
‘Quando chegar em casa a gente conversa’, ‘leva uma blusa’, ‘você não é todo mundo’: É dia das mães!
Ser mãe é um misto de sentimentos, muita alegria, amor, um pouquinho de raiva e uma dose de diversão, mas o incontestável é que é algo desafiador....
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Por Deyvid Alan

É impossível falar em mãe e não pensar naquelas famosas frases: ” “não interessa que todo mundo vai, você não é todo mundo”; “dez horas eu quero você em casa”; “leva uma blusa”; “vem aqui para apanhar, porque se eu for aí vai ser pior”; quando elas dizem essa última, uma coisa é certa, deu ruim. Hoje, segundo domingo de maio, é o dia é das mães, dia das mais diversas figuras maternas possíveis que exercem esse papel.
Ser mãe é um misto de sentimentos, muita alegria, amor, um pouquinho de raiva e uma dose de diversão, mas o incontestável é que é algo desafiador. Além dos desafios da maternidade propriamente, muitas mães enfrentam ainda a necessidade de conciliar as atividades profissionais, sem contar as pessoais, que em muitas situações se tornam alheias a elas. Abrir mão de muitas coisas pensando unicamente no outro é experimentado por todas e ter a possibilidade de exercer esse papel, é tido para muitas como uma experiência incomparável.
Para homenagear as mães nesta data tão especial, conversamos com sete mães que vivem a fundo esse papel e que além da maternidade, também são profissionais que se dedicam no mercado de trabalho para atender as necessidades dos filhos. Como infelizmente não conseguimos contar todas as histórias de outras mães incríveis que existem, vamos contar um pouquinho da história dessas personagens que representarão todas as mães guerreiras desse mundão.
Andreia Mayer
A primeira delas se chama Andreia Mayer, nasceu em São João Paraná, mas passou toda infância e juventude em Realeza, cidade onde se casou ainda muito nova. Aos 24 anos entrou na faculdade quando se mudou para Cascavel. Foram anos difíceis, ela em Cascavel e o esposo, Marcos Mayer, em Realeza e se encontravam a cada 15 dias. Andreia contou que ainda entes de se formar, em Designer de Interiores, venderam a casa para montar uma fábrica de móveis sob medida em Cascavel, a Mayer ambientes, onde trabalha como administradora, vendedora, projetista e nas horas vagas ainda realiza projetos de decoração. Com a vida profissional resolvida ela e o esposo decidiram ter o tão sonhado filho. “Infelizmente as coisas não são como queremos e perdemos nosso filho, não desistimos e continuamos tentando, mas no ano seguinte mais uma perca. Meu coração despedaçou não foi nada fácil”, contou. Os anos passaram e Andreia decidiu cursar arquitetura e ainda no primeiro ano do curso descobriu que estava grávida, viria ao mundo o Eduardo. Foi uma gestação super de risco e precisou ficar 90% do tempo deitada, uma mudança brusca na vida de uma pessoa sempre ativa. Nesse período Andreia se redescobriu, montou o escritório na sala de casa e começou a projetar, o que ajudou a passar os dias trabalhando até o dia do nascimento do Eduardo. Com menos de uma semana já estava trabalhando novamente com carga horária menor e decidiu trancar a faculdade para passar mais tempo com o filho. Andreia diz que ser mãe “é acordar 18 vezes durante a noite e levantar as 6 horas da manhã como se tivesse tido uma noite de sono maravilhosa e deixar o dia transcorrer normalmente”. Além da maternidade Andreia também se dedica ao trabalho, mas passou a ter como base a agenda do filho que passou a ser sua prioridade. A hora do almoço passa brincando e lendo para o pequeno e valoriza cada minuto que pode passar com ele. “O Eduardo é tudo, é por ele que trabalho, por ele que respiro… Minha razão de viver”.

