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Exterior e dúvida interna com servidores impedem alta do Ibovespa

Ao mesmo tempo, as vendas do varejo nos Estados Unidos tiveram queda (1,9%) mais forte do que a previsão de recuo de 0,1% em dezembro, enquanto...

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Por Agência Estado

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Após abertura indefinida, o Ibovespa mira queda, acompanhando o viés negativo das bolsas americanas. Porém, ainda assim não demonstra firmeza na direção. De forma geral, investidores seguem preocupados com o tom duro de membros do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) esta semana, em eventos, reforçando alta mais rápida e acelerada do juro americano do que a imaginada.

Ao mesmo tempo, as vendas do varejo nos Estados Unidos tiveram queda (1,9%) mais forte do que a previsão de recuo de 0,1% em dezembro, enquanto a produção industrial teve declínio de 0,1%, contra projeção de alta de 0,2%. Já no Brasil, houve avanço das vendas varejistas em novembro ante outubro, mas sem empolgar, dado que a análise é de que isso é temporário e, além do mais, há dúvidas a respeito dos efeitos do avanço da Ômicron na atividade.

Contudo, o foco central continua na inflação norte-americana. “Embora tenha começado a temporada de balanços, está mais refletindo as falas dos membros do Fed. Isso ainda está no centro do pensamento do investidor, já que todo mundo acreditava que a inflação seria transitória, e não está assim”, avalia Weslley Felix, especialista em renda variável da Blue3.

Conforme Felix, a iminente alta de juros nos EUA em março e com mais elevações – não se sabe se serão três ou quatro aumentos – afeta o desempenho das ações de empresas de tecnologia, levando a um rotação setorial lá fora e também aqui.

Na quinta-feira, o presidente do Fed da Filadélfia, Patrick Harker, afirmou que três altas de juros em 2022 podem não ser suficientes para lidar com a inflação nos Estados Unidos.

O desempenho módico do índice reflete um pouco da história da semana, ditada pelo tom mais ‘hawkish’ por parte de membros do Fed e por sinais de adoção de medidas de estímulo pela China, avalia Joaquim Sampaio, gestor de juros e moedas da RPS Capital. “Ações de varejo e de consumo, com múltiplos altos, sofrem lá fora e aqui também”, avalia. Conforme ele, o avanço nas vendas varejistas no conceito restrito e ampliado no Brasil em novembro, na margem, não deve ser duradouro.

Já as commodities têm sinais distintos – petróleo sobe e minério cai. Esse sentimento dificulta alta do Ibovespa nesta sexta-feira, cuja agenda de indicadores está carregada, com destaque para o início da safra de balanços do quarto trimestre nos Estados Unidos. Além disso, persistem preocupações com questões sanitárias e com o impasse em relação a reajustes salariais para servidores, que devem parar atividades na semana que vem. Porém, na semana o índice Bovespa caminha para elevação considerável. Até o momento, acumula variação positiva de 2,50%.

No fundo, internamente, não há novidades, destaca em comentário a clientes o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jeferson Laatus. “Deve ser um dia um pouco mais travado, como fora ontem”, estima. Na véspera, o Ibovespa apresentou volatilidade, para fechar perto da estabilidade, com recuo de 0,15%, aos 105.529,50 pontos.

Nos EUA, as primeiras divulgações de balanços vieram do JPMorgan, com lucro líquido de US$ 10,4 bilhões no último trimestre de 2021, e do Wells Fargo, com lucro US$ 5,8 bilhões no período. As ações dos bancos reagiram em alta firme. Já os papéis do Citigroup tombaram 3,5% no pré-mercado de Nova York. O banco registrou lucro líquido de US$ 3,2 bilhões no quarto trimestre de 2021, 26% menor do que o ganho de US$ 4,3 bilhões obtido em igual período de 2020.

“A queda reflete principalmente a continuação do movimento que chamamos de rotation. Em bom português, um movimento de rotação de investimentos de ações de crescimento para ações de valor. O movimento é impulsionado pela iminente alta dos juros nos EUA – cada vez mais reforçada por membros do Banco Central americano, o Fed”, reforça Rachel de Sá, chefe de economia da Rico, em relatório.

Dados da economia chinesa também ficam no radar. As exportações da China cresceram 20,9% em dezembro, na comparação anual, desacelerando ante os 22,0% observados em novembro, mas ficou acima da previsão de 19,0% de economistas. As importações subiram 19,5% em dezembro e encerraram 2021 com um crescimento de 30,1%. Já o minério de ferro fechou em queda de 1,43%, a US$ 128,01, no porto chinês Qingdao. “O que pesa um pouco é essa retração, após dados fracos das importações da China na margem. No entanto, as commodities estão indo bem”, avalia Sampaio, da RPS Capital.

No cenário corporativo local, a Petrobras informa que mantém investimentos de 2022 conforme previsão antes divulgada de US$ 11 bilhões. “O cenário para a empresa ainda é bem positivo, apesar das tensões geopolíticas que tendem a afetar o petróleo”, diz Felix, da Blue3.

Às 11h27, o Ibovespa cedia 0,10%, aos 105.422,35 pontos.

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