúdo do programa também se superam a cada ano.
Dizer que o programa é uma baixaria, sem conteúdo, para pessoas alienadas, contra a moral e os bons costumes, são apenas as críticas leves e termos que podem sem citados nessa matéria, sem contar ainda que boa parte das reclamações sobre o programa é mais direcionada à emissora do que ao próprio programa.
A indignação seletiva do brasileiro está mais forte do que nunca, já que, não generalizando, mas a grande maioria das pessoas que dizem que o programa não é educativo, que não adiciona “nada de útil” na vida de quem assiste e que seria o causador de toda a devassidão no mundo, são as mesmas pessoas que estão assistindo séries sangrentas, com extrema violência, uso de drogas e sexo quase explícito nas plataformas de streaming.
Não estamos aqui defendendo o programa ou alegando que o conteúdo exibido seja de qualidade, de forma alguma, apenas lembrando que muitas das mesas pessoas que não assistem esse tipo de entretenimento, também não estão em casa assistindo TV Cultura, Rede Vida ou fazendo melhor, lendo um livro.
Goste ou desgoste, não importa, afinal como já diz o ditado, “gosto é igual nariz cada um tem o seu”, não preciso trazer aqui o ditado em sua real versão. Pode opinar, pode criticar, se manifestar nas redes sociais, não tem problema, pois felizmente vivemos uma democracia e temos o direito de aproveitá-la.
A única coisa que precisamos refletir é sobre a necessidade de muitas pessoas em menosprezar a capacidade intelectual ou diminuir quem gosta e assiste ao programa. Você acha que é mais inteligente que alguém apenas por não assistir o Big Brother? Não é bem assim.
É totalmente possível ser um apaixonado por música clássica, mas cantar um pagode no churrasco com os amigos. Também é aceitável ser um apreciador de Almodóvar ou Scorcese, mas perder tempo assistindo séries clichês. É extremamente concebível ser um expert em história, geografia ou matemática e ainda assim assistir o BBB. Não tem problema!
A psicologia explica!
A CGN conversou com a psicóloga, Deise Rosa, sobre as questões em torno ao BBB e ressaltou a questão do julgamento, sobre o interesse na vida do outro e sobre os valores e crenças individuais.
Segundo a psicóloga, as pessoas tem um interesse pela vida alheia, nem que seja para saber se os meus comportamentos são parecidos com o do outro ou se está fora dos padrões considerados aceitáveis pela sociedade em que se convive. Para ela, analisar a vida alheia faz a pessoa repensar a dela, os seus valores, as suas crenças, o que reproduzo igual ao outro e o que eu jamais faria.
“Ao julgar o outro, nos colocamos em posição de superioridade, algo que, mesmo sabendo das nossas fragilidades, no fundo gostaríamos, muitas vezes, de sermos superiores. Por isso que as fofocas geram sensações prazerosas, pois nos coloca em situações de poder”, diz Deise.
Necessariamente precisa ser algo negativo assistir esses programas?
A psicóloga ressaltou que os problemas estão diretamente na falta de limites, nos excessos, e não necessariamente em assistir um programa de entretenimento como o Big Brother.
“Não. Como tudo na vida, se houver limites e questionamentos pessoais, pode ser até algo bastante agradável. Lembrando que em diversas edições, os realitys manifestam discussões sociais importantes, que muitas vezes foram engavetadas, como a sociedade do cancelamento, preconceitos, doenças emocionais, bullyng, espiritualidade, entre tantos outros temas”, pontuou.
Deise disse ainda que para muitos, assistir um entretenimento clichê, é um momento de relaxar a cabeça dos problemas.
“Convenhamos, às vezes “escapar” do nosso ‘Eu dolorido’ é bem prazeroso. É como um filme ou uma novela em que entramos no enredo e esquecemos um pouco das nossas dores”.
A profissional ressalta que obviamente deve-se cuidar com os excessos, pois de acordo com Deise, eles sim alienam, eles sim prejudicam relações e trazem muitos prejuízos.
“Talvez na sua vida os realities não signifiquem nada, talvez seja algo bacaninha, talvez seja algo que você goste bastante. Está tudo bem, somos diferentes e temos gostos diferentes. Que tanto quem está lá dentro, como quem está aqui fora, nunca perca o amor próprio, e o acolhimento para a dor real do outro. Viva os afetos, viva as pessoas, viva as relações respeitosas”, finaliza.
Deise Rosa Schroder é Psicóloga e atende na Clínica de Psicologia Afetos, na Rua Duque de Caxias em Cascavel. Conheça mais pelo Instagram.
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