CGN
Acesse aqui o Discover e busque as mais lidas por mês!
Imagem referente a Especialistas defendem prorrogação e ampliação das cotas raciais na educação superior
Reprodução/Tv Senado

Especialistas defendem prorrogação e ampliação das cotas raciais na educação superior

O debate girou em torno do PL 4.656/2020, do senador Paulo Paim (PT-RS), que estabelece revisão da Lei de Cotas a cada dez anos, entre outras......

Publicado em

Por Agência Senado

Publicidade
Imagem referente a Especialistas defendem prorrogação e ampliação das cotas raciais na educação superior
Reprodução/Tv Senado

Em audiência pública da Comissão de Educação (CE), nesta sexta-feira (10), os participantes defenderam a continuidade e a ampliação da Lei de Cotas, que garante a reserva de vagas para negros, pardos, indígenas, pessoas com deficiência, alunos de baixa renda e estudantes de escolas públicas em universidades públicas e institutos federais. Essa lei completa dez anos de vigência no ano que vem.

O debate girou em torno do PL 4.656/2020, do senador Paulo Paim (PT-RS), que estabelece revisão da Lei de Cotas a cada dez anos, entre outras mudanças. Atualmente, a lei prevê apenas uma revisão, em 2022. Ele disse que o senador Romário (PL-RJ) deverá ser o relator.

— O Congresso Nacional precisa reafirmar essa política exemplar que registra, entre 2010 e 2019, o crescimento de quase 400% no número de alunos negros e negras no ensino superior — disse Paim.

Paim argumenta que a revisão da Lei de Cotas estabelecida para 2022 poderá concluir que a política não será mais necessária caso os percentuais de participação de alunos pretos e pardos nas instituições federais alcancem a proporção respectiva dessas raças na população da unidade da Federação em que vivem. O mesmo critério valerá para as cotas de indígenas e pessoas com deficiência.

Para o senador, qualquer redução na política de cotas significaria “um pesado golpe nas camadas mais necessitadas e discriminadas da população”. Ele ressalta que a lei trouxe avanços no acesso ao ensino superior.

O projeto também propõe que as cotas sejam aplicadas aos processos seletivos em todos os cursos de graduação de instituições particulares. Hoje, a política de cotas só beneficia estudantes que ingressam em faculdades particulares com bolsa do Prouni. A proposta prevê que o estudante informe sua raça no ato da matrícula.

Continuidade

A antropóloga Luciana de Oliveira Dias, professora da Universidade Federal de Goiás (UFG), disse que a Associação Brasileira de Antropologia (ABA) defende a continuidade e o aperfeiçoamento das ações afirmativas no país. Ela disse que, desde sua publicação, a Lei de Cotas (Lei 12.711, de 2012) se tornou “um instrumento concreto para reparação dos danos ocasionados pela negligência estatal e pelo racismo estrutural”.

— O fortalecimento das políticas de reserva de vagas e ações afirmativas nas instituições do ensino superior é fundamental para a democratização das próprias instituições e da sociedade como um todo — afirmou Luciana.

Ela informou que as cotas aumentaram a presença nas universidades não só de negros, mas também de segmentos sociais antes excluídos, como indígenas e quilombolas.

Bruna Chaves Brelaz, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), também defendeu a renovação e a ampliação do alcance da Lei de Cotas. Em sua opinião, as cotas têm promovido, com sucesso, a popularização do ensino superior. Para ela, como a universidade é uma “estrutura de desenvolvimento da nação”, é fundamental que ela seja mais popular e diversa.

— Uma política pública que funciona não pode ser eliminada, ela precisa ser aperfeiçoada — disse Bruna.

A presidente da UNE defendeu, ainda, a criação de políticas públicas que ajudem na permanência do estudante na universidade, outro desafio para a população negra.

— O Brasil enfrenta um debate muito aprofundado sobre o genocídio da juventude negra, a falta de políticas públicas para a juventude, a falta de saneamento básico, a insegurança alimentar, a fome e o desemprego; a maioria das pessoas que perpassam por todos este desafios são pessoas negras, principalmente as mulheres negras — afirmou Bruna.

“Nação mestiça”

Helderli Fideliz Castro de Sá Leão Alves, que integra o Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR) e preside o movimento Nação Mestiça, chamou atenção para a população mestiça (ou parda) brasileira. Ela defendeu a criação de cotas específicas para a população parda, separadas das cotas para a população preta. Segundo a conselheira, alguns estados brasileiros já fazem essa diferenciação.

— Nós queremos que as cotas dos pardos, que são os mestiços, sejam separadas das cotas dos pretos — disse Helderli, argumentando que a medida evitaria polêmicas relacionadas à tonalidade de pele dos candidatos mestiços.

Lívia Sant’Anna Alves, do Ministério Público da Bahia, afirmou que muitas pessoas negras que entram na universidade não conseguem concluir o curso. Para ela, além das cotas, que facilitam o acesso ao ensino superior, têm que ser criadas também políticas que ajudem o cotista na permanência e na conclusão do curso e no ingresso no mercado de trabalho.

Também participaram do debate José Vicente, reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, e David Santos, diretor executivo da ONG Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes (Educafro).

A audiência pública foi requerida por Paim, Plínio Valério (PSDB-AM) e Marcelo Castro (MDB-PI), presidente da CE. Veja a íntegra da reunião.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

AVISO
agora
Plantão CGN