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Notícias falsas deixam população angustiada. Familiares imploram por leitos que não existem

Vírus criado em laboratório, mortes por outras causas sendo computadas como Covid-19 e até mesmo curas milagrosas para a doença que parou o mundo, são as notícias falsas...

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Por Deyvid Alan

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Durante a pandemia de Covid-19, ter acesso à informação de qualidade é essencial para garantir o direito à saúde, isto é, permitir que as pessoas possam se prevenir adequadamente e saber quais medidas tomar em caso de contaminação.

Vírus criado em laboratório, mortes por outras causas sendo computadas como Covid-19 e até mesmo curas milagrosas para a doença que parou o mundo, são as notícias falsas mais comuns relacionadas à pandemia, que circulam nas redes no último ano.

A disseminação de notícias falsas e a desinformação durante a pandemia aumentam a sensação de insegurança da sociedade, já que a desconfiança quanto à veracidade do conteúdo recebido se soma à preocupação com a crise sanitária e econômica que vivemos.

Neste período em que a população se encontra assustada diante o caos que estamos enfrentando, a propagação de informações falsas contribuíram para o aumento do medo e angústia das pessoas. Mensagens, áudios e vídeos, nos quais até a existência do vírus foi questionada, fez com que muitas pessoas ignorassem as medidas sanitárias, levando consequentemente  ao expressivo aumento de casos e mortes.

Em Cascavel, um áudio atribuído ao então Diretor Clínico do Hospital Policlínica, causou um tremendo alvoroço na população que acreditou que leitos estariam disponíveis para atendimento à pacientes com Covid.

No áudio, o médico Ovídio Rodhe, dizia que após o tratamento precoce contra a Covid, oferecido por ele e outros médicos e profissionais voluntários, a procura por leitos no hospital teria caído vertiginosamente e que 50% dos leitos estariam desocupados.

A situação colocou o município novamente em evidência, desta vez não de uma forma positiva, momento em que o Prefeito Leonaldo Paranhos e até mesmo o Governador do Estado, Ratinho Júnior, pediram que uma auditoria fosse realizada no hospital para verificar a veracidade das informações. O Governador asseverou que se constatada a veracidade, os leitos deveriam ser colocados à disposição para atender centenas de pacientes que aguardavam na fila para receber o devido atendimento.

Após o reboliço, o próprio hospital emitiu uma nota dizendo que a informação não era verídica e que não haviam leitos disponíveis conforme mencionado no áudio do médico. Na mesma nota o hospital informou a saída do médico da função de Diretor.

Acontece que uma vez repassada, a informação falsa continua a circular nas redes, quase na velocidade da luz e com alcance imensurável, o que faz com que mesmo que a verdade venha à tona e a informação falsa seja desmentida, muitas pessoas que não tiveram acesso continuem acreditando e repassando a mentira para outros.

Fato é que dias após a circulação do áudio, pessoas continuam em desespero à procura de um leito para familiares que estão em estado grave por conta da Covid. A CGN recebeu áudios dramáticos de pessoas implorando para que o prefeito, outras autoridades e até mesmo a imprensa, disponibilize um leito dos que “estão livres” no referido hospital.

“Pelo amor de Deus, eu sei que vocês são chegados do prefeito, pede pra ele uma vaga, é só uma vaga, o Diretor da Policlínica já disse que tem vaga, a minha mãe vai morrer em casa”, implora em um dos áudios.

“O médico já disse que tem a vaga lá na Policlínica… Gente pelo amor de Deus, que dia a minha avó vai conseguir a vaga? Como o médico fala que tem a vaga e a minha avó ainda não tá lá? Dá vontade de desistir de tudo, pelo amor de Deus gente, faça alguma coisa!”, diz outra.

“Pelo amor de Deus, me ajuda, a minha tia precisa de uma vaga. Eu ouvi o diretor da policlínica falando que tem a vaga, ele deixou bem claro que tem vaga e agora vocês falam que não tem? Me ajuda lá pelo amor de Deus”.

Além da imprensa, o serviço de ouvidoria da prefeitura também tem recebido ligações diárias cobrando pelas tais vagas livres e implorando para que o familiar seja hospitalizado. A situação se agravou de tal forma após a divulgação do áudio que algumas pessoas passaram a acreditar que leitos estariam desocupados e que as autoridades estariam permitindo que as pessoas morressem sem atendimento.

Cabe lembrar que diariamente o Consamu, as Secretarias de Saúde Municipal e Estadual, o Hospital Universitário, emitem boletins e relatórios sobre a ocupação dos leitos no município, os novos casos confirmados, a listagem de óbitos e mostram à população a crise vivenciada e noticiada pelos mais conhecidos e confiáveis veículos de comunicação.

Hoje (19) a nova atualização aponta que 142 pessoas aguardam por um leito de UTI na Macrorregião Oeste, mas apenas seis vagas foram liberadas e que rapidamente serão preenchidas por um novo paciente em condição grave. Apenas nas Unidades de Pronto Atendimento de Cascavel são 33 pacientes intubados e no total são 88 pacientes nas Unidades de Terapia Intensiva.

Tudo isso mostra o quão prejudiciais são as informações falsas, como se já não bastasse o caos causado pela pandemia. A histeria provocada pelas fake news é a última coisa que precisamos neste momento de crise sanitária.

Sem dúvida é um assunto que continuará sendo tendência e evidenciado para que a população seja conscientizada sobre o “novo problema”, não tão novo assim, mas com consequências muito mais visíveis agora com o advento da internet. Pesquisar, questionar, duvidar de informações repassadas em redes sociais e grupos de whatsapp e verificar a veracidade junto aos órgãos oficiais e veículos de imprensa, são medidas imprescindíveis para minimizar os impactos das fake news.

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