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Imagem referente a Após publicação sobre cabeça de porco encontrada perto do Cemitério, participantes de terreiro encaminham carta de esclarecimento

Após publicação sobre cabeça de porco encontrada perto do Cemitério, participantes de terreiro encaminham carta de esclarecimento

Uma câmera de monitoramento acabou flagrando do suposto ritual e as pessoas que deixaram a cabeça de porco no cruzamento das Ruas Alexandre de Gusmão e...

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Por Fábio Wronski

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Imagem referente a Após publicação sobre cabeça de porco encontrada perto do Cemitério, participantes de terreiro encaminham carta de esclarecimento

Na última terça-feira (30), a CGN publicou uma informação, esta repassada por internautas, sobre uma “cabeça de porco que teria sido usada em ritual e deixada em cruzamento nas proximidades do Cemitério Central”.

Uma câmera de monitoramento acabou flagrando do suposto ritual e as pessoas que deixaram a cabeça de porco no cruzamento das Ruas Alexandre de Gusmão e Cuiabá, bem atrás do Cemitério Central.

Durante a produção do material, o jornalista que escreveu a matéria apenas relatou o que havia sido informado pelos moradores das proximidades, que disseram ser constantes constantes as aparições destes ‘rituais’ e que a cabeça de porco deixada próxima às casas estava trazendo um cheiro insuportável, diante do apodrecimento.

Outra matéria produzida pela CGN faz referência a reclamação de outra internauta em relação ao caso de um cachorro que teria sido sacrificado em possível ritual; animal estava sem a cabeça e as patas, com farofa na barriga.

Na noite de ontem, a CGN recebeu uma carta de participantes de um dos mais de 20 terreiros que existem em Cascavel, buscando trazer um esclarecimento sobre o fato.

Veja na íntegra:

Cascavel é uma cidade predominantemente cristã e comemora na data de hoje a Páscoa, data que rememora o renascimento do seu maior mestre.

Esta data marca também a celebração e comunhão dos povos e faz igualmente parte da crença Umbandista, em virtude do sincretismo religioso entre o Catolicismo e as Religiões de Matriz Africana, ainda durante formação étnica do país a partir da escravização dos povos africanos.

Viemos a público nesta data, consequentemente, por conta de três matérias jornalísticas sobre sacrifício animal que circularam durante esta semana por meio de um veículo de imprensa local. E porque, infelizmente, mesmo diante de todas as expressões de preconceito e intolerância que as Religiões de Matriz Africana sofrem todos os dias em todo o país, todas elas tiveram um tom denunciante ou zombeteiro, o que induziu a crítica, a discriminação, a hostilidade e o prejulgamento do público do veículo que as publicou, especialmente nas redes sociais.

Diante desta situação, escrevemos coletivamente esta carta com o objetivo de informar os pontos abaixo relacionados:

• Existem em Cascavel pelo menos 20 Terreiros de Batuque, Candomblé, Ifá, Quimbanda e Umbanda, bem como outras dezenas de pessoas sérias que realizam suas práticas religiosas independentemente de agremiarem-se ou identificarem-se com uma dessas denominações. Desta forma, embora pareça invisível e pouco debatido de modo formal, os Terreiros que professam a fé das Religiões de Matriz Africana em Cascavel existem e realizam suas práticas de forma honesta e respeitosa com relação aos princípios constitucionais e à convivência pacífica com outras expressões de fé.

• Há Terreiros na cidade que existem há 20, 30 ou 40 anos e jamais realizaram suas práticas de forma ostensiva, agressiva ou depredadora, especialmente quando considerados os eventos citados nas matérias jornalísticas.

• O respeito à natureza é um dos fundamentos centrais das Religiões de Matriz Africana, que primam pela preservação do meio ambiente, uma vez que as próprias Divindades se manifestam por intermédio dos elementos naturais, como as águas, o clima e a própria vida na terra. De tal forma, o uso dos elementos naturais nas práticas ritualísticas é essencial para a preservação do patrimônio cultural, material e imaterial, das Religiões de Matriz Africana, o que inclui, entre outras, a retirada da própria natureza os objetos de uso litúrgico, tais como água de nascentes e cachoeiras, ervas ou pedras de seixo.

• A Sacralização de animais ocorre em apenas uma parte das práticas religiosas de Matriz Africana em seus ritos internos e não é realizada por todos os Terreiros. Porém, é preciso reiterar que, em virtude do respeito e da própria expressão da fé mencionada acima, os sacrifícios animais quando realizados o são na forma como a humanidade pratica a sua nutrição ao longo de todo o seu desenvolvimento histórico. Ou seja, os animais sacrificados se tornam ALIMENTO para toda a comunidade do Terreiro, enquanto o couro, por exemplo, é curtido e preparado para tornar-se parte dos objetos litúrgicos, tais como os atabaques.

Vale mencionar ainda que, assim como as famílias cristãs realizarão no dia de hoje seus almoços de Páscoa com animais sacrificados, as Cooperativas locais possuem funcionários treinados para a realização do “Halal”, que nada mais é do que a sacralização dos frangos que são exportados para os países muçulmanos. Em outras palavras, mesmo na diferença, compartilhamos dos mesmos costumes e das mesmas práticas alimentares e ritualísticas.

De tal modo, expostos os motivos, como Coletivo dos Terreiros de Religiões de Matriz Africana da cidade de Cascavel, informamos à população cascavelense e à imprensa que não reconhecemos os eventos narrados como parte das nossas práticas de fé e que lamentamos a divulgação precipitada e inadvertida, bem como a vinculação destes acontecimentos à “Macumba”, que se constituiu na narrativa histórica como um termo pejorativo para gerar medo, superstições e preconceitos com relações às práticas religiosas negras.

Sem mais, desejamos à toda a população uma Feliz Páscoa com a renovação da fé e os bons princípios de humanidade. Axé.

Coletivo dos Terreiros de Religiões de Matriz Africana da cidade de Cascavel

A CGN esclarece que a matéria foi produzida diante da reclamação dos moradores das casas próximas, estes que se sentiram incomodados com o constante aparecimento de ‘oferendas’, as quais acabam apodrecendo nas proximidades do Cemitério Central e trazendo consequências.

Na outra, o caso de um cachorro que foi encontrado com os membros e a cabeça cortada, fato que teria chocado a internauta.

As matérias são informativas e não fazem juízo de valor, sendo que os comentários realizados nas redes sociais não são de responsabilidade do veículo de comunicação, mas, sim, das pessoas que participam do Facebook, Instagram, Twiter e outros, isto mediante a cadastro de identificação e termos de responsabilidade.

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