CGN
Acesse aqui o Discover e busque as mais lidas por mês!

‘Alta de juros ocorre com a economia fragilizada’

Na avaliação do sr., qual é o impacto da alta da Selic para a economia?...

Publicado em

Por Agência Estado

Publicidade

O aumento da taxa básica de juros, a Selic, ocorre em um momento delicado para a economia, que ainda se encontra fragilizada em razão da pandemia e com o desemprego atingindo cerca de 14,8 milhões de brasileiros. Com a proximidade das eleições, dificilmente a taxa de câmbio cairá, podendo aliviar as pressões na inflação, o que deve fazer o Banco Central continuar elevando os juros em 2022. Esta é a avaliação do economista Luís Eduardo Assis, ex-diretor de Política Monetária do Banco Central. Em entrevista, ele afirma que os juros mais altos tendem a prejudicar as famílias mais endividadas, e a falta de um plano econômico do governo prejudica ainda mais a situação. “Estamos à deriva do ponto de vista da economia”, diz.

Na avaliação do sr., qual é o impacto da alta da Selic para a economia?

A principal questão é que o Banco Central teve de iniciar um ciclo de elevação dos juros com um desemprego acima de 14%. Isso não acontecia antes. A última vez que começou a subir juros foi em 2013, e o desemprego estava na faixa de 7% ou 8%. Esse é o grande dilema. Tivemos um choque no ano passado absolutamente excepcional. Em geral, existe uma correlação negativa entre preço de commodities e taxa de câmbio. No ano passado, essa correlação não prevaleceu. A elevação do preço das commodities foi muito significativa. E houve também uma desvalorização cambial. O aumento do preço das commodities medido em reais foi de 72%, somando esses dois efeitos. É um choque gigantesco.

Essa inflação tende a persistir?

É o que veremos daqui para frente. Podemos torcer, e só torcer, para que os preços internacionais das commodities caiam. Mas é só uma questão de torcer. E o real, bem ou mal, está em linha com a moeda de outros países emergentes. Acho difícil esperar uma valorização maior, com o dólar abaixo de R$ 5, por exemplo.

Por que não?

Por causa da turbulência política, que está encomendada (com a proximidade das eleições). A gente está numa situação única. Qual é o projeto da política econômica hoje? Qual é o plano? Não existe plano. O único objetivo do governo é evitar o impeachment, conseguir chegar até o fim do mandato e, eventualmente, ser um candidato competitivo. Mas isso não dá espaço para planejar a política econômica. Ao contrário. Abre espaço para o populismo fiscal. A gente vê hoje a tentativa de arrumar subterfúgios no Orçamento para engordar o Bolsa Família e tentar combater a impopularidade. Isso não tem nada a ver com planejamento econômico. Estamos à deriva do ponto de vista da economia.

Nesse ambiente, quais os efeitos dos juros mais altos para o consumo e o governo?

A elevação de juros pega as famílias e setor público mais endividados. A dívida pública subiu mais de R$ 1 trilhão no ano passado. Sem falar no impacto dos juros altos para a desigualdade. A pandemia também serviu para aumentar o fosso entre as pessoas de renda mais alta e das pessoas que ganham menos. Isso terá um impacto duradouro, que vai reverberar pelos próximos anos.

O sr. vê esse ciclo de alta se estendendo no ano que vem?

Vejo. Acho que a alta é maior do que o mercado está precificando. À medida que o setor de serviços retome a demanda, a pressão sobre a inflação de serviços, que representa cerca de 37% do IPCA e hoje está baixa, vai gerar tensão adicional sobre a inflação. A não ser que haja uma valorização do real e uma queda forte das commodities. Mas isso não está no mapa, principalmente o câmbio, com a turbulência política.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

AVISO
agora
Plantão CGN