Benilde Aparecida Ferreira
Benilde Aparecida Ferreira tem 56 anos de idade e nasceu na cidade de Assis Chateaubriand. Desde pequena trabalhou na roça com o pai e os irmãos para levar o sustento à família. Algum tempo depois ela se casou aos 19 anos de idade, na cidade de Nova Aurora, onde trabalhou como zeladora e também como boia fria. Sempre muito dedicada à família e ao trabalho, Benilde ficou grávida da primeira filha aos 19 anos e aos 22 teve o segundo filho. Ela contou que logo que se tornou mãe deixou de trabalhar fora para se dedicar aos filhos e às atividades de casa. “Senti naquele momento que ter filhos é uma grande responsabilidade, pois quando colocamos um filho no mundo, devemos cuidar e zelar por eles”, disse. Benilde lembrou que ela e o esposo criaram os filhos com muita dificuldade, mas nunca deixaram falar nada aos pequenos e passou alguns sufocos como mãe. Uma passagem da maternidade que marcou a vida da mãezona, foi o dia em que a filha se afogado com o leite materno. “Levei um grande susto achando que ela estava morta e então eu gritei: Minha Nossa Senhora! Ufa! Foi somente um susto”. Com o filho mais novo também teve vários sustos, um deles foi o diagnóstico de hidrocefalia, mas o pequeno nasceu perfeito, sem nenhum problema de saúde. Aos 32 anos se divorciou e enfrentou o desafio de desempenhar o papel de pai e mãe, mas hoje se orgulha de ter criado os filhos com muito amor e sonha se aposentar com saúde e desfrutar da vida em meio à natureza e junto aos filhos. “Ser mãe é um ato de amor, ser mãe é uma dádiva, pois crescemos muito como ser humano. Sou muito grata a Deus por me permitir ser mãe”.

Bruna Bandeira
Conversamos também com a mamãe Bruna Bandeira. Nasceu em Pelotas, mas mora no Paraná desde os cinco anos de idade. Em 2013 se mudou de Pato Branco para Cascavel por oportunidades profissionais diante de uma oportunidade de trabalho. Um ano depois, o companheiro de Bruna que também morava em Pato Branco também mudou para Cascavel no mesmo ano em que engravidou do seu primeiro filho, o Rudá, que nasceu no dia 28 de fevereiro de 2015. Depois do nascimento do Rudá, Bruna teve mais dois filhos, o Davi que tem quatro anos e o Radu de um ano. Ela contou que depois da maternidade se tornou outra pessoa e que precisa se esforçar para lembrar como era a vida antes dos filhos. “Mas meus filhos nunca me limitaram (ainda que, evidentemente, eu precise deixar de fazer algumas coisas que gosto). Ao contrário. Hoje faço muito mais do que fazia quando não era mãe. Meus filhos me deram coragem, multiplicaram minha vontade de viver, de aprender”. Além de se mãe, Bruna também se dedica ao trabalho, é Jornalista e conta com um companheiro que vive a paternidade. Os cuidados com as crianças são compartilhados, o que os permitem trabalhar e estudar, além de contarem com uma grande amiga que a acompanha desde o nascimento do primeiro filho. Ela também diz que o maior desafio em ser mãe é não se anular enquanto mulher, enquanto indivíduo, já que a maternidade e o trabalho ocupam tanto espaço. Bruna também disse que ser mãe é um compromisso muito sério, um compromisso com a felicidade dos filhos, com os cidadãos irá formar tendo o desafio de formar seres humanos mais justos e bons. Hoje o objetivo da vida de Bruna é saber conduzir os filhos com afeto, sabedoria e respeito, para que eles absorvam e reproduzam. “Quero filhos felizes, que respeitem o direito dos outros à felicidade”.

