AMP
Edilson Rodrigues/Agência Senado

‘Finanças islâmicas’ serão tema de debate na CAE nesta segunda

Em seu requerimento de audiência (REQ 14/2021-CAE), Jean Paul argumenta que “no curto prazo o agronegócio pode ser uma porta de entrada para o dinheiro islâmico......

Publicado em

Por Agência Senado

Edilson Rodrigues/Agência Senado

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado promove audiência pública nesta segunda-feira (13), a partir das 15h, para debater o tema “finanças islâmicas”. A audiência foi solicitada pelo senador Jean Paul Prates (PT-RN). Ele destaca que as operações financeiras que seguem as leis islâmicas têm características próprias — como a proibição da cobrança de juros — e que para ter acesso a seus recursos o Brasil precisa fazer adaptações legais.

Em seu requerimento de audiência (REQ 14/2021-CAE), Jean Paul argumenta que “no curto prazo o agronegócio pode ser uma porta de entrada para o dinheiro islâmico [no Brasil], sobretudo nas atividades ligadas à exportação. No médio e longo prazo, a maior captação de recursos islâmicos passa pela adesão do país ao mercado internacional de sukuk [uma espécie de título de dívida]. Isso envolve algumas adaptações regulatórias e legislativas”.

Como exemplo do volume de recursos movimentados pelas finanças islâmicas, o senador informa que a emissão de sukuks em 2018 atingiu US$ 32,98 bilhões.

Diferenças culturais

Ao ressaltar que as finanças islâmicas possuem um formato de operações financeiras com características próprias, Jean Paul lembra, por exemplo, que a Lei Islâmica (ou Sharia) proíbe a cobrança e o pagamento de juros porque não considera o dinheiro uma mercadoria a ser transacionada como um bem entre os praticantes do islamismo. E também proíbe o investimento em empresas que são consideradas contrárias aos ensinamentos e valores islâmicos.

O senador ressalta que “o conceito chave das finanças islâmicas é o compartilhamento de riscos entre as partes em todas as operações. Disso decorre a concepção e a estruturação dos modos de intermediação financeira, que giram em torno do instituto jurídico da sociedade ou parceria. Por isso, é comum a criação de formas societárias próprias para abrigar em uma terceira pessoa jurídica, em cujo contrato ou estatuto social se estabelecem os direitos, os deveres e o patrimônio próprio e específico que será destinado ao empreendimento ou negócio financiado pela instituição islâmica”.

A discussão na CAE, portanto, deve abordar eventuais mudanças no sistema legal brasileiro para que o país possa ter acesso aos recursos movimentados pelas finanças islâmicas.

Debatedores

Foram convidados para o debate desta quarta-feira: Ângela Martins, responsável pela representação do First Abu Dhabi Bank na América Latina, e Mohamed El Zoghbi, presidente da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (Fambras). Também foram convidados representantes do Banco Central do Brasil, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da Receita Federal do Brasil.

A audiência será interativa.

Como participar
O evento será interativo: os cidadãos podem enviar perguntas e comentários pelo telefone da Ouvidoria do Senado (0800 061 2211) ou pelo Portal e‑Cidadania, que podem ser lidos e respondidos pelos senadores e debatedores ao vivo. O Senado oferece uma declaração de participação, que pode ser usada como hora de atividade complementar em curso universitário, por exemplo. O Portal e‑Cidadania também recebe a opinião dos cidadãos sobre os projetos em tramitação no Senado, além de sugestões para novas leis.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

Sair da versão mobile
agora
Plantão CGN
X