
Eleições 2020: Paulo Porto aposta em frente de esquerda
Após dois mandatos como vereador, Porto colocou seu nome para prefeito......
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Por Redação CGN

Vereador por dois mandatos, Paulo Porto (PCdoB) não pretende disputar uma segunda reeleição ao Legislativo e já colocou seu nome à disposição para uma eventual candidatura a prefeito, formando por uma ampla frente de centro-esquerda. Ele acredita na possibilidade de união de partidos de esquerda e de centro para fazer um governo diferente.
Porto diz que decidiu colocar seu nome às disputas de 2020 por entender que o momento nacional de polarização, discurso de ódio contra o trabalhador, contra os direitos fundamentais e humanos, além dos ataques a direitos trabalhistas, irão pautar o debate local, mas destaca que aqueles que ficarem focados nessa polarização e não levantarem bandeiras locais, estarão fadados a perderem o debate.
“Eu entendo que, no ano que vem, esse debate todo estará pautando o debate local e é necessário que Cascavel não fique refém de apenas candidatos do campo do Bolsonaro e do campo do Ratinho. É necessário a gente apresentar outra via, uma terceira via na perspectiva do campo progressista, caso contrário os eleitores de Cascavel serão fadados a votar em dois projetos que eu entendo como danosos para a população brasileira e para os cascavelenses”, afirma.
Para o vereador comunista, Márcio Pacheco (PDT) e Leonaldo Paranhos (PSC) falam coisas parecidas e são da mesma base do governador Ratinho Junior. “Por isso eu entendo que é um momento fundamental para nós, do campo progressista e mais ao centro da política, estar se colocando como alternativa na perspectiva de fortalecer politicas públicas, fortalecer a concepção de estado de bem-estar social, fortalecer a concepção das minorias, dessa politica mais humanizada”, diz.
Defensor do IPTU progressivo, que é lei em Cascavel, mas que nunca foi colocado em prática, Porto diz que trabalhará para fazer valer a legislação.
Frente
O parlamentar diz que é hora de união da esquerda para enfrentar o que ele chama de políticas odiosas, tanto do governo Bolsonaro quanto de Ratinho Junior. Essa perspectiva de união já começou a ser construída com diálogos com partidos como o PT e o PSOL.
“Existe uma possibilidade, ainda em construção, de se criar uma frente ampla para que a gente consiga enfrentar esse debate que virá no ano que vem, até porque não será um debate fácil. Tanto Ratinho quanto Bolsonaro virão ancorados por um grande poder econômico, midiático, porém, ou a gente se posiciona no ano que vem ou será muito difícil daqui para frente. Eu entendo também que o ano que vem será um ensaio geral para 2022”, avalia.
PCdoB
Filiado ao PCdoB há mais de 30 anos, Paulo Porto diz estar confortável no partido e, pelo menos por enquanto, afasta possibilidade de deixar a legenda. “Sigo confortável, com distensões, com problemas, com contradições, não afinado com o PCdoB local, em especial com o PCdoB do Paraná, mas entendo que nesse momento é importante permanecer no PCdoB para construir a frente. Essa frente só teria sentido se nós tivéssemos três partidos fundamentais na perspectiva da esquerda cascavelense que eu entendo ser o PSOL, PT e PCdoB, além de atrair partidos de centro, partidos que não estão à vontade nem com a lógica bolsonarista, nem com a lógica de Ratinho, que eu entendo que são a mesma lógica”, observa.
Esquerda e direita
Tradicionalmente, Cascavel é uma cidade conservadora com vocação política alinhada mais à direita, mas Porto vê Cascavel como uma cidade de contradições no aspecto político.
“Cascavel é uma cidade de contradições interessantes. O PT de Cascavel é o maior do Paraná, com cinco mil filiados, o MST nasceu em Cascavel, mesmo com todo esse conservadorismo. Cascavel é o berço do agronegócio onde foi aprovada uma lei da minha autoria contra o agrotóxico, é a única do País. Tenho viajado muito para falar dessa lei em todo o Paraná. Cascavel é uma cidade conservadora, é uma cidade que a direita tem tradição, mas eu vejo que há contradições para crescer, em especial quando polariza”, afirmou.
Ele lembra que no primeiro turno das eleições do ano passado o candidato petista, Fernando Haddad, fez 18% dos votos em Cascavel. “Não é pouca coisa, com 18% um candidato está no segundo turno com eleições polarizadas”, observa.
Porto afirma, no entanto, que a frente de esquerda poderá ter outro candidato. “Eu me coloco como candidato, mas o mais importante é construir a frente. Posso não ser candidato a prefeito”, diz.
Governo Paranhos
Paulo Porto classifica a administração do prefeito Leonaldo Paranhos como um “governo sem bandeira”. Segundo ele, o governo avança em algumas coisas, vai até certo ponto e recua. Ele lembra que Paranhos usou a bandeira da saúde para se eleger, mas diz que até hoje não conseguiu resolver o problema.
“Apesar da boa vontade, eu sinto um governo confuso e sem bandeira. Acho que é um governo que tem boa intenção, mas não tem coragem de seguir adiante. Não tem coragem de enfrentar os grandes problemas de Cascavel”, avalia.
Ele diz não entender, por exemplo, o fato de o prefeito não ter feito auditorias nos grandes contratos, como do transporte coletivo e do lixo. “O que impede o Paranhos em fazer uma auditoria nas planilhas de custos das empresas [de transporte]. Isso permitiria, por exemplo, discutir baixar o custo da tarifa”, destaca.
Na avaliação do vereador, o discurso humanizado e de transparência adotado por Paranhos só vai até certo ponto. “Na hora de fazer isso de maneira consolidada e dar protagonismo popular à comunidade, ele não faz, ele centraliza”, declara.
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