CGN
Acesse aqui o Discover e busque as mais lidas por mês!

Embaixador da Argentina rebate Guedes e diz que não escreveu carta sobre Mercosul

“O ministro da Economia do Brasil, Paulo Guedes, erroneamente me atribuiu ontem a redação da carta em que os ex-presidentes Lula e Cardoso defendem a integridade...

Publicado em

Por Agência Estado

Publicidade

O embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Scioli, rebateu neste sábado, 26, declarações dadas ontem pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre o Mercosul. O representante de Buenos Aires disse que Guedes atribuiu “erroneamente” a ele a redação da carta em que os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luís Inácio Lula da Silva (PT) criticaram a proposta do governo Jair Bolsonaro de redução tarifária unilateral por parte do bloco econômico sul-americano.

“O ministro da Economia do Brasil, Paulo Guedes, erroneamente me atribuiu ontem a redação da carta em que os ex-presidentes Lula e Cardoso defendem a integridade do Mercosul e afirmam que não é hora de reduzir a tarifa externa comum unilateralmente”, escreveu Scioli em nota.

Durante uma audiência na Comissão Temporária do Senado que acompanha a pandemia, Guedes criticou nesta sexta-feira, 25, a posição do governo de Alberto Fernández em assuntos que envolvem o Mercosul. O ministro disse que a Argentina veta acordos comerciais do bloco com outros países e mencionou a carta divulgada por Lula e FHC no começo de junho. Em um primeiro momento, Guedes disse que Scioli “escreveu” a carta. Porém, imediatamente acrescentou o verbo “assinou”.

“Inclusive, o embaixador da Argentina veio ao Brasil e escreveu uma carta, assinou um documento junto com o ex-presidente Lula e com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso dizendo que o Brasil está ameaçando o Mercosul, quando é exatamente o contrário”, disse Guedes enquanto criticava o país vizinho.

Na nota divulgada hoje, Scioli também rebateu a afirmação de Guedes de que a Argentina impede a modernização do Mercosul. “Quero afirmar que estas afirmações não estão condicionadas ao espírito de unidade e compromisso com a integração bilateral que sempre promovi em todos os meus encontros com governadores, empresários e lideranças políticas a favor da integração dos dois países e do aprofundamento do vínculo entre a Argentina e o Brasil”, escreveu o embaixador argentino.

Scioli disse que já se encontrou com Lula e FHC, assim como já se reuniu com os ex-presidentes Fernando Collor de Mello (PROS) e José Sarney (MDB), mas reiterou que não “promoveu” a carta.

Ao dizer que o governo de Fernández exige o poder de veto sobre acordos comerciais do bloco sul-americano, Guedes defendeu que o Mercosul seja uma plataforma de inclusão produtiva e competitiva do Brasil na economia global. “Nós queremos modernizar o Mercosul e nós teremos problema porque a Argentina diz que exige o poder de veto”, declarou.

Guedes também disse que o governo brasileiro não sairá do bloco, mas também não estará em um Mercosul “movido a ideologia”. Esta afirmação também foi rebatida por Scioli.

“A posição do presidente argentino Alberto Fernández não é ideológica, mas busca uma modernização racional do Mercosul compatível com os tempos atuais, defendendo o emprego e o desenvolvimento das indústrias da Argentina e do Brasil”, escreveu o embaixador.

Scioli disse ainda que a oposição do governo argentino à redução unilateral da tarifa externa do Mercosul, proposta feita pelo Brasil, tem o apoio dos setores industriais e dos sindicatos dos dois países. Como exemplo, ele citou a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).

As críticas de Guedes à Argentina foram feitas em resposta a um questionamento da senadora Kátia Abreu (PP-TO) durante a audiência no Senado. Ela demonstrou preocupação com o acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE) e criticou a escolha do novo ministro do Meio Ambiente, Joaquim Álvaro Pereira Leite, que foi anunciado para o cargo após o pedido de demissão de Ricardo Salles nesta semana. “Trocamos o Salles por meia dúzia”, disse Kátia.

Guedes respondeu à senadora que o País foi colocado “de castigo” pela UE. “Há nações que são protecionistas e temem a potência, a competência do agronegócio (brasileiro). E eles usam o ambiente como disfarce para nos fazer um ataque comercial”, afirmou.

A carta conjunta de FHC e Lula foi divulgada no sábado, 5. “Concordarmos com a posição do presidente da Argentina, Alberto Fernández, de que este não é o momento para reduções tarifárias unilaterais por parte do Mercosul, sem nenhum benefício em favor das exportações do bloco”, dizia o texto.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

AVISO
agora
Plantão CGN