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Com agenda semanal cheia e cautela pré-feriado, dólar avança 0,42% ante real

“Tem feriado amanhã, o mundo continua trabalhando e a agenda é pesada nessa semana”, pontua o diretor da Correparti, Ricardo Gomes da Silva. Além da ata...

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Por Agência Estado

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Cenário doméstico e externo confluem nesta segunda-feira, 1º, para um dólar fortalecido ante o real. Se lá fora a proximidade da consolidação da retirada de estímulos – o tapering – pelos EUA, que deve ser anunciado na quarta-feira, fortalece a divisa americana ante emergentes, aqui dentro uma perspectiva de pós-feriado tumultuado coloca pressão sobre o câmbio. Além da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), a próxima quarta-feira deve ser marcada ainda pela tentativa de votação da PEC dos precatórios – que abre espaço no teto de gastos para o Auxílio Brasil – no plenário da Câmara dos Deputados. As diversas variáveis de incerteza somadas à baixa liquidez e cautela pré-feriado levaram o dólar a subir 0,42% sobre o real e encerrar o dia em R$ 5,6700.

“Tem feriado amanhã, o mundo continua trabalhando e a agenda é pesada nessa semana”, pontua o diretor da Correparti, Ricardo Gomes da Silva. Além da ata do Copom, votação da PEC e anúncio do ‘tapering’, ele ressalta a decisão monetária do Banco da Inglaterra (BoE) e o payroll americano lá fora e, internamente, o risco de greve dos caminhoneiros, apesar da fraca adesão vista nesta segunda-feira – ele pondera que não é possível ainda retirar esse risco da lista. Na máxima do dia, o dólar chegou a R$ 5,6891 (+0,76%). Na mínima, foi a R$ 5,6228 (-0,41%).

Após o feriado de Finados amanhã, os investidores aguardam por mais sinalizações sobre a condução da política monetária na ata do Copom, que será divulgada pelo Banco Central na quarta-feira no início da manhã. Na última reunião, na semana passada, o Copom anunciou um aperto adicional no ritmo de alta da Selic. Em vez do aumento de 1 p.p já sinalizado anteriormente, aumentou a taxa em 1,5 p.p, com sinalização de novo ajuste nas mesmas dimensões para a próxima reunião. A decisão, ainda que já esperada pelo mercado, gerou uma corrida por revisões em relação à Selic no fim do ciclo de ajuste e, ainda, nas previsões para o crescimento brasileiro.

A mudança no ritmo do Copom ocorreu após o aumento dos riscos fiscais com o imbróglio do ajuste no teto de gastos negociado pelo governo para fazer caber um Auxílio Brasil turbinado até dezembro de 2022. O desenrolar desse tópico também deve se dar nessa semana, uma vez que a votação da PEC dos Precatórios, que viabiliza o Auxílio Brasil e a mudança no teto, está marcada para ocorrer também na quarta-feira. Os investidores monitoram a corrida do governo para conseguir maioria para a votação – que exige 308 votos favoráveis e já se mostrou desafiadora na semana passada.

“Há algumas indicações de líderes se movimentando fortemente para ter quórum, mas todo mundo sabe que é difícil em semana de feriado. Semana passada já mostrou que o assunto não está tão aceito por parte da Câmara como era esperado pelas lideranças”, comentou o estrategista da Modalmais, Felipe Sichel.

Há um entendimento no mercado de que a alteração no teto dissolve uma âncora fiscal importante para o país e atrapalha a credibilidade. Mas Sichel aponta que, no cenário atual, a possibilidade de não se votar a PEC traz ainda mais incertezas. Isso porque o governo não parece disposto a largar mão do auxílio turbinado. “O que vimos é que vão tentar achar alternativas e as alternativas que estão sendo ventiladas parecem ser piores. Talvez a PEC seja a solução menos danosa”, completou.

Silva, da Correparti, emenda que o mercado monitora as outras propostas alternativas ao formato desenhado pelo governo, sobretudo se o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), vai mesmo apresentar alguma outra saída. “O mercado já precifica uma derrota do governo nesse processo todo. Se a derrota não vier via Câmara, virá via Senado”, disse, completando: “O programa vai sair, o problema é exatamente esse. Se o governo não vai tirar dos precatórios, vai tirar de onde?”.

As incertezas domésticas e o aumento do risco fiscal ocorrem em um momento delicado para emergentes, à medida em que o Federal Reserve (Fed) deve anunciar também na quarta-feira a decisão de retirada gradual de estímulos monetários da economia, um processo conhecido como tapering e que antecede a efetiva normalização das taxas de juros americanas.

A expectativa em relação ao tapering fortaleceu o dólar em relação a moedas emergentes nesta segunda-feira, à medida em que o movimento americano aumenta os riscos de uma fuga de capital. Assim, a divisa americana tinha alta frente à maior parte das moedas emergentes, à exceção da lira turca e do peso chileno. Tinha alta firme, contudo, em relação ao rublo (+0,92% às 16h27), ao rand sul africano (+0,86%) e, sobretudo, ao peso mexicano (+1,35%). O índice DXY, que mede o dólar em relação a uma cesta de moedas fortes, contudo, tinha queda de 0,26% às 17h24.

Conforme mostrou o Broadcast (veja material publicado em 18/10, às 16h27), esse movimento de fuga de capital deve ser pior entre os emergentes que se descontrolaram com o fiscal durante a pandemia e não conseguiram ainda colocar as contas em dia. Com a conta corrente mais organizada do que em 2013, ano do último tapering, o risco fiscal acaba sendo o principal risco entre os emergentes.

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