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Ibovespa resiste a ruídos políticos e sobe 0,87%, a 123.576,56 pontos

No encerramento, o índice de ações indicava ganho de 0,87%, a 123.576,56 pontos, atingindo na máxima os 123.765,09 e na mínima os 120.807,02, menor nível desde...

Publicado em

Por Agência Estado

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Com alguma descompressão sobre o câmbio nesta volátil véspera de decisão do Copom, o Ibovespa conseguiu se conectar de tarde ao dia positivo em Nova York, neutralizando as perdas observadas na B3 pela manhã – ao fim, os ganhos aqui superavam os de Wall Street, onde o S&P 500 renovou hoje máxima histórica de fechamento. Após ter chegado a limitar a recuperação acompanhando desdobramentos em Brasília sobre reforma e situação fiscal, o Ibovespa mostrou fôlego na hora final, acentuando as máximas do dia, com dólar à vista a R$ 5,1927 no fechamento do câmbio, tendo chegado no pico desta terça-feira a R$ 5,2746.

No encerramento, o índice de ações indicava ganho de 0,87%, a 123.576,56 pontos, atingindo na máxima os 123.765,09 e na mínima os 120.807,02, menor nível desde 14 de maio, com abertura a 122.516,31 pontos. O giro ficou em R$ 32,3 bilhões – na semana e no mês, o Ibovespa avança 1,46%, com ganho a 3,83% no ano. Entre idas e vindas na sessão, os setores de maior peso no Ibovespa, como commodities (Petrobras PN +1,67%) e bancos (Itaú PN +0,98%) fecharam no positivo, à exceção de BB ON (-0,56%), com destaque para Vale ON (+3,41%) e Bradespar (+2,98%), na ponta do índice. Na face oposta do Ibovespa, Americanas ON cedeu 4,43%, Lojas Americanas, 3,30%, e Sul América, 2,65%.

“A combinação de política e fiscal segura a taxa de câmbio em patamar mais alto, com a discussão sobre pagamento de precatórios, Bolsa Família maior, em movimento de incerteza e aversão a risco em relação a Brasil reforçado pela retomada da CPI da Covid, depois do recesso”, diz Fernanda Consorte, economista-chefe do Banco Ourinvest. “A grande questão é quanto o eventual aumento de 1 ponto porcentual esperado amanhã por boa parte do mercado para a Selic, na reunião do Copom, pode minimizar esse aspecto de alta da taxa de câmbio – o quanto isso já está internalizado na taxa de câmbio. A meu ver, vai ajudar, mas será momentâneo. As questões políticas e fiscais vão falar mais alto ainda por bastante tempo”, acrescenta a economista.

As idas e vindas em torno da proposta de tributação de rendimentos, com novas declarações do relator, o deputado Celso Sabino (PSDB-PA), na apresentação do texto, também continuam a ser acompanhadas de perto pelo mercado – e causaram algum ruído à tarde, embora passageiro. Ao fim, o que prevaleceu, sobre câmbio e ações, foram os comentários do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), de que o reajuste do Bolsa Família não resultará em ruptura do teto de gastos, e de que não há possibilidade de “calote” nos precatórios, apesar da dificuldade de conciliar seu pagamento sem atingir o teto.

Embora Sabino tenha indicado que, com as mudanças, a reforma do IR terá efeito neutro do ponto de vista fiscal, fatores pontuais, como a proposta de aumento de 4% para 5,5% na alíquota de compensação financeira pela exploração de recursos minerais (CFEM), não passaram despercebidos, bem como a retórica do relator sobre os “altos lucros das grandes mineradoras”.

“Uma grande companhia aqui, no segundo trimestre desse ano, anunciou um lucro de R$ 40 bilhões e tem um preço de equilíbrio do minério de US$ 45 por tonelada, e o valor do minério está em US$ 200 por tonelada”, disse Sabino, sem citar o nome da Vale, cuja ação chegou a se acomodar em nível menor, antes de se recuperar para fechar o dia em alta de 3,41%, a R$ 112,64. Sabino disse que, só para o Pará, a mudança na contribuição renderá mais de R$ 1 bilhão – o aumento da CFEM será proposto em PEC que tramitará com a reforma.

Sabino confirmou a isenção sobre lucros e dividendos de empresas enquadradas no Simples nacional, mas apontou que, a despeito do efeito fiscal neutro da reforma pretendida, a carga pode subir. “Há algumas exceções, de grandes recebedores de lucros e dividendos”, observou.

Pela manhã, sem conseguir acompanhar Nova York, o Ibovespa mostrava perdas que o colocaram no pior momento no menor nível intradia desde 14 de maio, refletindo, por um lado, o retraimento do investidor estrangeiro observado desde julho e, por outro, a nova fornada de preocupações domésticas, sobre precatórios e a busca de abertura de espaço orçamentário para acomodar Bolsa Família de até R$ 400 sem ferir o teto de gastos. Hoje, Lira negou haver conversas sobre elevação do auxílio a este patamar.

“A volatilidade que vimos hoje reflete o grau de incerteza, de ruído, sobre o fiscal a partir do nível político, em circunstância na qual o investidor estrangeiro já vinha retraído, e assim deve permanecer até que se tenha clareza maior. Por outro lado, a temporada de balanços, positiva, tem contribuído para segurar o índice”, diz Lucas Mastromonico, operador de renda variável da B.Side Investimentos, escritório ligado ao BTG Pactual.

Os investidores estrangeiros retiraram R$ 2,127 bilhões da B3 na sessão da última sexta-feira (30). No dia, o Ibovespa encerrou a sessão em baixa de 3,08%, aos 121.800,79 pontos, com giro financeiro de R$ 38,2 bilhões. Em todo o mês de julho, foram retirados R$ 8,250 bilhões de investimentos externos da Bolsa que, no acumulado do ano, registra fluxo de entrada a R$ 39,756 bilhões.

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