
Travesti sem-teto tem 40% do corpo queimado e braço amputado após ataque no Recife
De acordo com as informações da Polícia Civil de Recife, um rapaz de 17 anos jogou álcool no corpo da jovem com o propósito de queimá-la...
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Por Deyvid Alan

Na madrugada da última sexta-feira (25), a travesti Roberta Nascimento da Silva, de 32 anos, moradora de rua do Centro de Recife, foi alvo de um ataque que gerou protestos na capital pernambucana nesta segunda-feira (28). A vítima foi alvo de ataque no mês em que é celebrado o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+.
De acordo com as informações da Polícia Civil de Recife, um rapaz de 17 anos jogou álcool no corpo da jovem com o propósito de queimá-la e matá-la. As chamas se alastraram rapidamente pelo corpo da vítima, causando queimaduras graves no abdômen, no tórax, nos braços e em uma das pernas. Roberta teve 40% de seu corpo queimado. O adolescente foi apreendido horas depois do crime.
A vítima foi socorrida por uma equipe de resgate do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e levada para o Hospital da Restauração Governador Paulo Guerra, unidade vinculada à secretaria estadual de Saúde que possui um centro de tratamento para queimados.
No trajeto até a unidade, Roberta foi questionada sobre seu nome e idade. Com muita dificuldade, ela conseguiu dizer seu nome de registro e que tinha 40 anos. Essa informação foi usada pela Polícia Militar e pela equipe do Samu para fazer o cadastro da paciente, e Roberta, que deveria ter sido internada inicialmente na ala feminina, acabou no setor masculino. Ela só mudou de ala e teve seu cadastro alterado com o seu nome social após a intervenção de ativistas.
Roberta seguiu intubada após o procedimento cirúrgico porque apresentava muita secreção em seus pulmões e não conseguia respirar sozinha. Na manhã desta segunda, já consciente, ela passou a respirar sem a ajuda de aparelhos, mas seu quadro clínico permanece crítico.
Além de gerar protestos locais, a violência contra a travesti comoveu ativistas travestis e celebridades. O comediante e youtuber Whindersson Nunes disse em uma rede social que enviou, por meio de um amigo, flores e um bilhete à Roberta. O comediante Marcelo Adnet classificou o caso como “um horror” e disse que se prontificava a prestar ajuda à vítima.
O Brasil é considerado o país que mais mata pessoas transgênero entre as grandes nações, de acordo com rankings internacionais. Em 2020, foram contabilizados 175 casos de assassinatos entre pessoas trans e travestis no país -alta de 41% em relação ao ano anterior. Nos quatro primeiros meses deste ano, outras 56 mortes violentas foram registradas, de acordo com mapeamento da Antra.
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