CGN
Acesse aqui o Discover e busque as mais lidas por mês!
Imagem referente a Os 109 anos do Contestado: uma guerra esquecida

Os 109 anos do Contestado: uma guerra esquecida

O confronto envolveu 7 mil soldados do Exército Brasileiro, do Regimento de Segurança do Paraná, do Regimento de Segurança de Santa Catarina e civis contratados. Os...

Publicado em

Por Diego Cavalcante

Publicidade
Imagem referente a Os 109 anos do Contestado: uma guerra esquecida

Em 22 de outubro de 1912, há cento e nove anos, iniciava, na região de divisa entre o Paraná e Santa Catarina, um dos mais sangrentos conflitos da história do Brasil. Uma verdadeira guerra que teve como zona de conflito uma área 20 mil km quadrados.

O confronto envolveu 7 mil soldados do Exército Brasileiro, do Regimento de Segurança do Paraná, do Regimento de Segurança de Santa Catarina e civis contratados. Os rebeldes contavam com 10 mil combatentes. Terminada a Guerra, entre os efetivos legalistas contabilizam 800 a 1000 baixas. Entre a população civil revoltada de 5 mil a 8 mil mortos, feridos e desaparecidos.

O conflito durou 4 anos. E foi marcado por grande violência. Envolveu posseiros e pequenos proprietários, inflamados por monges aos quais se atribuía poderes sobrenaturais e que incitavam a rebelião contra a República Brasileira então comandada pelo marechal Hermes da Fonseca.

Envolveu ainda uma multinacional norte-americana, que fez um acordo leonino com o governo brasileiro para construir a estrada de ferro São Paulo-Rio Grande. Outro ingrediente do conflito foi uma disputa sobre traçado de fronteiras entre Paraná e Santa Catarina. Tudo isso criou as condições que resultaram num dos conflitos mais letais da história brasileira.

Após a conclusão do trecho catarinense da Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande a companhia Brazil Railway Company, do magnata americano Percival Farquhar, também dono da Southern Brasil Lumber & Colonization Company, formada para explorar a madeira dessas áreas, começou a explorar o que havia recebido do governo brasileiro em troca da construção da ferrovia: 15 km de cada lado da estrada de ferro.

A companhia iniciou a desapropriação de 6.695 km quadrados de terras (o que equivale a 276.694 alqueires), uma área que já era ocupada por posseiros que viviam na região entre o Paraná e Santa Catarina.

Esses posseiros não se conformaram em desocupar pacificamente essas terras e sua resistência resultou num sangrento conflito – ou melhor Guerra – de 4 anos (só encerrada em agosto de 1916), que envolveu além de armas pesadas, pela primeira vez na história, o uso de aeronaves com fins militares.

Dos 40 mil habitantes que residiam nos 20 mil quilômetros de área conflagrada, de 5 a 8 mil morreram ou desapareceram. O que resulta em um altíssimo percentual de baixas em relação à população existente no local na época.

Municípios que viram a guerra de perto. Como União da Vitória e Porto União, que sediaram as operações militares. A cidade de Três Barras (SC), ainda guarda vestígios da Southern Brazil Lumber and Colonization Company, na época uma das maiores madeireiras do mundo. A cidade de Caçador (SC) abriga o Museu do Contestado. A cidade de Palmas (PR) e Irani (SC), local de uma das principais batalhas do conflito.

“Próxima de completar 110 anos, a Guerra do Contestado ainda é um enigma a ser completamente decifrado. É um episódio sangrento e dramático que não pode, e não deve ser esquecido. É uma página da nossa história que ainda pode, e deve inspirar importantes lições”, disse o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, deputado Ademar Traiano (PSDB).

Fonte: ALEP

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

AVISO
agora
Plantão CGN