Carmem Stieven Barcelos
Carmem Stieven Barcelos é o nome da outra mãezona. Natural de Passo Fundo, Rio Grande do Sul, Dona Carmem já trabalhou muito nessa vida. Hoje é aposentada, mas para criar as quatro filhas, precisou se desdobrar. A filha mais velha chamada Tânia, nasceu em 1984 e foi uma alegria para dona Carmem. Para ela, se tornar mãe foi uma verdadeira benção e disse ser algo inigualável quando sentia as filhas mexendo em seu ventre. Depois da Tânia veio a Vânia, hoje com 32 anos, a Josiane com 28 e a raspinha do tacho, Jaqueline de 19 anos. Dona Carmem lembra que prestes a ganhar sua filha caçula, levantou cedo, às 5:30h da manhã e foi trabalhar. Ao final da tarde voltou para a casa, tomou banho, preparou a bolsa, pegou uma lotação e foi para o hospital para ganhar a bebê. Chegando no hospital foi para a sala de parto e às 20 horas estava com a pequena em seus braços. A mãezona contou que a maternidade mudou a vida dela e que a partir dessa experiência, todo o tempo, os pensamentos e o amor passaram a ser dedicados às quatro filhas. Para ela as filhas são a razão de sua existência e educá-las para que se tornassem pessoas de bem foi um grande desafio. Hoje o maior sonho de dona Carmem é que as filhas se realizem na vida, sejam felizes e possam criar os filhos delas com o mesmo amor que foram criadas. Ela espera viver ao máximo cada momento.

Iracele Mascarello
Iracele Mascarello, é mais uma mãe que se orgulha dos filhos. Nascida em 1955 em Santa Catarina, é mais conhecida como Celinha, empresária atuante em diversos segmentos. Celinha veio para Cascavel em 1956 e se casou aos 19 anos, tendo o seu primeiro filho em 1978, o Plácido. Chamado carinhosamente de Tato, Plácido nasceu com paralisia cerebral e se tornou o grande xodó da família, o que também demandou maiores atenções e desprendimentos por parte da mãe. Mesmo com condições para oferecer bons tratamentos e acompanhamento para o filho uma coisa não pôde ser substituída, o amor de mãe. Hoje aos 44 anos de idade, Tato continua recebendo o carinho e atenção especial da mãe que sempre se dedicou em cuidá-lo. Claro que além do Tato, Celinha também se orgulha das filhas, Vivian e Kelly que administram as empresas da família seguindo os passos da mãe. Ela contou ainda que sente o maior orgulho em poder dizer que a Mascarello é a única encarroçadeira de ônibus comandada exclusivamente por mulheres. Além de ser mãe de três filhos, Celinha cuida hoje de sua mãe que está com 90 anos e diz que o apoio das filhas é fundamental para que hoje ela possa se dedicar a quem sempre se dedicou a ela. Com muito orgulho ela contou que desde sempre sua mãe a incentivou a estudar e trabalhar para ser independente. “Cresci num ambiente de mulheres batalhadoras e tive o exemplo de mães fortes que sempre se dividiram entre o trabalho e a maternidade”. Já como mãe Celinha diz aprender mais com os filhos do que o contrário e conta que é preciso ter coragem, porque não é fácil, mas que com muito amor e fé tudo se torna possível.

Vanessa Santos
Conversamos também com a Vanessa Santos, que é mecânica e proprietária da oficina “Vanessa Mecânica”, contou que para chegar até aqui não foi nada fácil. Vanessa é filha de mãe solteira, dona Vanderléia, que nas palavras da filha é uma mulher incrível e guerreira. Ela foi criada com a ajuda da minha avó que a ensinou a nunca desistir dos sonhos, a Dona Ricardina. A infância foi sofrida, passaram necessidades, fome, frio e foi vítima de racismo na escola e disse que a pior parte da infância, foi sofrer abuso sexual aos seis anos de idade e ter que lidar com esse trauma. “O que me conforta é olhar pra trás e saber que venci muitos demônios. Hoje algumas pessoas me veem como exemplo e é incrível ser ponte de incentivo e é muito mais gratificante ver que meus filhos sentem um baita orgulho de mim”. Mãe de cinco filhos, teve a primeira aos 17 anos, a segunda filha aos 22 e o terceiro aos 24. Depois dos três biológicos, Vanessa se tornou mãe de mais dois filhos do coração. Para ela os cinco filhos são a base da vida. “Eles são meus alicerces depois de Deus, pois sem o poder Dele, eu não teria capacidade pra gerar vidas e amar cada uma delas. Meus filhos são minha luz e é por eles que eu não desisto de mostrar um mundo melhor”, disse. Claro que ser mãe de cinco é ter bastante desafios para enfrentar e conciliar o trabalho e a maternidade demandou muita dedicação desta mamãe, além de é claro, ter que se desdobrar para controlar as artes dos pequenos. Hoje Vanessa é mecânica e apaixonada pela profissão. Ela contou que sempre trabalhou e disse que para se estabelecer no mercado de trabalho precisou enfrentar o machismo e a ignorância de acharem que a profissão que ela escolheu só cabia aos homens, o que serviu de motivação para que ela continuasse a luta. Com a chegada dos filhos ela disse que tudo mudou, em especial a necessidade ser uma super-heroína para enxergar os perigos mundo. “A maternidade é sofrer num paraíso, no entanto é incrível! O maior desafio em ser mãe, é evitar errar! Medo absurdo de errar e não ser boa o suficiente”.

Nadir da Silva Costa
Nossa última personagem se chama Nadir e têm histórias dignas de Netflix. Natural de Formosa do Oeste, batalhou desde muito cedo. Aos 12 anos já trabalhava como empregada doméstica, aos 13 teve a oportunidade de trabalhar em um cartório da cidade de onde saiu para se casar aos 16 anos, mas não deixou de trabalhar e nunca se permitiu abandonar os estudos, fez o magistério e se tornou professora. Aos 17 teve sua primeira filha, a Jheime, e tempos depois dando aula na mesma escola que a filha estudava, acompanhava as artes da pequena travessa empurrando os coleguinhas na fila do hino nacional. A vida não era fácil, foram muitas lutas e desafios vencidos junto com a filha para chegarem até aqui. Depois de seis anos passou a ser mimada pelos alunos enquanto ia lecionar com um barrigão de nove meses, prestes a ganhar o segundo filho aos 23 anos. Sempre se destacando em tudo o que faz, se tornou diretora de escola infantil. Dona de um coração gigante foi mãe de mais 500 filhos, se dedicando e doando amor por 10 anos como diretora de uma fundação de menores abandonados, onde passava dias, noites e madrugadas em claro, cuidando e educando crianças e adolescentes sem família ou em situação de risco. Como muitas mulheres, também precisou enfrentar o machismo e um relacionamento abusivo e conseguiu superar mais estes obstáculos. Em 2001 se tornou empresária, trabalhou muito, muito mesmo, se dividindo nas atividades como profissional, mãe, esposa e empreendedora atuante na comunidade. Mesmo em meio a tantas atividades diárias se formou em Pedagogia, se especializou, mas ser mãe sempre esteve acima de qualquer coisa. Sempre persistente e dedicada hoje realiza um de seus muitos sonhos, é acadêmica de Psicologia e Psicopedagoga atuante. Nadir é um exemplo de mãe, amorosa e preocupada, uma leoa que briga pelos seus filhotes e diria que os filhos são a maior preciosidade da vida dela. De todas as personagens ela foi a única a não ser entrevistada, pois enquanto filho pude acompanhar de perto as lutas e vitórias dessa mulher que eu tanto amo.

As mulheres aqui citadas representam todas as mães batalhadoras desse mundo. A mãe doméstica, a mãe professora, a mãe confeiteira, a mãe vendedora, a mãe dona de casa, a mãe casada, a mãe solteira, a mãe biológica, a mãe de coração, a avó que é mãe, o pai que é mãe enfim, todas as mães que se desdobram dia a dia para saciar os filhos com alimento e amor. Acima das vitórias, das conquistas, das oportunidades e das lutas enfrentadas, todas tem em comum o mesmo objetivo: a felicidade dos filhos.
Nesta data tão especial que deve ser comemorada todos os dias do ano, desejamos vida longa, sabedoria e bênçãos a todas as mães que mesmo se passando gerações, não cansam de repetir: “quando chegar em casa a gente conversa!”.
Feliz da das mães!
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